Altas de dois dígitos no pré-mercado de Nova York
Companhias brasileiras listadas nos Estados Unidos abriram a semana com valorização expressiva antes da abertura dos negócios. O gatilho foi o primeiro turno da eleição presidencial de domingo, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superou as projeções do mercado e terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A definição ficou para o segundo turno, em 25 de outubro.
Os recibos negociados em Nova York — os ADRs, papéis que dão a investidores estrangeiros exposição a companhias de fora dos Estados Unidos — funcionam como primeira leitura do apetite externo pelo Brasil, horas antes de a B3 abrir. O Itaú Unibanco ITUB (ITUB4), banco privado de maior porte na América Latina, liderava com alta acima de 12%.
Os números do pré-mercado, ativo por ativo
O ETF iShares MSCI Brasil EWZ, principal veículo de exposição ao país no exterior, subia quase 12%. Na sequência vinham Bradesco BBD (BBDC4), com 11%, e dois nomes de perfis bem diferentes — a Petrobras PBR, que corresponde à PETR3 na bolsa brasileira, e o Nubank NU, cujo BDR na B3 é o ROXO34 — ambos perto de 10%.
| Ativo | Referência na B3 | Alta no pré-mercado |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | ITUB4 | acima de 12% |
| ETF iShares MSCI Brasil | — | quase 12% |
| Bradesco | BBDC4 | 11% |
| Petrobras | PETR3 | cerca de 10% |
| Nubank | ROXO34 | cerca de 10% |
| Embraer | EMBJ3 | 6% |
| Mercado Livre | MELI34 | cerca de 6% |
Embraer ERJ (EMBJ3) e Mercado Livre MELI (MELI34) andaram na metade do ritmo dos bancos, com aproximadamente 6% cada.
O que está por trás da reação
A votação do senador ficou acima do que as projeções indicavam, o que reforçou no mercado a hipótese de um desfecho eleitoral favorável à direita. Andrés Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, afirma: “O desempenho (de Bolsonaro) acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo”
O que isso muda para quem opera na B3
Para o investidor pessoa física, o placar externo oferece duas leituras. A primeira é de antecipação: os ADRs são precificados antes da sessão brasileira e sinalizam quanto o capital estrangeiro está disposto a pagar pelo risco local. A segunda é de dispersão, já que a alta não foi uniforme e se concentrou nos nomes mais sensíveis à política doméstica.
Quem acompanha Nubank e Mercado Livre via BDRs — recibos de companhias estrangeiras negociados na B3, no caso ROXO34 e MELI34 — enxerga o mesmo movimento em reais, sem precisar operar no exterior.
O pano de fundo ajuda a medir o tamanho do salto. Até a sexta-feira que antecedeu o pleito, o índice de referência da bolsa brasileira acumulava ganho superior a 19% no ano — base já elevada sobre a qual o movimento desta segunda-feira se soma, o que pede cautela antes de tratá-lo como mudança estrutural na avaliação das empresas.
O que observar até 25 de outubro
- Se a abertura da B3 confirma o sinal emitido pelos recibos em Nova York ou devolve parte do excesso do pré-mercado.
- Como o EWZ se comporta nas próximas sessões, já que o ETF serve de termômetro do apetite estrangeiro pelo Brasil.
- O segundo turno, em 25 de outubro, data que concentra a próxima leva de informação política capaz de mexer com os preços.
