Sete fundos imobiliários depositam rendimentos aos cotistas nesta quarta-feira, 14 de outubro, e o maior valor unitário da lista é o do KNCR11, de R$ 1,13 por cota. O retorno mais robusto dos últimos 12 meses, no entanto, pertence a outro fundo: o VCJR11, com 16,14% acumulados na janela. O crédito é automático, dispensa qualquer providência de quem tem posição e chega à conta da corretora em que o CPF está registrado.

Os sete pagamentos compartilham a mesma data com — 30 de setembro de 2026 —, marco que definiu quem tinha direito ao provento, e tomam setembro como período de referência.

Os sete créditos de outubro, fundo por fundo

FundoValor por cota (R$)DY de setembroDY 12 mesesAcumulado em 2026 (R$)
KNCR111,131,08%13,25%11,48
KNHY110,700,71%12,60%10,41
VCJR110,751,01%16,14%10,20
RPRI110,650,82%14,02%9,35
KNIP110,600,64%10,81%8,77
KCRE110,070,79%12,87%0,98
KNSC110,080,88%12,43%0,95

Os totais já distribuídos em 2026 dividem a lista em dois blocos bem separados. Cinco fundos — KNCR11 (R$ 11,48), KNHY11 (R$ 10,41), VCJR11 (R$ 10,20), RPRI11 (R$ 9,35) e KNIP11 (R$ 8,77) — acumulam somas de dois dígitos por cota. KCRE11 e KNSC11 seguem abaixo de R$ 1 no ano, com R$ 0,98 e R$ 0,95. A distância de escala acompanha, em boa medida, o preço unitário de cada cota, e reforça por que o percentual é a régua mais adequada para comparar carteiras diferentes.

R$ 1,13 em reais, 16,14% em percentual

O ranking do mês e o ranking de 12 meses não apontam para o mesmo fundo, e a inversão tem explicação aritmética. O dividend yield traduz o provento em proporção do preço da cota; quanto mais caro o papel, menor o percentual gerado por um mesmo valor pago. É o caso do KNCR11, cujo repasse de R$ 1,13 equivale a 1,08% — o DY mensal mais alto do grupo, mas um número que, repetido ao longo de um ano, não alcança a média de 12 meses do VCJR11.

O KNIP11 ajuda a entender a lógica por outro ângulo: mesmo com R$ 0,60 por cota, ele aparece com o menor retorno de 12 meses entre os sete, de 10,81%. Na ponta oposta, VCJR11 e RPRI11 entregam os maiores percentuais do grupo, com 16,14% e 14,02% respectivamente.

A regra dos 95% e a isenção que sustentam o fluxo

O calendário cheio desta quarta não é escolha dos gestores. A legislação obriga os FIIs a destinar ao menos 95% do resultado financeiro apurado no semestre aos cotistas, e o setor consolidou a prática de fracionar esses repasses mês a mês. Quem investe como pessoa física não paga Imposto de Renda sobre os rendimentos de fundos imobiliários — um dos atrativos centrais de quem monta posição pensando em caixa recorrente, e não em ganho de capital.

Um administrador, seis carteiras de crédito

Há um traço comum a todos os sete tickers da lista: a administração é da Intrag. Seis deles — KNCR11, KNHY11, KNIP11, KNSC11, RPRI11 e VCJR11 — são fundos de papel, categoria que aplica em títulos de crédito em vez de imóveis físicos. O KCRE11 é o único classificado como fundo misto.

A idade das carteiras também varia bastante. O KNCR11 é o mais antigo, constituído em novembro de 2012, seguido por KNIP11 (setembro de 2016), KNHY11 (julho de 2018), VCJR11 (outubro de 2019) e KNSC11 (outubro de 2020). Os dois mais jovens, KCRE11 e RPRI11, surgiram em 2022, em janeiro e fevereiro, respectivamente.

Para o investidor, a combinação de um administrador único com a predominância de carteiras de crédito indica que a diversificação sugerida por sete tickers tende a ser menor do que aparenta. Eventos de inadimplência ou de reprecificação de títulos que lastreiam esses fundos costumam atingir mais de um pagamento ao mesmo tempo, o que torna a análise da carteira — e não apenas do calendário de proventos — a parte decisiva da decisão.

Vale considerar ainda que o intervalo entre a data com e o depósito cria um descasamento natural de caixa para quem organiza o orçamento com base nesses créditos. Perfil de risco, objetivos e reserva de emergência continuam sendo o ponto de partida antes de qualquer aporte, e não a lista de pagamentos de um único dia.