O que a BrasilAgro informou

Em fato relevante divulgado em 3 de novembro de 2026, a BrasilAgro (B3: AGRO3; NYSE: LND) atualizou as estimativas das operações agrícolas para o ano-safra 2026/2027. A área total projetada é de 164.664 hectares, em linha com a estimativa divulgada no 4T26 e 1% abaixo da safra 2025/26.

A produção estimada de grãos e algodão é de 439,3 mil toneladas, redução de 3% em relação à estimativa inicial e crescimento de 3% em comparação à safra anterior, segundo o comunicado.

Ficha do evento

| Item | Dado | | Área total 26/27 | 164.664 ha | | Produção de grãos e algodão | 439,3 mil t | | Área de milho 1ª safra | -15% | | Área de milho safrinha | -5% | | Cana revisada para 2026 | 2,06 mi t | | Data do fato relevante | 03/11/2026 |

Milho perde espaço e soja avança

A revisão do plano de plantio é o centro do documento. A área de milho de primeira safra cai 15%, concentrada no Mato Grosso, e a de milho safrinha recua 5%. Na direção oposta, a soja cresce 1% e a área de outras culturas, que inclui o plantio de cobertura, avança 8%.

Segundo a companhia, a ausência de recuperação dos preços do milho levou parte das áreas de menor aptidão para a cultura a ser destinada a pousio e ao plantio de cobertura. Em outras áreas, a melhora dos preços da soja tornou a cultura mais rentável que o milho. A empresa afirma que a revisão mantém a alocação seletiva das áreas definida para a safra 26/27, priorizando culturas e regiões com melhor relação entre risco e retorno.

Produção por cultura

  • Soja: 261,2 mil toneladas, aumento de 1% em relação à projeção inicial.
  • Milho de primeira safra: 73,1 mil toneladas, redução de 14%, principalmente em função da menor área plantada.
  • Milho safrinha: 92,6 mil toneladas, redução de 4%.

Cana-de-açúcar: colheita atrasada e projeção cortada

A colheita da safra 2026 de cana-de-açúcar segue impactada pelas condições climáticas e pelo ritmo de moagem das usinas. Até 30 de setembro de 2026, foram colhidas 1,2 milhão de toneladas, com TCH de 75,86, em comparação a 1,6 milhão de toneladas e TCH de 69,46 no mesmo período da safra anterior.

No Maranhão, o menor ritmo de moagem das usinas atrasou a colheita e levou à postergação de aproximadamente 175 mil toneladas de cana para o próximo trimestre. Diante desse cenário, a companhia revisou a projeção de produção da safra 2026 para 2,06 milhões de toneladas, com TCH estimado em 77,05, em comparação à estimativa inicial de 2,18 milhões de toneladas e TCH de 79,51.

Pecuária e custos

O documento ressalta que os primeiros meses de cada safra registram historicamente ganho de peso mais baixo, em função da distribuição do regime de chuvas e da oferta de pastagens. A companhia também alerta que as estimativas são dados hipotéticos e não constituem promessa de desempenho.

O que muda para investidores

  • O comunicado é uma atualização operacional: não traz dividendos, JCP, data-com ou convocação de assembleia.
  • O corte na área de milho reduz a exposição à cultura cujo preço não se recuperou, mas também diminui o volume total projetado de grãos.
  • A produção total de grãos e algodão cai 3% frente à estimativa inicial, ainda que cresça 3% sobre a safra anterior.
  • A revisão da cana para 2,06 milhões de toneladas adiciona um ajuste negativo de curto prazo nessa frente, ligado ao ritmo de moagem no Maranhão.

As estimativas, conforme o próprio documento, são hipotéticas e não representam garantia de desempenho futuro.