O Ibovespa encerrou a sexta-feira (18) em queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos, e registrou a primeira perda semanal desde meados de agosto, com recuo de 1,06% no acumulado dos cinco pregões. O giro financeiro somou R$38,37 bilhões, inflado pelo vencimento de opções sobre ações — data em que os contratos derivativos expiram e os negócios tendem a se concentrar. Na sessão, o índice tocou máxima de 185.991,47 e mínima de 184.460,91 pontos.

A distância entre a queda modesta do pregão e o vermelho acumulado na semana diz mais sobre o momento do que o número isolado sugere. O que mudou não foi apenas o preço dos ativos, e sim o desconto que o investidor passou a exigir para carregá-los.

O prêmio de risco que ficou mais caro de calcular

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, descreve um investidor recalibrando preços a partir de três vetores simultâneos: incerteza eleitoral maior, preocupação com a trajetória fiscal e juros globais menos favoráveis. Na avaliação dele, quanto mais apertada a corrida presidencial, maior a dificuldade de estimar qual política econômica sairá das urnas — especialmente no campo fiscal.

O quadro eleitoral segue sob os holofotes. Pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira manteve o empate técnico em um eventual segundo turno: 46% das intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 44% para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os percentuais repetem os da semana anterior e ficam dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Estrategistas tratam a eleição de outubro como o principal catalisador doméstico do ano, com incerteza suficiente para manter a volatilidade em nível elevado.

O reajuste do Bolsa Família, anunciado na véspera, somou desconforto ao debate sobre as contas públicas.

Estrangeiro reduziu a aposta e o saldo de setembro encolheu

Dados da B3 apontam saída líquida de investidores estrangeiros no último dia 16. O saldo positivo acumulado em setembro recuou para R$6,287 bilhões, abaixo dos R$7,251 bilhões verificados até o dia 15 — sinal de que o apetite externo por ações brasileiras perdeu tração justamente na semana em que o índice voltou ao vermelho.

Juros americanos, petróleo e o vencimento de opções

O último pregão da semana nos Estados Unidos teve alta nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro americano, movimento que corroborou a fraqueza da bolsa paulista, ainda que o S&P 500 tenha avançado 0,17%. Nos últimos dias, os mercados digeriram o primeiro aumento de juros nos EUA desde 2023 e o corte da Selic no Brasil.

No petróleo, o barril do Brent fechou em baixa de 0,91%, a US$103,87. PETR4 recuou 0,23% e PETR3 perdeu 1,09%, na esteira do recuo da commodity.

Bancos: Santander tem a pior queda e BB avança na contramão

O Santander Brasil registrou o pior desempenho entre os bancos do Ibovespa, com SANB11 cedendo 3,47%. Itaú Unibanco (-0,59%) e Bradesco (-0,88%) também fecharam no campo negativo, enquanto Banco do Brasil (+1,84%) e BTG Pactual (+0,43%) subiram.

Mineração, proteína e imobiliário: os extremos do pregão

AtivoVariaçãoLeitura do dia
VALE3-1,53%Mineradoras fracas no exterior
CSNA3-6,40%Mineração e siderurgia em queda, sem novidades sobre a venda de ativos
PETR4-0,23%Brent em baixa
PETR3-1,09%Brent em baixa
BEEF3+4,46%Recuperação após quatro quedas seguidas
MRBF3+1,08%Setor de proteína acompanha
CYRE3+3,86%Dia de recuperação do setor imobiliário
MRVE3-3,68%Contramão do setor

A sexta-feira foi de queda generalizada em mineração e siderurgia, com a CSN entre as maiores perdas da bolsa sem novidades concretas sobre a venda de ativos da companhia. A Minerva se recuperou depois de quatro sessões negativas, período em que acumulou -7,75%. No imobiliário, a Cyrela avançou em um dia de recuperação do setor, medido pelo índice imobiliário da B3, que subiu 2,12%, enquanto a MRV andou na direção oposta.

O que observar daqui para frente

A corrida presidencial de outubro segue como o principal gatilho doméstico para os ativos brasileiros, e o grau de incerteza em torno dela tende a manter a volatilidade elevada. No campo fiscal, o mercado ainda não tem clareza sobre a trajetória das despesas públicas, e cada anúncio nessa frente tem potencial de mexer com o prêmio de risco exigido dos papéis locais. No exterior, a direção dos juros americanos e o preço do petróleo continuam entre as variáveis que atravessam o pregão brasileiro, assim como o fluxo de estrangeiros, que perdeu força em setembro.