NY abre sem direção firme e mercado precifica pausa em outubro e alta em dezembro
As bolsas de Nova York abriram a semana sem direção firme nesta segunda-feira (12), com o Dow Jones a +0,40%, o S&P 500 a +0,06% e o Nasdaq a -0,15% por volta das 10h35 de Brasília. A aposta que sustenta o humor do mercado está nos juros: a ferramenta FedWatch, da CME, aponta 81% de chance de o Federal Reserve manter a taxa em outubro e perto de 88% de probabilidade de uma nova alta em dezembro.
O mercado, portanto, não trabalha com o encerramento do ciclo de aperto, e sim com uma pausa. A elevação de meados do mês passado foi a primeira em mais de três anos, e os preços seguem sinalizando mais um aumento até o fim do ano. Para quem investe no Brasil, esse caminho importa porque tende a influenciar o dólar e o apetite global por risco — variáveis que, historicamente, costumam transbordar para o fluxo em mercados emergentes e para a curva de juros doméstica.
| Reunião do Fed | Cenário majoritário | Probabilidade |
|---|---|---|
| Outubro | Manter juros | ~81% |
| Dezembro | Nova alta | ~88% |
Balanços de JPMorgan, Citigroup e Bank of America abrem a temporada
A agenda ganha peso já na terça-feira (13), quando JPMorgan, Citigroup e Bank of America divulgam os resultados do terceiro trimestre. Os números dos grandes bancos funcionam como termômetro do crédito e do consumo americanos e costumam orientar o tom do restante da temporada de balanços. Nesta segunda, o feriado do Dia de Colombo mantém o mercado de Treasuries fechado, o que tende a reduzir a liquidez e reforçar a cautela.
CPI de quarta-feira reancora as apostas sobre o Fed
O dado mais sensível da semana sai na quarta-feira (14): o índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, leitura que mede a inflação ao consumidor americano. O número pode mexer diretamente nas probabilidades que o FedWatch atribui para dezembro. Ainda nesta segunda, a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, faz um discurso que o mercado acompanha em busca de pistas sobre o ritmo do aperto.
Petróleo sobe 2% após acordo envolvendo diesel russo
O petróleo segue no radar depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo para compra de diesel russo. Ele afirmou ainda que Rússia e Ucrânia teriam concordado em suspender ataques a infraestruturas energéticas, sem detalhar os termos. No horário citado, o WTI avançava 2%, revertendo as perdas registradas na madrugada.
Iren salta 4,4% com acordo com a Anthropic; chips recuam
No pré-mercado de Nova York, as ações da Iren subiam 4,4% após a empresa de computação em nuvem fechar um acordo com a Anthropic. Do outro lado, papéis de semicondutores perdiam terreno: Micron (-2%), Marvell (-0,7%) e Intel (-1,5%) recuavam na esteira de relatos de que a chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT) avançou no desenvolvimento de um novo chip de memória com maior capacidade de armazenamento.
Três gatilhos concentram a atenção do investidor até quarta-feira: os balanços dos grandes bancos, o CPI americano e o discurso de Hammack. Qualquer surpresa em um deles tende a redesenhar a probabilidade de alta do Fed em dezembro, hoje perto de 88%. A calma aparente das bolsas americanas nesta segunda-feira, assim, pode ter vida curta.
