O relatório gerencial de setembro do HTMX11, divulgado em outubro, registra R$ 35,55 milhões de resultado acumulado de janeiro a setembro — R$ 12,31 por cota — e dividend yield de 13,62% nos últimos 12 meses, com a cota marcada a R$ 136,47. O detalhe que explica a origem desse rendimento está na composição das receitas: a venda de apartamentos gerou R$ 18,19 milhões em lucros, valor da mesma ordem de grandeza da operação hoteleira, que rendeu R$ 21,83 milhões.

Receitas de R$ 41,46 milhões e despesas de R$ 5,91 milhões

No acumulado do ano, o fundo registrou R$ 41,46 milhões em receitas e R$ 5,91 milhões em despesas, o que resulta no lucro de R$ 35,55 milhões reportado à cota.

Frente de receita (jan–set 2026)Valor
Exploração hoteleiraR$ 21,83 milhões
Venda de apartamentosR$ 18,19 milhões
Aplicações em renda fixaR$ 1,45 milhão

A hotelaria segue como a maior linha de receita, mas a venda de unidades é a que altera o perfil do caixa. Trata-se de uma estratégia de desinvestimento: cada apartamento comercializado gera um ganho que entra uma única vez, e não retorna no mês seguinte. À medida que o estoque encolhe, a parcela do resultado ligada a essa frente tende a perder peso — a menos que a operação dos hotéis cresça na mesma proporção.

643 apartamentos vendidos e 705 ainda em carteira

Em setembro, a única venda registrada foi a de uma unidade no Innside São Paulo Iguatemi. Desde o início do programa de desinvestimento, o fundo já comercializou 643 apartamentos, e no começo de outubro restavam 705 unidades distribuídas em 14 hotéis.

O ritmo mensal de vendas é o dado que dimensiona essa fonte de receita nos próximos balanços. Um mês com apenas um imóvel vendido mostra que o calendário de desmobilização pode se estender por bastante tempo — o que, por um lado, preserva a contribuição recorrente desses ganhos por mais relatórios e, por outro, mantém o fundo exposto ao mercado imobiliário paulistano durante esse período. A velocidade de venda e o preço obtido em cada unidade são os dois fatores que definem quanto essa frente continuará a sustentar o resultado.

Ocupação de 71% e RevPAR de R$ 443 em agosto

O lado operacional traz os números mais favoráveis do documento. Em agosto, a taxa de ocupação alcançou 71%, quatro pontos percentuais acima de agosto de 2025. A diária média subiu para R$ 627, e o RevPAR — receita por quarto disponível, indicador que combina ocupação e preço da diária — chegou a R$ 443, com avanço de 10% em 12 meses.

Indicador operacionalAgosto de 2026Referência
Ocupação71%+4 pontos percentuais vs. agosto/2025
Diária médiaR$ 627—
RevPARR$ 443+10% em 12 meses

A gestão do fundo associa o desempenho à retomada das viagens corporativas e à realização de feiras e eventos na capital paulista, que ampliaram a procura por hospedagem. Esse é o contraponto saudável ao desinvestimento: um RevPAR em alta indica que a operação hoteleira consegue, aos poucos, ocupar o espaço que a venda de apartamentos deixará quando o estoque terminar.

73% dos quartos na Berrini–Chucri Zaidan e 80% operados pela Accor

A carteira é concentrada em dois sentidos. Pelo perfil, 67% dos quartos estão na categoria econômica, 27% em midscale e 7% em upper midscale. Pela localização, 73% das unidades ficam na região Berrini–Chucri Zaidan, em São Paulo. Já a operação está dividida entre Accor (80%) e Estanplaza (20%).

Concentração geográfica e de operador tende a ampliar o efeito de qualquer mudança no ciclo corporativo daquela região: se a demanda por viagens de negócios e eventos desacelerar, o impacto aparece ao mesmo tempo na ocupação, no RevPAR e no interesse pelos apartamentos à venda. A diversificação de categorias ajuda a diluir parte desse risco, mas não elimina a dependência de um único polo econômico da capital.

R$ 1,20 por cota por mês e R$ 11,15 no acumulado

Em julho, agosto e setembro, a distribuição foi de R$ 1,20 por cota em cada mês. No acumulado de janeiro a setembro, os proventos somam R$ 11,15 por cota, diante de R$ 12,31 de resultado por cota no mesmo intervalo. A proximidade entre os dois valores sugere que a política de distribuição acompanhou de perto o caixa gerado — incluindo a parcela que veio do ganho de capital na venda de imóveis, e não apenas da renda operacional.

É esse ponto que merece atenção nos próximos relatórios. O que observar daqui para frente: a velocidade de comercialização das 705 unidades restantes, a sustentação da ocupação e do RevPAR em agosto e nos meses seguintes, e o comportamento do dividendo por cota quando a venda de apartamentos perder peso no resultado. Enquanto o yield de dois dígitos se apoia em duas fontes distintas — uma recorrente, outra finita —, o acompanhamento da transição entre elas vale mais do que o número isolado do mês.