O fundo GARE11 (Guardian Real Estate) fechou contrato para transferir nove imóveis ao FII Riza Renda Imobiliária Master, com valor total de R$ 791,7 milhões, em negócio formalizado em 30 de outubro de 2026. Conforme a fonte, a operação deve render lucro bruto de cerca de R$ 177 milhões e fazer a alavancagem, isto é, o peso das dívidas na estrutura do fundo, tender a recuar cerca de R$ 328 milhões.

O ponto que muda o perfil do fundo está na forma de pagamento. Do total, R$ 632,2 milhões entram como parcela imediata, mas só R$ 382,2 milhões são em dinheiro. Os outros R$ 250 milhões vêm em cotas subordinadas, ou seja, papéis do próprio veículo comprador que ficam atrás das demais cotas na ordem de recebimento.

Como o preço de R$ 791,7 milhões se divide

ComponenteValorForma de recebimento
DinheiroR$ 382,2 milhõesParcela imediata em caixa
Cotas subordinadas do Riza MasterR$ 250 milhõesParcela imediata em cotas do comprador
Financiamento ao vendedorR$ 159,5 milhõesPagos conforme o Riza Master revender os imóveis
TotalR$ 791,7 milhõesSoma das três parcelas

O restante, R$ 159,5 milhões, será pago por meio de financiamento concedido pelo próprio vendedor, modalidade conhecida como sellers finance. Os recursos chegam à medida que o Riza Master revender os imóveis, o que faz o calendário desse valor depender do ritmo de desinvestimento do comprador, e não de uma data fixa.

Calendário em duas etapas e quitação dos CRIs

A liquidação ocorre em duas fases:

  1. Primeira etapa, na primeira quinzena de novembro de 2026: três lojas do Grupo Mateus, em Itabuna (BA) e Maceió (AL), e o ativo logístico da Almanara em Jandira (SP), todos sem ocupação do Grupo Carrefour.
  2. Segunda etapa, a partir de janeiro de 2027: as cinco unidades do Atacadão, do Grupo Carrefour.

Os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários, títulos de dívida lastreados em créditos do setor) ligados a cada imóvel são quitados com o dinheiro da operação à medida que cada etapa for concluída.

Carrefour e Mateus: o que sai de fato e o que ainda não está claro

A saída das três lojas do Grupo Mateus se completa já na primeira etapa, o que retira o fundo dessa rede por completo. A redução da concentração de receitas no Grupo Carrefour, um dos objetivos da gestão, depende da segunda etapa, já que as cinco lojas do Atacadão só deixam o portfólio a partir de 2027.

Pela fonte, a venda também busca reequilibrar a exposição entre renda urbana e logística. O comunicado, no entanto, não informa a composição final do portfólio após as duas fases nem o peso de cada segmento, o que impede medir esse reequilíbrio com os dados divulgados até agora.

Exposição que permanece com o fundo

Vender os imóveis não encerra totalmente a relação do GARE11 com eles. As cotas subordinadas dão direito a participar de eventuais ganhos adicionais por até seis anos, de modo que o fundo segue ligado à valorização futura dos ativos. Isso pode deslocar parte da exposição dos imóveis em si para o desempenho do Riza Master. Para quem acompanha o GARE11, o monitoramento passa a incluir o veículo comprador, e não apenas o contrato de venda.

Alavancagem menor e a aposta em logística

Com a alavancagem reduzida, a gestão afirma que pretende ampliar a capacidade do GARE11 para novas aquisições, com foco no segmento logístico, segundo o comunicado. Em fundos imobiliários, menos dívida tende a abrir espaço para compras sem depender de novas captações, mas o ritmo efetivo dessas aquisições dependerá de quando os recursos e as cotas forem convertidos em caixa.

Datas e números para acompanhar até 2027

  • Novembro de 2026: primeira quinzena, previsão para liquidar a primeira etapa.
  • Janeiro de 2027: início da segunda etapa, com as lojas do Atacadão.
  • Até seis anos: prazo em que as cotas subordinadas podem gerar participação em ganhos adicionais.
  • R$ 159,5 milhões: valor do financiamento ao vendedor, cuja entrada depende da revenda dos imóveis pelo Riza Master.