A Gerdau (GGBR4) fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,52 bilhão, quase 40% acima do registrado um ano antes. O balanço, divulgado em 26 de outubro, escancara de onde veio o fôlego: as operações norte-americanas responderam por mais de 76% do Ebitda consolidado, e a margem da região chegou a 27,7%, o melhor nível em quatro anos.

Na prática, a siderúrgica brasileira passou a depender bem menos do mercado doméstico para gerar caixa. A consequência para quem carrega o papel é direta: o humor da ação tende a acompanhar o preço do aço praticado nos Estados Unidos e o calendário de manutenção das usinas americanas, mais do que a atividade da construção civil no Brasil.

Ebitda de R$ 3,77 bilhões e receita de R$ 18,69 bilhões no consolidado

A receita líquida consolidada somou R$ 18,69 bilhões, alta de 4% em doze meses. O Ebitda ajustado — sigla de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, uma medida do fôlego operacional — alcançou R$ 3,77 bilhões, avanço de 38%. O indicador superou em 3% o que a XP Investimentos projetava, embora o lucro ajustado tenha vindo 9% abaixo da estimativa da casa.

A América do Norte entregou R$ 2,91 bilhões de Ebitda ajustado, 60% mais que no terceiro trimestre de 2025. O preço do aço na região subiu cerca de US$ 70 por tonelada frente ao trimestre anterior, movimento que sustentou a margem de 27,7%.

Indicador no 3T26ValorVariação anual
Lucro líquido ajustadoR$ 1,52 bilhãocerca de +40%
Receita líquida consolidadaR$ 18,69 bilhões+4%
Ebitda ajustado consolidadoR$ 3,77 bilhões+38%
Ebitda América do NorteR$ 2,91 bilhões+60%
Ebitda BrasilR$ 741 milhões-3%
Fluxo de caixa livreR$ 1,44 bilhãoacima do esperado pela XP

Brasil: R$ 741 milhões de Ebitda e receita 10% menor

O mercado doméstico conta outra história. O Ebitda brasileiro somou R$ 741 milhões, 5% acima do trimestre anterior, mas 3% abaixo do terceiro trimestre de 2025. A receita líquida das operações locais recuou 10% em doze meses, pressionada por volumes e pela composição das vendas.

No relatório assinado por Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, a XP projeta margens mais apertadas no Brasil no quarto trimestre. Do lado americano, a expectativa é de rentabilidade relativamente estável, amparada nos preços do aço, mas freada por uma parada de manutenção na unidade de Midlothian.

Dividendos de R$ 0,34 por ação e dívida de 0,6 vez o Ebitda

A operação gerou R$ 1,44 bilhão de fluxo de caixa livre — o caixa que sobra depois dos investimentos de capital —, acima do que a XP esperava. A dívida líquida recuou para cerca de R$ 7,7 bilhões, com alavancagem de 0,6 vez o Ebitda ajustado dos últimos doze meses, faixa que o mercado costuma associar a endividamento moderado.

O conselho aprovou R$ 667 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,34 por ação ordinária ou preferencial. A data de corte é 10 de novembro de 2026: quem estiver posicionado até lá recebe. A partir de 11 de novembro, os papéis passam a ser negociados sem direito ao provento, e o pagamento está marcado para 15 de dezembro.

A XP Investimentos manteve recomendação de compra para GGBR4, com preço-alvo de R$ 30. Sobre a cotação de referência de R$ 24,97 usada no relatório, a casa calcula potencial de valorização de aproximadamente 20%. O banco também aponta a Gerdau como sua principal escolha no universo de mineração e siderurgia, sustentada pela geração de caixa e pela exposição ao mercado americano.

Midlothian e o preço do aço: a agenda do quarto trimestre

A XP cita ainda os projetos de Miguel Burnier, em Minas Gerais, e de Pindamonhangaba, em São Paulo, como iniciativas capazes de contribuir para resultados futuros. A administração da Gerdau marcou videoconferência com investidores para 27 de outubro, às 12h, conforme o calendário de Relações com Investidores.

Com quase quatro quintos do resultado operacional vindo de fora, a leitura que organiza os próximos meses é simples: o desempenho da siderúrgica tende a responder primeiro à evolução das cotações do aço nos Estados Unidos e à parada de Midlothian, e só depois à recuperação de rentabilidade no mercado brasileiro. É esse desequilíbrio — não o lucro de 40% — que separa o trimestre forte do risco estrutural.