Principais pontos

  • A combinação entre oferta restrita e demanda aquecida tem levado companhias a antecipar a contratação de espaços
  • A vacância dos escritórios em São Paulo ficou em 12,1% no segundo trimestre, o menor nível da série histórica

O aperto na oferta de lajes premium

O mercado corporativo de alto padrão em São Paulo desafia as teses de esvaziamento pós-pandemia. Segundo dados da Binswanger Brazil, a busca por imóveis estratégicos elevou o preço pedido a R$ 138,20 por metro quadrado, um recorde histórico. Nesse ambiente, a vacância (índice de espaços vagos) recuou para 12,1%. A combinação entre oferta restrita e demanda aquecida tem levado companhias a antecipar a contratação de espaços ainda em construção, uma estratégia para garantir localização e padrão antes da entrega das obras.

O movimento das gigantes e a pré-locação

A Amazon protagonizou a maior operação do período ao garantir 39.229 metros quadrados no empreendimento Biosquare, situado em Pinheiros. Embora o contrato tenha sido formalizado contabilmente no segundo trimestre, a operação foi fechada em março de 2025, antecipando o habite-se (documento que autoriza a ocupação do imóvel). Com essa expansão, a gigante do varejo digital atingiu a marca de 56.000 metros quadrados na capital paulista, consolidando-se como a quarta maior ocupante do mercado corporativo local.

A dinâmica de antecipação também se repete no Cyrela Oscar Freire Corporate, lançado em agosto e com ocupação prevista para ser contabilizada no terceiro trimestre. O Nubank já garantiu espaços no edifício antes da entrega das chaves, acompanhando a tendência de corporações que buscam infraestrutura premium em regiões nobres.

Maiores contratos do trimestre

EmpresaMetragemEmpreendimento
Amazon39.229 m²Biosquare
Claro Brasil9.590 m²Quota Corporate
Braskem8.951 m²Alto das Nações

O fim do mito do trabalho remoto

O cenário atual contrasta diretamente com as projeções formuladas durante a crise sanitária, que previam devolução em massa de lajes corporativas. A realidade impôs um modelo híbrido que exige sedes de alta qualidade para atração e retenção de talentos. A vacância dos escritórios em São Paulo ficou em 12,1% no segundo trimestre, o menor nível da série histórica, protegendo a taxa de ociosidade de altas artificiais e sustentando a precificação dos ativos.