Com três dias úteis ainda por contabilizar, os embarques de petróleo do Brasil somaram 10,1 milhões de toneladas até a quarta semana de setembro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), área do governo que compila os dados de comércio exterior do país. O ritmo coloca o mês na rota de superar a maior marca mensal recente: o recorde que pertencia a março de 2023, com 11 milhões de toneladas, e que resistiu por mais de três anos.
O avanço aparece em dois placares da Secex. A média diária superou 500 mil toneladas no acumulado do mês, e os embarques por dia útil ficaram 50% acima do verificado em relação a todo o mês de setembro de 2025.
| Indicador (setembro, até a 4ª semana) | Valor |
|---|---|
| Volume embarcado | 10,1 milhões de toneladas |
| Recorde mensal a superar | 11 milhões de toneladas (março/2023) |
| Preço médio por tonelada | US$ 562,4 |
| Variação anual do preço | 26,1% |
| Receita acumulada no mês | US$ 5,6 bilhões |
| Embarques por dia útil vs. set/2025 | +50% |
A receita caminha em duas pernas
A dúvida de quem acompanha o setor deixou de ser se o recorde virá. O ponto é o que ele carrega. No acumulado parcial do mês, a tonelada embarcada saiu, na média, por US$ 562,4 — patamar 26,1% superior ao de um ano antes —, e a receita já superava US$ 5,6 bilhões.
Volume e preço empurram essa conta na mesma direção, e é a combinação dos dois que diferencia setembro de um mês apenas volumoso. Para quem tem exposição a ativos ligados à commodity, o fluxo de dólares entrando pelos portos tende a ser maior mesmo quando a quantidade embarcada apenas repete o padrão histórico.
Uma distinção importa: a Secex contabiliza embarques, não produção. O que está na mesa é o volume efetivamente despachado pelos terminais no período, o que faz a leitura final do mês depender do comportamento dos últimos dias úteis.
Búzios e Mero sustentam a oferta
O lado da oferta ajuda a explicar o desempenho. Em julho, a produção mensal de petróleo do país bateu recorde pelo segundo mês consecutivo, conforme a Agência Nacional do Petróleo (ANP), reguladora do setor. Os campos do pré-sal — reservatórios situados abaixo de uma camada de sal no litoral — aparecem entre os que puxaram o resultado, com Búzios e Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, entre os destaques.
Os dados de agosto saem no início de outubro e funcionam como primeiro teste para saber se o patamar elevado de produção se manteve, ou se os embarques de setembro se apoiam sobretudo em uma janela favorável de preços e de logística.
Geopolítica entra na conta do preço
Parte do prêmio de preço vem de fora. O conflito no Irã, que embaralha a rota de combustíveis no Estreito de Ormuz — passagem marítima por onde escoa boa parte do petróleo do Golfo —, trouxe demanda adicional ao Brasil ao longo deste ano, inclusive de compradores chineses. Com rotas menos previsíveis no Oriente Médio, a oferta brasileira tende a ganhar espaço na disputa por clientes.
Esse componente é o mais volátil da equação. Um arrefecimento do conflito ou uma reabertura mais fluida das rotas do Golfo mexe nos preços internacionais e, por consequência, no valor médio da tonelada exportada pelo país.
Agenda: agosto na ANP e o fechamento da Secex
Restam três dias úteis para a Secex confirmar se o país derruba a marca de 11 milhões de toneladas. Na primeira semana de outubro, a ANP divulga os dados de produção de agosto, referência para avaliar se o recorde de embarques se sustenta em oferta igualmente forte.
A combinação de volume próximo do topo histórico com preço médio 26,1% maior na comparação anual tende a manter o petróleo entre os principais sustentáculos do saldo comercial brasileiro — variável que interessa diretamente a quem acompanha câmbio e resultados de companhias exportadoras do setor.
