Principais pontos
- As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, com queda de 9,7% sobre igual período de 2025.
- Em agosto, o valor embarcado cresceu 12,1% na comparação anual, mas a quantidade despencou 17,3%.
- A indústria de transformação, responsável por 83,3% das vendas ao mercado norte-americano, recuou 4,9% e anotou a primeira retração desde 2020.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, com queda de 9,7% sobre igual período de 2025. O levantamento é do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) com base no Comexstat (sistema oficial brasileiro de estatísticas de comércio exterior). A perda de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas deixou o fluxo no menor patamar para o período desde 2023, reflexo direto da política tarifária agressiva adotada por Washington.
A leitura que interessa a quem acompanha risco externo está no detalhe de agosto. Em agosto, o valor embarcado cresceu 12,1% na comparação anual, mas a quantidade despencou 17,3%. O volume ficou no nível mais baixo para um mês de agosto desde 2021. O avanço em dólares foi sustentado por preços médios mais elevados, e não por ampliação de embarques, o que altera a interpretação sobre o fôlego da demanda norte-americana.
Por que a alta de agosto em valor não indica recuperação
Segundo a fonte, a comparação de agosto ocorre sobre uma base já deprimida pelas tarifas adicionais de 40% e 50% aplicadas pelos Estados Unidos a partir de agosto do ano passado. Mesmo com o resultado positivo em valor no mês, os produtos hoje sujeitos às sobretaxas (alíquotas extras cobradas sobre o imposto de importação) mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%.
A Amcham informou que itens como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café chegaram a registrar altas relevantes em quantidade em agosto, o que ajudou a sustentar os preços médios. Ainda assim, o recuo generalizado no volume embarcado prevaleceu.
Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral — Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil
A declaração, segundo a fonte, resume um comércio bilateral em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações.
Sobretaxa maior, queda maior: o recorte que separa os mais atingidos
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações dos produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% encolheram 29,1%, ao passar de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. A retração desse grupo foi muito superior à média: considerando todos os bens com sobretaxas, a queda foi de 11,4%, para US$ 11,0 bilhões, enquanto os bens sem sobretaxa recuaram 8,3%, para US$ 13,1 bilhões.
Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas ao mercado norte-americano no acumulado do ano. As retrações mais intensas foram as de madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).
| Métrica Jan.-Ago. 2026 | Valor |
|---|---|
| Exportações Brasil → EUA | US$ 24,1 bilhões (-9,7%) |
| Importações EUA → Brasil | US$ 27,3 bilhões (-8,6%) |
| Déficit brasileiro | US$ 3,2 bilhões |
| Bens sem sobretaxa | US$ 13,1 bilhões (-8,3%) |
| Bens com sobretaxa | US$ 11,0 bilhões (-11,4%) |
| Produtos com sobretaxas de 25%-37,5% | US$ 3,6 bilhões (-29,1%) |
Estados Unidos para trás, resto do mundo para frente
A indústria de transformação, responsável por 83,3% das vendas ao mercado norte-americano, recuou 4,9% e anotou a primeira retração desde 2020. A indústria de transformação (segmento que converte matérias-primas em bens industrializados) manteve os Estados Unidos como principal destino das exportações industriais brasileiras, com 15,5% do total, apesar do recuo.
O contraste geográfico é marcante. Entre janeiro e agosto, as vendas da indústria de transformação aos Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo cresceram 6,6%. Na indústria extrativa (extração de minérios, petróleo e outros recursos naturais), os embarques para os Estados Unidos recuaram 28,9%, enquanto avançaram 19,6% para os demais mercados. Na agropecuária, os embarques para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o resto do mundo.
Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda. Em quatro deles, a retração no mercado norte-americano ocorreu em contraste com o crescimento das vendas para o restante do mundo: petróleo bruto (-31,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%). Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração, com alta de 1,1% nas compras brasileiras de produtos norte-americanos. No acumulado, porém, as importações seguem em queda, em US$ 27,3 bilhões (-8,6%), o que resulta em déficit brasileiro de US$ 3,2 bilhões.
