Principais pontos
- A receita líquida somou R$ 201,054 milhões, representando um recuo de 64,7% na mesma comparação anual.
- A companhia reportou uma queima de caixa de R$ 94,763 milhões no trimestre.
Receitas despencam e caixa queima: o cenário da Even3 no 2T26
A incorporadora Even (EVEN3) enfrentou um trimestre de forte contração em suas entregas comerciais e na preservação de liquidez. No segundo trimestre de 2026 (2T26), a Even enfrentou forte retração. A receita líquida somou R$ 201,054 milhões, representando um recuo de 64,7% na mesma comparação anual. O lucro líquido consolidado foi de R$ 30,686 milhões, uma queda de 37,2% frente ao mesmo intervalo de 2025.
Apesar da forte compressão no topo da linha de resultados, a estrutura de custos diretos apresentou melhoria. A margem bruta ajustada — percentual de lucro sobre a receita após dedução dos custos diretos, com ajustes para itens não recorrentes — chegou a 29,8%, uma elevação de 6,6 pontos percentuais (p.p.) ante o 2T25. Contudo, a leitura analítica do balanço revela que a eficiência na margem bruta não foi suficiente para compensar a deterioração do fluxo de caixa e o aumento de passivos não operacionais.
O salto nas "outras despesas" e o caixa operacional
Enquanto as despesas operacionais totais recuaram 77,8% para R$ 15,804 milhões, e as despesas comerciais caíram 46,6% para R$ 21,070 milhões, houve um movimento atípico na linha de outras despesas. O montante saltou de R$ 97 mil para R$ 39,465 milhões. Em contrapartida, as despesas gerais e administrativas subiram 7%, atingindo R$ 34,199 milhões. O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas financeiras) permaneceu positivo em R$ 23,469 milhões, embora tenha sofrido uma piora de 9,8% na comparação anual.
Para o setor de incorporações, que historicamente costuma demandar alto volume de capital de giro, a transição de um cenário de geração de caixa para uma queima expressiva tende a elevar o custo de capital e a exigir maior rigor na alocação de recursos futuros. A geração de riqueza dos negócios participados também perdeu tração. A equivalência patrimonial (método contábil que reconhece a participação em lucros ou prejuízos de controladas e coligadas) ficou em R$ 8,349 milhões, ante R$ 32,386 milhões no 2T25.
Alavancagem e pressão sobre o balanço
O reflexo direto dessa dinâmica no caixa foi severo. A companhia reportou uma queima de caixa de R$ 94,763 milhões no trimestre, em contraste com a geração de R$ 67,391 milhões no mesmo período do ano passado.
Para financiar suas operações, a dívida líquida atingiu R$ 698,652 milhões ao final do 2T26, um avanço de 22,3% ante o primeiro trimestre. A alavancagem, que mede a dívida líquida sobre o patrimônio líquido, subiu 21 p.p. na comparação anual e 5,5 p.p. na marginal, atingindo 30,3%.
| Indicador | 2T26 | Comparativo |
|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 201,054 milhões | -64,7% (vs 2T25) |
| Lucro Líquido | R$ 30,686 milhões | -37,2% (vs 2T25) |
| Margem Bruta Ajustada | 29,8% | +6,6 p.p. (vs 2T25) |
| Dívida Líquida | R$ 698,652 milhões | +22,3% (vs 1T26) |
| Alavancagem | 30,3% | +21 p.p. (vs 2T25) |
