Pré-market em Nova York antecipa o humor da B3

O Ibovespa chega à segunda-feira (5) com uma bateria de indicadores de atividade na pauta, mas o primeiro preço relevante da semana apareceu antes de o pregão brasileiro abrir. O EWZ, fundo listado em Nova York que replica a carteira do Ibovespa, avançou 11,89% no pré-market, a US$ 42,73, e o ADR da Vale (VALE), recibo que representa ação da companhia no exterior, subiu 5,89%, a US$ 14,57.

AtivoVariação no pré-marketCotação
EWZ (Ibovespa em dólar)+11,89%US$ 42,73
ADR da Vale (VALE)+5,89%US$ 14,57

Papéis como esses são negociados em horário distinto do brasileiro, e a defasagem é justamente o que os transforma em termômetro: o comportamento deles antes da abertura costuma antecipar o apetite por risco local no começo da sessão. Nesta segunda, o que os investidores digerem é o placar das urnas de domingo (4).

A agenda anunciada e o que de fato move os preços

A pauta divulgada pela manhã apontava para uma abertura guiada por pesquisas de atividade na Europa e nos Estados Unidos, com o Boletim Focus como referência doméstica. O pré-market, porém, já havia processado o desfecho eleitoral antes de as negociações começarem.

O contraste entre o roteiro previsto e o que aparece nos preços é o que define a sessão. Os índices de gerentes de compras tratam do ritmo da atividade global e do caminho dos juros nas grandes economias — informação relevante, mas de segunda ordem quando o prêmio de risco doméstico está sendo recalculado em tempo real. A agenda macro funciona, nesta segunda-feira, mais como pano de fundo do que como gatilho.

PMIs, ISM e Focus: o que cada indicador mede

A bateria de indicadores do dia inclui as leituras de serviços e a composta para a zona do euro, para o Reino Unido, para o Brasil e para os Estados Unidos. O PMI é uma pesquisa com gestores de compras que serve como sinal adiantado da direção da atividade. Nos Estados Unidos, o destaque é o ISM de serviços, medidor equivalente calculado por uma associação setorial do país. Já o Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne as medianas das projeções de mercado para inflação, juros e câmbio, entra no radar dos investidores locais.

O feriado do Dia Nacional mantém as bolsas chinesas sem operar nesta segunda-feira.

Margem de 2.224.965 votos leva a decisão para 25 de outubro

Com a totalização concluída e o resultado confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral, a eleição presidencial será decidida em 25 de outubro de 2026, um domingo. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, o que corresponde a 56.104.503 votos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou logo atrás, com 45,16% e 53.879.538 votos.

O intervalo que separa os dois candidatos é de 2.224.965 votos. Desde a redemocratização, nunca os dois mais votados haviam terminado tão próximos. Em 2022, a corrida entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) terminou com 6,1 milhões de votos de diferença.

O avanço da direita e da extrema-direita nas cadeiras do Senado e da Câmara aparece como o outro eixo do pleito, em uma campanha que girou em torno de custo de vida, corrupção, criminalidade e segurança. A abstenção ficou em 21,08% no primeiro turno, o que corresponde a 33,4 milhões de eleitores ausentes. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou que pretende atuar para reduzir esse percentual na segunda rodada.

Goldman Sachs projeta dólar entre 4,50 e 4,80

Segundo o Goldman Sachs, o real deve operar na faixa de 4,50 a 4,80 por dólar. Na avaliação do banco, um dólar a 4,80 refletiria a eliminação completa do prêmio fiscal que sobrou do movimento de desvalorização do real observado em 2024. A instituição acrescentou que, se o ajuste das contas públicas sustentasse um prêmio positivo e o ambiente global colaborasse, a moeda brasileira poderia ganhar ainda mais terreno.

Prêmio fiscal, no jargão do mercado, é a compensação extra exigida por investidores para carregar ativos de um país quando há dúvida sobre a trajetória das contas públicas. Quando essa compensação encolhe, o efeito costuma aparecer primeiro no câmbio e, depois, nos demais ativos domésticos.

Ásia fecha em alta e petróleo recua com oferta maior

As principais bolsas asiáticas encerraram o dia em alta. O Nikkei, em Tóquio, ganhou 2,40%, aos 69.946,86 pontos, apoiado por ações de semicondutores. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,28%, para 24.040,34 pontos. O Taiex, em Taiwan, teve alta de 2,55%, chegando a 49.712,04 pontos.

O pano de fundo foi a leitura de dados recentes de emprego e inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado, que esfriaram a aposta em um novo aperto do Federal Reserve no curto prazo.

ReferênciaVariaçãoÚltimo
Nikkei (Tóquio)+2,40%69.946,86 pts
Hang Seng (Hong Kong)+0,28%24.040,34 pts
Taiex (Taiwan)+2,55%49.712,04 pts
Brent-1,13%US$ 101,10
WTI-1,69%US$ 89,57

No petróleo, a pressão é de baixa. O barril do Brent era negociado a US$ 101,10, depois de recuar US$ 1,16 (1,13%), às 5h02 de Brasília. O WTI americano valia US$ 89,57, com baixa de US$ 1,54 (1,69%).

Do lado da oferta, a combinação entre mais embarques de petróleo bruto saindo do Oriente Médio e a liberação de estoques pelos países do G7 empurrou os preços para baixo. Esse movimento compensou a apreensão com possíveis estragos na infraestrutura do Golfo, em meio à guerra que opõe Estados Unidos e Israel ao Irã.

O que a reprecificação eleitoral muda para quem investe

A sessão desta segunda começa com dois motores distintos. De um lado, o calendário de PMIs, ISM e Focus, que trata do ambiente externo e do custo do dinheiro nas grandes economias. De outro, a reprecificação do risco político brasileiro, que já aparece no pré-market e tende a concentrar a atenção dos investidores locais nas próximas horas.

Para quem acompanha a bolsa doméstica, o ponto que importa é a diferença de sensibilidade entre os ativos. Companhias com receita dolarizada e exposição a commodities, caso da Vale, tendem a responder a um conjunto de variáveis que inclui câmbio, demanda global e preço do minério — este último distante dos indicadores divulgados nesta segunda. Já os papéis mais ligados ao consumo e ao crédito interno costumam ser os primeiros a sentir mudanças no prêmio de risco exigido do país.

A margem apertada no primeiro turno e as quatro semanas até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, sugerem que a volatilidade tende a acompanhar cada nova pesquisa e cada sinalização de política econômica das campanhas. Historicamente, disputas acirradas costumam produzir sessões de oscilação mais ampla, com o mercado ajustando posições a cada novo dado.

O que fica no radar daqui em diante: a reação dos ativos domésticos ao longo do pregão, depois do sinal capturado no pré-market; a leitura dos PMIs e do ISM de serviços; e a atualização das projeções do Boletim Focus, referência para as apostas em juros e câmbio.