Principais pontos

  • A proposta prevê redução de R$ 160 milhões no capital social, sem cancelamento de ações e sem distribuição de caixa aos acionistas.
  • A administração afirma que opera sob modelo asset light, sem endividamento, com capex imaterial e sem necessidade estrutural de capital de giro.
  • Se aprovada em assembleia, a efetivação depende do prazo de 60 dias para oposição de credores após publicação da ata.

O Méliuz (CASH3) propõe cortar R$ 160 milhões do capital social por considerar o valor excessivo e transformar o montante em reserva de capital, sem pagar nada em dinheiro aos acionistas.

Segundo o fato relevante divulgado em 4 de setembro de 2026, o Conselho de Administração do Méliuz S.A. (B3: CASH3 | OTCQX: MLIZY) aprovou a proposta e a convocação de Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre o tema.

A proposta prevê redução de R$ 160 milhões no capital social, sem cancelamento de ações e sem distribuição de caixa aos acionistas.

O que a Méliuz propôs

A companhia informou dois encaminhamentos aprovados pelo Conselho:

  • redução do capital social em R$ 160 milhões sem distribuição de caixa, por ser considerado excessivo, sem cancelamento de ações;
  • constituição de reserva de capital em mesmo montante, com consequente alteração do Estatuto Social;
  • convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a proposta e outros temas.

Na prática, a operação não altera a quantidade de ações em circulação. O número de papéis permanece o mesmo, muda apenas a distribuição contábil entre capital social e reserva de capital.

O edital de convocação e a Proposta da Administração para a AGE foram divulgados nos canais da companhia e da CVM, segundo o comunicado assinado pelo diretor de Relações com Investidores, Marcio Loures Penna.

Por que a redução, segundo a companhia

A administração afirma que opera sob modelo asset light, sem endividamento, com capex imaterial e sem necessidade estrutural de capital de giro.

Com base no balanço do segundo trimestre de 2026, a companhia informou que o capital social atual supera o capital exigido pela operação e pelas necessidades operacionais e estratégicas de curto e médio prazo, mesmo considerando o saldo de prejuízos acumulados do período.

A administração afirma ainda que manter o valor atual onera a estrutura de capital sem contrapartida em retorno. Por isso, propõe destinar os recursos à reserva de capital para uso nas finalidades previstas no art. 200 da Lei nº 6.404/1976.

A Administração entende que a manutenção do atual valor do capital social onera a estrutura de capital da Companhia, sem contrapartida em retorno.

O que muda para investidores

Para os acionistas, a companhia informou que não haverá pagamento em dinheiro nem cancelamento de ações. A proposta cria uma reserva de capital de R$ 160 milhões.

Reserva de capital é uma conta do patrimônio líquido que pode ser usada apenas para finalidades específicas previstas em lei, como absorção de prejuízos ou incorporação ao capital.

Próximos passos formais

Se aprovada em assembleia, a efetivação depende do prazo de 60 dias para oposição de credores após publicação da ata.

Esse prazo de 60 dias contados da publicação da ata está previsto no artigo 174 da Lei das S.A., conforme citado no fato relevante. Só após seu decurso a redução pode ser efetivada.

A companhia se comprometeu a manter acionistas e mercado informados sobre o andamento do tema.