O FMOF11 confirmou a segunda amortização parcial ligada à alienação do Edifício Memorial Office Building: R$ 19,00 por cota, num total de R$ 9,652 milhões, com crédito marcado para 16 de outubro de 2026. A data de corte ficou em 21 de setembro — uma segunda-feira —, e só entra no rateio quem tinha cotas na carteira nesse dia.
Amortização não é dividendo. Enquanto o rendimento mensal dos fundos imobiliários chega isento para quem cumpre os requisitos legais, a devolução de principal segue outro caminho na Receita Federal. Essa diferença, somada ao prazo de documentação, concentra o que o cotista do fundo precisa resolver nos próximos dias.
Amortização não é dividendo: onde entra o Imposto de Renda
Parte do valor creditado pode chegar com desconto. O FMOF11 informa que há cenário de retenção de 20% de Imposto de Renda na fonte, aplicada somente sobre o que exceder o custo de aquisição do investidor. O cálculo olha para a diferença entre os R$ 19,00 por cota e o custo atribuído à fatia do patrimônio que está sendo devolvida.
Para fazer essa conta, o fundo definiu a proporção de 42,19338636% como parcela de principal devolvida. É sobre esse percentual que o cotista aplica o seu custo médio para verificar se existe ganho tributável. Havendo imposto devido, o valor sai descontado do depósito de 16 de outubro — o investidor recebe líquido, sem precisar recolher depois.
Prazo de 8 de outubro: o custo médio que define o IR retido
A apuração com base no custo real depende de o cotista se manifestar. A administradora precisa receber o custo médio de aquisição referente à data de referência, em formulário no modelo disponibilizado pelo fundo, preenchido e assinado, acompanhado dos documentos de identificação exigidos. O prazo termina em 8 de outubro de 2026.
Quem deixa o envio passar não perde o direito ao crédito, mas muda de base de cálculo. Sem a declaração, a administradora usa o menor preço histórico de negociação das cotas na B3 até a data atual, ajustado pela amortização de R$ 20,67 por cota paga em novembro do ano passado. Esse critério alternativo pode resultar em custo de aquisição diferente do real e, com isso, em retenção distinta da que o investidor apuraria com seus próprios números.
A venda do Memorial Office Building e as duas parcelas anunciadas
O anúncio não nasce de sobra de caixa do fundo. A devolução depende de o comprador do imóvel quitar a segunda parcela do preço de venda, com vencimento em 10 de outubro de 2026. O fluxo acompanha o contrato de compra e venda, e o plano foi aprovado pelos cotistas em assembleia geral extraordinária realizada em junho de 2025.
Essa é a segunda etapa do processo. A primeira devolução ocorreu em novembro de 2025, quando os cotistas receberam R$ 20,67 por cota. O valor agora anunciado é inferior ao da etapa anterior — R$ 19,00 contra R$ 20,67 —, diferença que aparece no valor bruto por cota, não em uma mudança de regra do fundo.
Agenda do cotista: as quatro datas do pagamento
| Data | Evento |
|---|---|
| 21/09/2026 | Data de corte: só quem tinha cotas na carteira recebe |
| 08/10/2026 | Prazo final para envio do custo médio de aquisição |
| 10/10/2026 | Vencimento da segunda parcela devida pelo comprador do imóvel |
| 16/10/2026 | Crédito da amortização, com eventual retenção de IR já descontada |
O cotista do FMOF11 acompanha, assim, um evento de caixa com duas frentes distintas: o recebimento em si, atrelado ao calendário do comprador, e a apuração tributária, que depende de documentação enviada dias antes. Amortização devolve capital e reduz o valor investido na posição; o eventual ganho apurado nessa operação passa pela alíquota de 20%, sem a isenção que costuma acompanhar os rendimentos distribuídos pelos fundos imobiliários.
