O Ibovespa futuro (INDFUT) abriu esta sexta-feira (16) em alta de 0,54%, aos 209.500 pontos, em uma sessão marcada pelo vencimento de opções e por um noticiário que mistura a disputa presidencial e os indicadores de atividade. O dólar à vista iniciou o dia cotado a R$ 5,0846, em leve queda de 0,04%, na esteira do recuo de 0,38% do DXY, índice que acompanha a moeda norte-americana diante de seis divisas de peso global e que operava aos 101.679 pontos.

O dado doméstico de maior peso na manhã ficou longe do palco eleitoral. O IBC-Br, indicador mensal de atividade do Banco Central usado como prévia do PIB, subiu 0,3% em agosto, acima da expectativa de 0,12% apurada em pesquisa do Broadcast. O avanço do mês, porém, convive com um recuo de 0,6% na comparação entre o trimestre encerrado em agosto de 2026 e o terminado em maio. No acumulado de 12 meses, o índice mostra alta de 1,6%.

IBC-Br: 0,3% em agosto contra recuo de 0,6% no trimestre

A combinação de um agosto mais forte com o trimestre negativo desenha uma atividade que perde tração justamente quando o mercado busca sinais sobre o ritmo da economia. Historicamente, divergências entre a leitura mensal e a trimestral costumam apontar acomodação do crescimento, e não mudança de tendência. Para quem acompanha a Bolsa, o dado reforça que a agenda doméstica continua determinante para a trajetória dos juros, mesmo em um pregão dominado pelo noticiário político.

Datafolha e PoderData apontam empate técnico na disputa presidencial

No campo político, o Datafolha divulgou em 15 de outubro um levantamento de segundo turno em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença fica abaixo da margem de erro, de 2 pontos percentuais, o que configura empate técnico. Já a pesquisa PoderData/AFYA, conhecida nesta sexta-feira, mostra os dois candidatos numericamente igualados, com 50% cada.

Ágora vê câmbio e bolsas externas como suporte ao Ibovespa

A avaliação sobre o efeito do dólar e do petróleo no pregão brasileiro é assinada pela equipe de analistas da Ágora Investimentos.

Fed reavalia cenário em outubro e dezembro; Brent sobe a US$ 106,57

No exterior, Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, indicou que novas decisões de política monetária nos Estados Unidos virão depois de reavaliações do cenário marcadas para outubro e dezembro, sem sinalizar qual caminho os juros devem seguir. A declaração foi dada em painel mediado por Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, nas Reuniões Anuais do FMI realizadas em Bangcoc. As preocupações com investimentos em tecnologia voltados à inteligência artificial seguem pressionando os mercados.

Os contratos futuros de Wall Street operavam sem direção única por volta das 9h10: o Nasdaq futuro recuava 0,25%, aos 30.069,50 pontos; o S&P 500 futuro subia 0,06%, aos 7.795,75 pontos; e o Dow futuro tinha leve baixa de 0,02%, aos 52.419,00 pontos. No petróleo, o Brent para dezembro avançava 0,33%, a US$ 106,57 o barril, na ICE, em Londres, com incertezas sobre a oferta no Oriente Médio e uma redução dos estoques de petróleo bruto dos EUA acima do esperado.

Painel do dia: do INDFUT ao Brent

IndicadorValor
Ibovespa futuro (INDFUT)+0,54%, aos 209.500 pontos
Dólar à vista (abertura)R$ 5,0846 (-0,04%)
DXY101.679 pontos (-0,38%)
IBC-Br (agosto)+0,3%
IBC-Br (jun-ago vs mar-mai)-0,6%
IBC-Br (12 meses)+1,6%
S&P 500 futuro7.795,75 pontos (+0,06%)
Dow futuro52.419,00 pontos (-0,02%)
Nasdaq futuro30.069,50 pontos (-0,25%)
Brent dezembro (ICE)US$ 106,57 (+0,33%)

Três vetores que mexem com a carteira nesta sessão

Para o investidor pessoa física, a sessão reúne três forças que costumam alterar o humor das carteiras: câmbio, juros e risco político. Dólar em leve baixa e DXY mais fraco tendem a favorecer ativos domésticos e a aliviar a pressão inflacionária vinda de fora, enquanto a alta do petróleo mexe com a percepção de custo de setores mais dependentes de combustível. O empate técnico nas pesquisas, por sua vez, mantém elevado o grau de incerteza sobre o cenário econômico à frente, e incerteza política historicamente costuma se traduzir em prêmio de risco maior nos preços dos ativos brasileiros. O vencimento de opções tende a amplificar a volatilidade dentro do pregão, sem necessariamente mudar a direção de fundo do índice.