O Ibovespa futuro (INDFUT) sobe 0,82% e marca 189.310 pontos por volta das 9h10 (horário de Brasília), no último pregão antes do primeiro turno das eleições presidenciais. É o sinal de que a bolsa brasileira inicia a sessão com apetite por risco, mesmo com o cenário externo ainda carregado de eventos. Na mesma janela, o dólar à vista abriu a R$ 5,2320, avanço de 0,22%, na contramão do DXY, índice que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes e que rondava a estabilidade, aos 102.076 pontos. A combinação — bolsa em alta, câmbio pressionado — costuma sinalizar cautela seletiva: o investidor aceita risco em ativos domésticos, mas mantém proteção cambial. O destaque do dia, contudo, vem das commodities, com o barril de petróleo de volta abaixo da linha de US$ 100.
Payroll às 9h30 ancora decisão do Fed de outubro
O dado mais aguardado é o payroll de setembro, relatório oficial de empregos não-agrícolas dos Estados Unidos e principal referência para a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A divulgação está marcada para as 9h30 (horário de Brasília). Nesta manhã, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 78,4% de chance de manutenção da taxa na faixa de 3,75% a 4,00% na reunião de outubro, além de 79,5% de probabilidade de um aumento de pelo menos 25 pontos-base em dezembro — cada ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual. O mercado, portanto, precifica apenas uma alta de juros no ano, e o payroll é o dado que pode antecipar ou anular esse movimento.
Petróleo cai abaixo de US$ 100 com proposta europeia
Os preços do barril retornam ao patamar inferior a US$ 100 depois de relatos sobre uma possível liberação de estoques adicionais de diesel e petróleo bruto para aliviar a escassez global de oferta. A França propôs que países da União Europeia liberem 50 milhões de barris de diesel e que membros da Agência Internacional de Energia soltem outros 50 milhões de barris de petróleo bruto, conforme a Reuters.
| Contrato | Variação | Preço |
|---|---|---|
| Brent (dezembro) | -2,44% | US$ 99,81 |
| WTI (novembro) | -3,57% | US$ 89,55 |
Também estão no radar reportagens que noticiam o envio de mais tropas e porta-aviões dos Estados Unidos ao Oriente Médio, além da suspensão das exportações de derivados de petróleo pela China. Para quem tem exposição a commodities e a setores sensíveis ao custo de energia, o recuo do barril tende a aliviar a pressão inflacionária global — ainda que o cenário geopolítico permaneça sujeito a novas escaladas.
Wall Street futuro em alta antes do dado de emprego
Os índices futuros de Nova York operam em território positivo por volta das 9h10 (horário de Brasília): o S&P futuro sobe 0,43%, aos 7.757,25 pontos; o Dow futuro avança 0,48%, aos 51.487,00; e o Nasdaq futuro registra ganho de 0,57%, aos 30.935,75. O movimento antecipa um apetite global por risco que pode transbordar para o Ibovespa ao longo da sessão, ainda que o payroll tenha potencial de reverter o tom logo na abertura, dado o peso que os dados de emprego americanos costumam ter sobre as mesas de renda variável.
Eleições, atividade e G20 completam o radar do dia
A dois dias do primeiro turno, as pesquisas de intenção de voto concentram a atenção dos investidores, após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo. Analistas da Ágora Investimentos avaliam que uma nova pesquisa apontando empate técnico entre os principais candidatos deve manter elevada a volatilidade sobre o Ibovespa e o real. A produção industrial de agosto é o único indicador doméstico previsto para o dia, e o impasse do G20 em temas comerciais permanece no radar. Do lado externo, o alívio nos preços do petróleo e nas expectativas de juros americanos pode favorecer os ativos domésticos no curto prazo, segundo a casa.
O investidor brasileiro acompanha três vetores simultâneos: o payroll às 9h30, o recuo do petróleo e o noticiário eleitoral. O cenário descrito pelos analistas da Ágora aponta volatilidade elevada no curto prazo, com espaço para alívio caso o dado americano venha em linha ou abaixo do esperado.
