O Grupo Fleury (FLRY3) registrou lucro líquido de R$ 264,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, avanço de 42,9% sobre o mesmo intervalo do ano passado, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (5). O Ebitda, medida do resultado operacional antes de juros, tributos, depreciação e amortização, alcançou R$ 672,2 milhões, contra R$ 599,4 milhões um ano antes.

O número que melhor resume a tese aparece longe da primeira linha do balanço: o retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) marcou 18,7% entre julho e setembro, 470 pontos-base acima do verificado no segundo trimestre de 2023 — ponto-base é o centésimo de um ponto percentual. Foi exatamente no período encerrado naquele trimestre que a companhia concluiu a transação com o Instituto Hermes Pardini.

Lucro de 42,9% sobre um Ebitda de 12,2%

Métrica3º tri de 2026Leitura
Lucro líquidoR$ 264,3 mi+42,9% ano a ano
EbitdaR$ 672,2 mi+12,2% (R$ 599,4 mi antes)
Margem Ebitda27,1%-31 pontos-base
ROIC18,7%+470 pontos-base vs. 2º tri de 2023
Alavancagem1,0xestável vs. 2º tri de 2026 e 3º tri de 2025
Lucro em nove mesesnão divulgado em reais+36%

A distância entre os dois percentuais é o primeiro ponto de atenção. O lucro avançou quase quatro vezes mais que o Ebitda, diferença que costuma nascer abaixo da linha operacional — resultado financeiro, efeitos de base de comparação — e não de ganho de produtividade. A margem Ebitda recuou 31 pontos-base, para 27,1%, o que reforça a leitura de que a operação cresceu em ritmo mais modesto do que o lucro final sugere.

ROIC de 18,7% e a conta da compra do Pardini

Na avaliação da administração, a evolução do ROIC mostra que as aquisições fechadas pela Fleury vêm sendo transformadas em geração de valor, combinando integração das operações, captura de sinergias e disciplina na alocação de capital.

Para quem acompanha FLRY3, esse é o indicador que responde à pergunta mais antiga da tese: o capital comprometido na expansão por compras rende o suficiente para superar o custo desse capital? Um ROIC de 18,7% em ambiente de juro elevado tende a ser lido como sinal favorável nessa comparação, ainda que o indicador isolado não feche a conta — ele não informa, por si, qual é o custo da dívida da companhia.

Dívida de 1,0x Ebitda com juro alto

A alavancagem — relação entre dívida líquida e Ebitda, que indica quantos anos de geração operacional seriam necessários para quitar o endividamento — terminou o trimestre em 1,0x, repetindo o patamar do segundo trimestre de 2026 e do terceiro trimestre de 2025. A presidente Jeane Tsutsui afirmou que sustentar esse nível num período de juros elevados é um feito a ser valorizado pela companhia.

A estabilidade do múltiplo em três bases de comparação distintas sugere que o salto do lucro não vem sendo financiado por dívida adicional. Em um setor de capital intensivo, como o de diagnóstico, essa contenção tende a reduzir o risco de a despesa financeira corroer o resultado justamente quando o custo do crédito está caro.

B2C: Minas Gerais à frente, com 16,4%

O modelo B2C (venda direta ao consumidor final) cresceu 14,1%, sendo 9,3% vindos de expansão orgânica, sem o efeito de aquisições. Minas Gerais liderou o avanço, com 16,4%, seguido pelo Rio de Janeiro (8,9%); as demais praças somaram 6,4%.

Tsutsui atribuiu o desempenho à ampliação da estrutura de atendimento e do portfólio de exames, com reforço no serviço móvel e nas áreas produtivas, além do investimento contínuo em capacidade técnica. Como a maior parte do crescimento (9,3 dos 14,1 pontos) saiu de operação própria, e não de compras, o avanço tende a ser mais dependente de execução interna do que de novas transações.

O que observar

  • A sustentação da margem Ebitda de 27,1% é o teste mais direto: sem ela, o crescimento de receita perde eficiência.
  • O ROIC precisa seguir acima do patamar de 2023 para sustentar a narrativa de integração bem-sucedida das aquisições.
  • A alavancagem de 1,0x é a folga que a companhia tem para atravessar um ciclo de crédito caro sem pressionar o caixa.
  • O lucro acumulado em nove meses de 2026 cresceu 36%, número que dá a dimensão do desafio de comparação no quarto trimestre.