A Companhia Brasileira de Distribuição (GPA) informou que a Justiça homologou seu plano de recuperação extrajudicial. Segundo o fato relevante divulgado pela companhia, a decisão é da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo, em documento datado de 7 de outubro de 2026.

Homologação e alcance do plano

O plano foi apresentado em 5 de maio de 2026 e homologado nos autos do processo nº 4036772-74.2026.8.26.0100, com base nos artigos 164, § 5º, e 165 da Lei nº 11.101/2005 (LFR).

Ele abrange os créditos quirografários não relacionados a operações correntes de fornecimento de produtos, mercadorias, prestação de serviços ou aluguéis, chamados no documento de Créditos Sujeitos.

ItemDado informado no fato relevante
Créditos abrangidosR$ 4,568 bilhões
Adesão de credores57,49% dos Créditos Sujeitos
Base legalArts. 164, § 5º, e 165 da Lei nº 11.101/2005 (LFR)
Processonº 4036772-74.2026.8.26.0100
Captação prevista (Novos Recursos)R$ 200 milhões
Formas de pagamentoTrês opções, eleitas pelos credores

Adesão de credores e novação

De acordo com o comunicado, os Créditos Sujeitos somam R$ 4,568 bilhões e a companhia obteve a adesão de credores titulares de 57,49% desse total — percentual que, segundo o documento, supera a maioria exigida pelo art. 163, caput, da LFR.

Com a homologação, informa o GPA, os Créditos Sujeitos são considerados novados e passam a ser pagos por uma das três opções de pagamento eleitas pelos credores, nos termos dos arts. 59 e 164, § 5º, da LFR. Novação, em resumo, é quando a dívida original é substituída por uma nova obrigação, com novas condições.

Reestruturação e novos recursos

O documento afirma que a reestruturação do passivo quirografário não corrente inclui, mas não se limita a, a emissão das Novas Debêntures e a captação dos Novos Recursos, previstos no plano.

A companhia declarou que dará sequência aos atos necessários à implementação do plano, entre eles a celebração dos instrumentos relativos aos Novos Recursos, com captação de R$ 200 milhões, e dos instrumentos relativos aos Créditos Sujeitos.

Ainda segundo o fato relevante, a medida está alinhada ao redimensionamento da estrutura de capital da companhia, dá continuidade às operações de forma sustentável e "deverá impactar positivamente o serviço da dívida e liquidez de curto prazo".

Este evento representa mais um passo importante para readequação dos passivos e a sustentabilidade do GPA.

O que muda para investidores

  • Os Créditos Sujeitos passam a ser considerados novados após a homologação, com pagamento por uma das três opções eleitas pelos credores.
  • A companhia afirma que suas operações seguem normais e que está em dia com obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial.
  • O plano e os documentos pertinentes permanecem disponíveis no site de relações com investidores da companhia e no sistema Empresas.NET da CVM, conforme a regulamentação aplicável.
  • O comunicado foi prestado com base no art. 157, § 4º, da Lei nº 6.404/76 e na Resolução CVM nº 44/21, em complemento a fatos relevantes divulgados em 10 de março, 5 de maio e 12 de agosto de 2026.

Próximos passos

O fato relevante não detalha datas de assembleia, pagamento ou data-ex. O documento informa apenas que a companhia seguirá com os atos de implementação do plano, incluindo a celebração dos instrumentos relacionados aos Novos Recursos e aos Créditos Sujeitos.

O GPA afirma que manterá acionistas e mercado informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes a respeito do tema, nos termos exigidos pela regulamentação. O comunicado é assinado por Inácio Reis Caminha, diretor de Relações com Investidores e Serviços Financeiros.