Ibovespa a 187 mil com o VXBR no topo: o que muda antes da eleição

O Ibovespa encerrou a quinta-feira (1º) aos 187.197,46 pontos, com alta de 0,46%, a terceira seguida, e abriu outubro no campo positivo. O pregão acrescentou 857 pontos ao índice, que tocou 187.436,73 pontos na máxima depois de passar boa parte do dia sem direção clara. O movimento veio após a valorização de 1,37% de quarta-feira (30), quando a bolsa fechou em 186.340,46 pontos. O que separa essa alta de um rali confortável aparece no outro lado do tabuleiro: o VXBR, índice de volatilidade da B3 — termômetro que estima, a partir de opções, a oscilação esperada para o mercado —, operou acima dos 32 pontos e perto de máximas históricas. Quem negocia ação brasileira, portanto, comprou risco e pagou por proteção ao mesmo tempo, combinação típica de véspera de evento binário. O primeiro turno está a três dias de distância.

Dólar a R$ 5,220 e DIs em alta mostram onde está a cautela

O dólar comercial ganhou 0,89% e fechou a R$ 5,220, enquanto os DIs — contratos de juros futuros negociados na B3, que funcionam como termômetro da expectativa para a Selic — terminaram o dia em alta. Os dois movimentos apontam na mesma direção: a demanda por hedge, ou proteção, cresceu justamente na sessão em que o índice de ações avançou.

O patamar do VXBR reforça a leitura de que a volatilidade precificada segue elevada.

O que a combinação de sinais indica para quem tem exposição ao Brasil

Índice em alta com volatilidade implícita perto de recorde, dólar subindo e juros futuros em alta não formam contradição: são preços para riscos distintos. A bolsa reflete carteiras ainda posicionadas em ativos locais, enquanto o câmbio e os DIs embutem o prêmio exigido para atravessar um evento cujo resultado só é conhecido no domingo. Em janelas curtas, essas três variáveis tendem a se mover juntas, o que encarece qualquer proteção e reduz a margem de erro de posições alavancadas. A volatilidade implícita costuma recuar depois da definição do pleito, mas o caminho até lá depende do noticiário político e dos indicadores americanos.

Petrobras sobe com o Brent de volta aos US$ 100; Vale inverte o sinal

Petrobras (PETR4) avançou 1,32%, acompanhando a valorização do petróleo no exterior: o Brent retomou o nível de US$ 100 por barril, sob pressão geopolítica no Oriente Médio. A estatal também recebeu apoio dos dados operacionais, com os volumes produzidos no país alcançando o melhor resultado de agosto — o terceiro recorde mensal seguido. Vale (VALE3) subiu 0,56%, recuperando-se de um início de dia negativo, com as cotações do minério paralisadas na China pelo feriado da Golden Week. Os dois papéis estão entre os de maior peso do índice e, juntos, explicam boa parte da sustentação do pregão.

Bancos: um avanço isolado e três quedas

BancoTickerVariação
BradescoBBDC4+0,32%
Banco do BrasilBBAS3-0,22%
Itaú UnibancoITUB4-0,26%
SantanderSANB11-2,96%

O Bradesco foi o único a fechar no azul no grupo. O Santander registrou a maior queda e ficou na ponta negativa do índice, seguido por Itaú Unibanco e Banco do Brasil.

As maiores altas do pregão

EmpresaTickerVariação
Azzas 2154AZZA3+7,02%
AssaíASAI3+2,10%
Magazine LuizaMGLU3+1,47%
PetrobrasPETR4+1,32%
CognaCOGN3+1,29%

A Azzas 2154 (AZZA3) ficou com a maior alta do dia, influenciada pela notícia de propostas recebidas pela Farm Rio.

Wall Street reverte e fecha no azul com alívio nos Treasuries

Os índices americanos viraram depois de abrirem em queda e terminaram com ganhos modestos: Dow Jones em 50.926,56 pontos (+0,04%), S&P 500 em 7.666,45 (+0,19%) e Nasdaq em 26.871,60 (+0,04%). Durante o pregão, o rendimento dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, tocou o maior patamar em mais de duas décadas, o que pesou sobre as ações e reacendeu a preocupação com a inflação nos Estados Unidos. O alívio veio à tarde, quando os juros longos perderam força e dirigentes do Federal Reserve (Fed) ajudaram a reduzir a chance precificada de um novo aperto monetário no encontro de outubro.

O que observar no último pregão antes da votação

A sexta-feira (2) é a última sessão antes do primeiro turno. No Brasil, os investidores acompanham a produção industrial de agosto; nos Estados Unidos, o mercado de trabalho concentra as atenções. Donald Trump declarou que acompanha muito de perto a eleição brasileira, sem manifestar apoio a nenhum candidato. Para quem tem exposição local, o dia tende a ser de ajuste fino de posições, com liquidez e volatilidade sensíveis ao noticiário político das horas finais.