Principais pontos
- A nova tese da Andreessen Horowitz aponta que a inteligência artificial precisa, literalmente, ocupar espaço no mundo real e esbarrar nos limites da física.
- A densidade computacional saltou 28 vezes ao comparar os racks atuais com a próxima geração baseada em arquitetura Rubin.
- A comunicação interna dos data centers está chegando aos limites físicos impostos pelos tradicionais cabos de cobre.
- Startups de hardware já representam mais de 20% do fluxo de negócios analisados pela gestora.
O gargalo físico da inteligência artificial
A transição da inteligência artificial do ambiente de chat para o mundo físico exige uma reengenharia radical da infraestrutura global de tecnologia. Nesta quinta-feira (28), a Andreessen Horowitz (a16z) formalizou essa tese com o lançamento do Machine Age Fund, um veículo de US$ 1,1 bilhão dedicado a resolver os gargalos de hardware, energia e refrigeração que ameaçam travar a próxima onda de data centers, robótica e dispositivos domésticos.
Para os sócios Ben Horowitz, Martin Casado, Raghu Raghuram, David Ulevitch e David George, a IA conquistou o raciocínio, a programação e o conhecimento. O novo desafio, no entanto, é a infraestrutura física. O fundo mira chips, memória, redes e armazenamento. Vale lembrar que a gestora já havia mobilizado US$ 2,2 bilhões recentemente para o setor de criptoativos, demonstrando agressividade na alocação de capital para temas de fronteira tecnológica.
A colisão com a termodinâmica e a cadeia de suprimentos
A a16z identifica que a infraestrutura atual colidiu com limites físicos e computacionais. A nova tese da Andreessen Horowitz aponta que a inteligência artificial precisa, literalmente, ocupar espaço no mundo real e esbarrar nos limites da física. O grande número escondido nos bastidores do Vale do Silício é o salto brutal na densidade de energia e o impacto direto na cadeia de suprimentos global.
A evolução do consumo energético por rack (a estrutura física que abriga os servidores em um data center) ilustra a urgência do problema e a mudança de escala das instalações:
| Cenário | Consumo por Rack | Escala do Data Center |
|---|---|---|
| Geração Anterior | 5 kW a 10 kW | Dezenas de megawatts |
| Sistemas Atuais | 100 kW a 250 kW | Centenas de megawatts |
| Projeção (3 anos) | 1 MW por rack | Campi de gigawatts |
O limite do cobre e a era dos gigawatts
A computação por rack aumentou expressivamente na transição dos chips Nvidia H100 para a próxima geração baseada em arquitetura Rubin. A densidade computacional saltou 28 vezes ao comparar os racks atuais com a próxima geração baseada em arquitetura Rubin. Contudo, a comunicação interna dos data centers está chegando aos limites físicos impostos pelos tradicionais cabos de cobre.
A leitura do mercado é que o sucesso da IA física dependerá de quem conseguir dominar a cadeia de eletricidade, materiais e terrenos. Isso significa que o capital deixará de fluir exclusivamente para linhas de código e passará a financiar pesados projetos de engenharia elétrica, refrigeração e aquisição de terrenos. A tradicional gestora do Vale do Silício entende que o futuro da IA será decidido por quem garantir os insumos físicos necessários, elevando a escala das instalações de dezenas de megawatts para verdadeiros campi na escala de gigawatts.
A aposta estrutural em hardware
A mudança de foco é estrutural para uma firma historicamente ligada ao software. Atualmente, startups de hardware já representam mais de 20% do fluxo de negócios analisados pela gestora. O termo deal flow refere-se ao volume de oportunidades de investimento que a firma avalia diariamente.
Entre as empresas apoiadas recentemente estão Unconventional AI, Nexthop, Volta, Atoms, Heron Power e Mind Robotics, cobrindo desde energia até robótica. O portfólio histórico da gestora já inclui nomes de peso como SpaceX, Anduril, Waymo e Skydio. A máquina de marketing e talentos da gestora agora será direcionada para atender os fundadores dessa nova era de reinvenção do hardware, onde as máquinas e a IA física serão as protagonistas.
