Principais pontos

  • O Ibovespa operava em queda firme na manhã desta segunda-feira (14), recuando 1,48%, aos 184.470 pontos, às 11h20 (horário de Brasília), enquanto o dólar subia 1%, na casa dos R$ 5,17.
  • A previsão é de que o Copom reduza a Selic de 14,00% para 13,75% no dia 16 de setembro, conforme apontaram 48 dos 51 economistas ouvidos entre 8 e 14 de setembro.
  • No Japão, a fabricante de chips de memória Kioxia despencou 9,8% logo na abertura, enquanto a Tokyo Electron, da cadeia de suprimentos de semicondutores, registrou queda de 3,7%.
  • No primeiro turno, Lula mantém a liderança, mas com vantagem menor: manteve os 36% da rodada anterior, enquanto Flávio subiu de 29% para 31%.

O Ibovespa operava em queda firme na manhã desta segunda-feira (14), recuando 1,48%, aos 184.470 pontos, às 11h20 (horário de Brasília), enquanto o dólar subia 1%, na casa dos R$ 5,17. O dia combina três vetores de pressão sobre os mercados globais: o temor renovado com a corrida da inteligência artificial, a alta do petróleo com a guerra no Oriente Médio e a expectativa por duas decisões de juros na mesma quarta-feira — uma nos Estados Unidos, outra no Brasil. No plano doméstico, o noticiário do Supremo Tribunal Federal (STF) e a nova rodada de pesquisas eleitorais completam o cenário de aversão a risco.

A quarta-feira em que Copom e Fed puxam os juros em direções opostas

O evento que tende a concentrar as atenções do investidor no curtíssimo prazo ocorre na quarta-feira. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília), após dois dias de reuniões. A maioria dos economistas consultados pela Reuters projeta alta de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, com sinalização de ao menos mais um aumento até o fim de março.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne no mesmo dia e a projeção é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic — o quinto consecutivo, segundo pesquisa da Reuters com economistas. A taxa básica está em 14,00%, um dos patamares mais altos do mundo entre as principais economias. A previsão é de que o Copom reduza a Selic de 14,00% para 13,75% no dia 16 de setembro, conforme apontaram 48 dos 51 economistas ouvidos entre 8 e 14 de setembro.

Autoridade monetáriaMovimento esperadoTaxa de referência
Fed (EUA)Alta de 0,25 p.p.faixa de 3,75% a 4,00%
Copom (Brasil)Corte de 0,25 p.p., o 5º seguidode 14,00% para 13,75%

A leitura é de divergência de política monetária: enquanto o Fed mantém o aperto, o Banco Central brasileiro segue afrouxando. Esse descasamento tende a influenciar o comportamento do câmbio e das expectativas de inflação, e é justamente o pano de fundo que o investidor precisa precificar. Analistas também estarão atentos à forma como o Copom descreverá a desaceleração econômica, com um alívio recente da inflação que oferece margem de manobra limitada. O comitê deve reforçar uma postura restritiva diante das pressões inflacionárias persistentes.

O gatilho externo: IA, Japão e Nasdaq

Lá fora, o gatilho mais comentado é a reação do mercado após líderes da OpenAI e da Anthropic defenderem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia, para gerenciar riscos e proteger a humanidade. As negociações ligadas à IA impulsionaram boa parte dos ganhos do mercado acionário global desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, mas ataques cibernéticos por agentes de IA e o descontentamento público com a construção de centros de dados ampliaram a oposição ao setor.

O efeito apareceu com força na Ásia. No Japão, a fabricante de chips de memória Kioxia despencou 9,8% logo na abertura, enquanto a Tokyo Electron, da cadeia de suprimentos de semicondutores, registrou queda de 3,7%. O Nasdaq futuro caía mais de 1%, sinalizando pressão sobre as bolsas americanas.

Petróleo a US$ 110 e o minério que derruba a Vale

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã deu novo impulso ao petróleo: o Brent voltou a se aproximar de US$ 110 o barril, reforçando as preocupações com a inflação nas principais economias. Com isso, investidores migraram para ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Na B3, a alta do petróleo sustentava os ganhos das ações ligadas a óleo e gás, mas outras commodities seguiram o caminho oposto. O minério de ferro recuou, as margens das siderúrgicas despencaram e as ações da Vale (VALE3) caíam mais de 2%.

Brasília entra na conta: STF e pesquisas eleitorais

O noticiário político-eleitoral ganhou peso ao longo do pregão. No fim de semana, o presidente do STF, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso será julgado pelo plenário da corte na próxima terça-feira. Fachin também marcou para o dia 23 o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master.

Em outra frente, o ministro Flávio Dino retirou o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nas pesquisas, o levantamento mais recente — Quaest/O Globo, divulgado após a abertura desta segunda — mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% contra 40% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, ainda em empate técnico. Na pesquisa anterior, divulgada uma semana antes, os dois apareciam empatados numericamente com 41%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que mantém o cenário de empate técnico.

No primeiro turno, Lula mantém a liderança, mas com vantagem menor: manteve os 36% da rodada anterior, enquanto Flávio subiu de 29% para 31%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, ante 8%, e nenhum outro candidato ultrapassa a marca de 4%. A Quaest ouviu 2.003 pessoas entre 10 e 13 de setembro. Após a divulgação, às 10h15, o Ibovespa chegou a reduzir as perdas, que logo voltaram a se intensificar.

Na sexta-feira, a pesquisa Datafolha já havia mostrado que a vantagem numérica de Lula sobre Flávio em um eventual segundo turno se manteve. Nesta segunda, o levantamento BTG/Nexus apontou que o presidente ampliou a vantagem sobre o senador no primeiro turno e passou a ter vantagem numérica de 1 ponto percentual no segundo turno, ainda em empate técnico.

O que muda para o investidor

O quadro do dia não se explica por um único fator. A queda do Ibovespa e a alta do dólar refletem a soma de um Fed ainda em modo de aperto, um Copom em ciclo de afrouxamento, um petróleo elevado o suficiente para reacender o debate sobre inflação e um calendário político doméstico que adiciona prêmio de risco. Historicamente, combinações desse tipo tendem a elevar a volatilidade dos ativos brasileiros e a manter o câmbio sensível ao noticiário.

Para quem acompanha a bolsa, a agenda de quarta-feira funciona como divisor de águas: as sinalizações do Fed sobre os próximos passos e o tom do comunicado do Copom sobre inflação e atividade devem calibrar as expectativas de juros nas semanas seguintes. É essa combinação que tende a definir o humor dos mercados no curtíssimo prazo.