Leilão na B3 esgota sobras e rende R$ 283,25 milhões
O Bradesco (BBDC4) fechou a etapa final do seu aumento de capital e o conselho de administração homologou a operação. Segundo o banco, os recibos de subscrição das sobras foram vendidos integralmente em leilão na B3: 1.505.454 recibos de ações ordinárias e 14.553.057 de preferenciais, negociados a R$ 15,50 e R$ 17,86 cada, o que somou R$ 283,25 milhões em valor bruto. O ágio de R$ 3,3 milhões apurado nessa fase será destinado à reserva de capital.
A subscrição que deu origem ao aumento foi integral: 604.852.753 novas ações, das quais 302.876.396 ordinárias e 301.976.357 preferenciais, emitidas a R$ 15,43 e R$ 17,64. A deliberação do aumento de R$ 10 bilhões é de 29 de julho de 2026, anterior ao leilão que acaba de ser encerrado. Os R$ 283,25 milhões do pregão representam, portanto, a fatia residual de um processo cujo montante total chega a dez dígitos.
Homologação do Banco Central ainda trava o crédito das novas ações
Falta o aval do Banco Central para que a operação se complete do ponto de vista regulatório. A homologação também eleva o capital social: de R$ 93,77 bilhões para R$ 103,77 bilhões. O crédito das ações aos subscritores ocorre em até três dias úteis depois dessa etapa.
Vale entender a sequência do processo. O leilão de sobras é a última das etapas previstas nesse tipo de operação: primeiro vem a oferta prioritária a quem já é acionista, depois a oferta dos papéis não exercidos e, por fim, o pregão na bolsa.
Emissão a R$ 15,43 e R$ 17,64; leilão a R$ 15,50 e R$ 17,86
| Papel | Preço de emissão | Recibos leiloados | Preço no leilão |
|---|---|---|---|
| Ordinária (ON) | R$ 15,43 | 1.505.454 | R$ 15,50 |
| Preferencial (PN) | R$ 17,64 | 14.553.057 | R$ 17,86 |
O desenho começa pela prioridade de quem já era acionista, que pode subscrever na proporção da fatia que detém. O que não é exercido transforma-se em sobra, volta à oferta e, depois, segue para leilão. O recibo de subscrição é o título que representa esse direito e circula na bolsa. O ágio surge justamente do intervalo entre o preço de emissão e o valor alcançado no pregão, já que os recibos saíram acima do valor de subscrição nas duas classes.
A venda integral dos papéis ofertados sinaliza que havia demanda pelos recibos nos preços praticados no leilão.
Mais papéis em circulação e proventos só depois da homologação
Com o aval do regulador, o total de papéis do banco chega a 11,197 bilhões. São 5,607 bilhões de ações ordinárias e outros 5,590 bilhões de preferenciais. Só depois da homologação as ações novas passam a valer proventos por inteiro, incluindo dividendos, juros sobre capital próprio (JCP) e outras distribuições que a instituição declarar. Quem subscreveu, portanto, entra na fila dos rendimentos apenas nesse momento.
Para quem acompanha BBDC4, o calendário pesa tanto quanto o tamanho da operação. A base acionária cresce antes de o capital novo aparecer no resultado, e as métricas por ação tendem a refletir essa defasagem no curto prazo; o efeito costuma se diluir conforme os recursos são convertidos em negócios.
O ágio de R$ 3,3 milhões não engorda o lucro, mas reforça a reserva de capital e, na sequência, o patrimônio da instituição — movimento que aparece no balanço sem passar pela linha de resultado. A operação também não cria nova classe de papel: o que muda é o volume de ações de cada tipo e a data a partir da qual elas concorrem às distribuições.
Até a decisão do Banco Central, a sequência a observar é curta: o aval do regulador, o crédito dos papéis em até três dias úteis e o início da participação das novas ações nos proventos declarados.
