A Paranapanema S.A. – Em Recuperação Judicial (B3: PMAM3) informou que, em 30 de setembro de 2026, foram integralmente implementadas todas as condições suspensivas e realizados todos os pagamentos previstos no Instrumento de Transação celebrado em 8 de maio de 2026 com os credores do Acordo Global. Com isso, a companhia liquida de forma definitiva uma dívida histórica de R$ 4,27 bilhões (Dívida Total apurada em 31 de janeiro de 2026).
Segundo o fato relevante divulgado, a operação representa a extinção de cerca de 92,3% do endividamento total, com desembolso de apenas R$ 100 milhões em recursos novos pela companhia.
O que foi pago aos credores
A transação, aditada em 29 de junho e 30 de julho de 2026, transferiu aos credores três itens:
| Item transferido | Valor aproximado |
|---|---|
| Saldo da conta vinculada | R$ 41,0 milhões |
| Saldo judicial decorrente da cessão anterior de direitos creditórios | R$ 185,3 milhões |
| Pagamento em dinheiro (realizado na data) | R$ 100,0 milhões |
O pagamento em dinheiro foi feito com recursos provenientes da 11ª emissão de debêntures conversíveis da companhia.
Como a dívida foi reduzida
Com a conclusão da transação:
- Foram extintos aproximadamente R$ 3,94 bilhões da Dívida Total, o equivalente a cerca de 92,3% do total, devolvendo à companhia a plena disponibilidade de seus ativos operacionais e não operacionais;
- O saldo remanescente, de R$ 327,4 milhões ("Dívida Remanescente"), será satisfeito exclusivamente com os recursos obtidos com a monetização de 9 (nove) direitos creditórios judiciais de titularidade da companhia e de sua controlada CDPC, no prazo de 36 (trinta e seis) meses, sem comprometimento do caixa operacional.
O documento ressalta que, ao término desse prazo, a Dívida Remanescente será extinta, ainda que não integralmente recebida, com a outorga de quitação integral e a resolução de pleno direito do Acordo Global e de todos os seus instrumentos acessórios.
Histórico e desafios superados
O Acordo Global foi celebrado inicialmente em 8 de agosto de 2017 entre a companhia e seus principais credores financeiros, com aditivos em dezembro de 2021 e março de 2022, e cronograma de pagamentos até 2028.
De acordo com o fato relevante, as premissas que sustentavam aquela reestruturação — manutenção do crédito junto a fornecedores tradings e venda de ativos não operacionais em prazo determinado — não se concretizaram. A companhia perdeu acesso a capital de giro, deixou de pagar as parcelas semestrais a partir de dezembro de 2022, ajuizou pedido de recuperação judicial em 30 de novembro de 2022 e, em 17 de abril de 2024, foi notificada do vencimento antecipado da dívida. Em 8 de outubro de 2025, a Cargill ajuizou ação de execução visando à excussão das garantias.
Foi nesse cenário, com patrimônio líquido negativo de R$ 7,5 bilhões em 31 de dezembro de 2025, que a Diretoria conduziu, ao longo de 2026, negociação simultânea com 11 credores nacionais e internacionais, entre eles Cargill, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, BNP Paribas, Bank of China, ING, Scotiabank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Zion e BPS.
Outros acordos de desalavancagem em 2026
A conclusão da transação soma-se a outros acordos celebrados pela companhia no exercício que, em conjunto, promoveram a liquidação de mais de R$ 5,1 bilhões em passivos:
- Fundo BS – quitação de R$ 849,7 milhões;
- AXIA Energia – quitação de R$ 68,1 milhões;
- Banrisul – quitação de R$ 48,0 milhões.
A companhia esclareceu que os efeitos contábeis da transação e dos demais acordos não estão refletidos nas informações trimestrais de 30 de junho de 2026 e serão reconhecidos nas demonstrações financeiras dos períodos em que se tornarem eficazes, observadas as normas contábeis aplicáveis.
Evolução operacional no 2º trimestre de 2026
Paralelamente à reestruturação do passivo, a companhia apresentou no 2T26 recuperação de indicadores operacionais em comparação ao 2T25:
- Receita líquida de R$ 169,2 milhões, alta de 18,6% (R$ 142,7 milhões no 2T25) e de 18,8% em relação ao 1T26;
- Lucro bruto ajustado pela ociosidade de R$ 30,0 milhões, alta de 96%, com margem de 17,8%;
- Redução de 20% nos custos fixos de ociosidade, para R$ 66,4 milhões (R$ 83,1 milhões no 2T25);
- EBIT positivo de R$ 47,2 milhões, o primeiro em 5 anos, e EBITDA de R$ 68,9 milhões, frente a EBIT negativo de R$ 105,1 milhões e EBITDA negativo de R$ 79,6 milhões no 2T25. Os resultados incluem a reversão não recorrente de provisão para contingência no montante de R$ 100,5 milhões.
O documento destaca que a Eluma é a base operacional e geradora de receita da companhia, onde o cobre refinado e a sucata são transformados em vergalhões, fios, laminados, barras, tubos e conexões que abastecem a indústria nacional nos setores de energia, construção civil, refrigeração e automotivo.
O que muda para investidores
O fato relevante comunica evento relevante de reestruturação de passivos. Os pontos que o próprio documento destaca são:
- A extinção de R$ 3,94 bilhões em dívida, com desembolso de R$ 100 milhões em recursos novos;
- A existência de um saldo remanescente de R$ 327,4 milhões, condicionado à monetização de créditos judiciais em até 36 meses, sem uso de caixa operacional;
- A informação de que os efeitos contábeis ainda não estão refletidos nas informações trimestrais de 30 de junho de 2026.
O documento não traz projeções sobre o resultado final da reestruturação nem estimativas de impacto futuro sobre o balanço — os efeitos serão reconhecidos quando se tornarem eficazes, segundo a companhia.
Recuperação judicial segue em curso
A companhia ressalta, no próprio comunicado, que a recuperação judicial permanece em curso e que o equacionamento integral de sua estrutura de capital ainda envolve desafios, os quais a administração seguirá enfrentando "com a mesma disciplina, transparência e determinação".
A Paranapanema pode completar a cadeia do cobre no Brasil, gerando empregos, arrecadação e valor para a indústria nacional.
O documento afirma ainda que a companhia manterá acionistas e o mercado devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes. O fato relevante é assinado por Marcelo Vaz Bonini, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, em Dias D'Ávila (BA).
