A Frasle (FRAS3) marcou para 16 de novembro de 2026, às 15h, o leilão na B3 da oferta em que permuta papéis próprios por ações ordinárias da Randoncorp (RAPT3). A operação foi aprovada pela controladora DRAMD Participações e Administração e mira até 21,32 milhões de ON em circulação, com valor de referência de R$ 8,52 por RAPT3 — prêmio de 45,54% sobre a média de 90 pregões encerrada em 15 de maio de 2026. A paridade definida é de 2,7 RAPT3 para cada 1 FRAS3.

O alcance, porém, é estreito por desenho. A oferta mexe apenas na ponta ordinária da Randoncorp, a de menor liquidez, e deixa as preferenciais (RAPT4) fora do leilão. Entre as ON em circulação, pessoas físicas respondem por 5,97%; nas preferenciais, esse mesmo grupo detém 27,30%. A maior parte do capital minoritário pulverizado está, portanto, justamente no papel que a operação não alcança.

Troca de 2,7 por 1: as FRAS3 saem da carteira da DRAMD

Trata-se de uma oferta pública de aquisição (OPA), modalidade em que um acionista propõe comprar ou permutar os papéis dos demais com condições divulgadas antes do leilão — a sessão da B3 em que as ordens de venda e de compra são casadas. A adesão é facultativa. Quem entrega 2,7 RAPT3 recebe 1 FRAS3, e as ações da Frasle repassadas aos aderentes não são novas: já existem e estão hoje com a DRAMD, controladora da companhia. A estrutura começou a ser montada em julho. A Randon afirma que a oferta decorre de uma decisão estratégica da ofertante, na condição de controladora, de adensar seu bloco pela posse de papéis votantes.

O que fica de fora: RAPT4 e o mapa do capital

A operação não é uma oferta para fechar o capital. As preferenciais da Randoncorp — classe sem voto, com prioridade no dividendo e liquidez maior — seguem listadas e intocadas. A composição acionária mostra o tamanho real do público alcançado:

ClasseInvestidorParticipação
ON (RAPT3)Pessoa física5,97%
PN (RAPT4)Pessoa física27,30%
ON (RAPT3)Pessoa jurídica0,11%
ON (RAPT3)Investidor estrangeiro0,03%

O descasamento é evidente: a pessoa física dona de 5,97% das ordinárias em circulação comparece com 27,30% das preferenciais. Somando jurídicas (0,11%) e estrangeiros (0,03%), a ponta ordinária é um mercado de poucos donos — e é só nele que o leilão consegue pescar.

O que muda para quem carrega RAPT3 — e para quem carrega RAPT4

Do lado de quem tem ordinárias, existem dois estados possíveis, e nenhum deles é obrigatório. Aderir significa converter 2,7 RAPT3 em 1 FRAS3 e passar a ser sócio direto da Frasle, trocando exposição à Randoncorp pela exposição à companhia que a controla. Não aderir preserva o papel como está. Do lado de quem tem preferenciais, nada muda na mecânica: a posição continua a mesma, com a OPA correndo em paralelo na outra classe.

O R$ 8,52 por RAPT3 é um valor atribuído para fins regulatórios, calculado sobre a média de 90 pregões com corte em 15 de maio de 2026, acrescida do prêmio de 45,54%. O parâmetro, portanto, olha para uma referência de preço de cinco meses antes do leilão, e não para a cotação do dia. Serve para medir a atratividade econômica da permuta, não funciona como preço garantido de saída.

O que observar até 16 de novembro

O leilão está marcado para as 15h de 16 de novembro de 2026, na B3, e a oferta alcança até 21,32 milhões de ON. Ficam fora da conta as ações da controladora, as dos demais integrantes do bloco de controle — diretos e indiretos — e as dos administradores. O percentual de adesão é o dado que fecha a história: quanto maior a fatia convertida, mais o controlador adensa a base votante da Frasle por meio da DRAMD; quanto menor, mais a iniciativa se resume a um ajuste fino na estrutura de controle. Para quem acompanha os dois papéis, a janela até novembro é essa — e a decisão de aderir ou não segue individual, com efeitos de liquidez e de exposição que variam conforme o caso.