Principais pontos

  • A nova companhia ainda sem nome já nasce com R$ 700 milhões de faturamento anual, 900 funcionários e 600 clientes.
  • A operação não envolve pagamento em dinheiro, apenas troca de ações, com a SPX como controladora e a Embraer como acionista relevante.
  • O aporte de até R$ 400 milhões feito pela SPX em janeiro será usado na integração e nos investimentos iniciais da companhia combinada.

Segundo o InfoMoney, a Embraer e a SPX Capital decidiram unir a Tempest Security Intelligence e a Vision Cybersecurity em uma nova companhia ainda sem nome que já nasce com R$ 700 milhões de faturamento anual, 900 funcionários e 600 clientes.

A leitura do Ativo Virtual é que o valor da operação está menos no anúncio e mais na complementaridade comercial: uma estrutura focada em grandes contas se soma a outra voltada a empresas intermediárias, com oferta idêntica de serviços, para disputar escala no Brasil antes de avançar pela América Latina e América do Norte.

A nova companhia ainda sem nome já nasce com R$ 700 milhões de faturamento anual, 900 funcionários e 600 clientes.

Complementaridade na base de clientes explica a fusão

A Tempest nasceu no Centro de Estudos Avançados do Recife, o Cesar, em 2000. A fabricante de aviões realizou um primeiro investimento em 2015, por meio de um fundo de inovação do qual o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também participava, e assumiu o controle em 2020.

O foco da Tempest são grandes companhias, cujas receitas superam R$ 1 bilhão. A atuação junto a esse perfil ajudou a empresa a abrir portas para clientes no exterior, movimento que a Embraer apoiou e que figura entre os principais planos de crescimento após a união.

A Vision segue lógica distinta e atende empresas de porte médio. A gestora SPX a adquiriu em janeiro, a partir de uma estrutura da capixaba ISH Tecnologia dedicada a clientes corporativos privados. Segundo a fonte, o comandante da Vision, André Fleury, indicou que a prioridade será firmar a posição no mercado brasileiro e, depois, levar a operação para a América Latina e a América do Norte.

O crescimento posterior deve ocorrer de forma orgânica, embora novas aquisições permaneçam no radar.

Portfólio idêntico busca ganho de escala operacional

As duas empresas prestam o mesmo tipo de serviço. Realizam análises de vulnerabilidade em projetos como softwares, plataformas, aplicativos, chatbots e processos industriais, incluindo os setores varejista e automobilístico.

Também operam o SOC (Centro de Operações de Segurança), estrutura centralizada que reúne pessoas, processos e tecnologia para monitorar, detectar, analisar e responder a incidentes de segurança dentro das companhias atendidas.

Há ainda o monitoramento externo de tendências de ataques, de caráter preventivo. A proposta é intensificar a chamada resposta preemptiva, ou seja, a capacidade de identificar e tentar neutralizar ameaças digitais antes que elas se concretizem.

CaracterísticaTempest Security IntelligenceVision Cybersecurity
Controle anteriorEmbraerSPX Capital
Perfil de clienteGrandes empresas com receita acima de R$ 1 bilhãoEmpresas de porte médio
OrigemCesar, Recife, em 2000Braço corporativo da ISH Tecnologia
Sede regional mantidaRecife (PE)Vitória (ES)

Troca de ações coloca SPX no controle e Embraer como sócia

A operação não envolve pagamento em dinheiro, apenas troca de ações, com a SPX como controladora e a Embraer como acionista relevante.

Fleury ficará no comando da companhia combinada. João Lins, atualmente à frente da Tempest, assumirá a vice-presidência de tecnologia e inovação. Lins afirmou, segundo a fonte, que a proteção do ambiente digital tem caráter estratégico para a Embraer.

O desenho societário mantém a fabricante de aeronaves vinculada ao negócio, sem a gestão do dia a dia, enquanto a gestora independente assume a condução e aporta capital para a integração.

Marcas, sedes e aval regulatório: o que acompanhar

Em um primeiro momento, as marcas Vision e Tempest serão preservadas. As operações também seguirão independentes, ao menos até o fechamento da transação, com manutenção das sedes regionais em Vitória (ES) e Recife (PE), além da estrutura em São Paulo (SP).

O aporte de até R$ 400 milhões feito pela SPX em janeiro será usado na integração e nos investimentos iniciais da companhia combinada.

A conclusão do negócio depende das aprovações regulatórias habituais, incluindo o aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), autoridade responsável por avaliar atos de concentração e preservar a concorrência.