O Ibovespa encerrou a terça-feira em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, com o suporte decisivo vindo da recuperação das ações da Petrobras (PETR3, PETR4). O giro financeiro do dia alcançou R$ 30,23 bilhões, e o índice chegou a tocar 184.976,81 pontos na mínima antes de marcar 187.671,74 na máxima.

O detalhe que o fechamento quase estável esconde está no acumulado do mês. A valorização do Ibovespa em setembro soma 5,64%, movimento acompanhado de perto por um dado da B3: o saldo de capital estrangeiro está positivo em R$ 9,23 bilhões no mês até o dia 18. É esse fluxo, e não o pregão isolado, que dá sustentação à alta recente.

O dado que o fechamento estável não mostra

Na avaliação do responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, a bolsa passou o dia praticamente de lado, sem variações relevantes nem destaques individuais. Segundo o profissional, o mercado trabalha em compasso de espera — postura reforçada pela proximidade do primeiro turno, em 4 de outubro, depois de uma sequência positiva recente.

A diferença entre a fotografia do dia e o filme do mês organiza a leitura de quem acompanha a bolsa. Historicamente, a entrada de capital externo tende a dar suporte à liquidez e à formação de preço dos papéis mais negociados, mas esse fluxo costuma ser sensível a mudanças de humor no exterior e a eventos de risco local.

De lado, mas com agenda cheia

A divulgação de nova pesquisa Quaest, conhecida na véspera, reforçou o quadro de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência. Investidores seguem aguardando novos levantamentos ao longo da semana.

No front monetário, o Banco Central publicou mais cedo a ata da última reunião de política monetária, mantendo o tom do comunicado que acompanhou a decisão da semana passada de cortar a Selic para 13,75% ao ano. A Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, também concentrou atenções, com discursos de Lula e do presidente norte-americano Donald Trump.

Havia expectativa de que o encontro sinalizasse um avanço diplomático em torno da guerra no Irã. No fim da tarde, o presidente norte-americano afirmou que autoridades dos EUA mantiveram uma reunião de três horas com a delegação iraniana.

Petróleo, Foz do Amazonas e o vaivém dos bancos

O barril do Brent recuou 1,09%, a US$ 99,25, em meio a sinais de que o Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias e à preparação da Arábia Saudita para retomar as exportações do porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Em Nova York, o S&P 500 terminou estável, e o rendimento do Treasury de 10 anos marcava 4,9511%, ante 4,963% na véspera.

A Petrobras (PETR4 +0,73%; PETR3 +0,61%) subiu mesmo com o petróleo em queda no exterior. A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da companhia, Renata Baruzzi, afirmou que a estatal levará uma sonda à Bacia da Foz do Amazonas em janeiro, quando começam os trabalhos em três poços inéditos.

No setor bancário, o dia foi misto: Itaú (ITUB4) avançou 0,23%, Bradesco (BBDC4) ganhou 1,49% e BTG Pactual (BPAC11) valorizou 0,71%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,39% e Santander Brasil (SANB11) recuou 0,6%, ainda refletindo a oferta de troca do controlador espanhol Santander (SAN.MC) para adquirir ações em circulação da subsidiária brasileira.

Commodities, celulose e recompra nos destaques

AtivoVariaçãoDestaque do dia
Vivara ON (VIVA3)-4,37%ajuste após duas altas seguidas
Suzano ON (SUZB3)+2,81%reajuste de celulose em outubro
Axia ON (AXIA3)+1,27%resgate de ações PNC
Petrobras PN (PETR4)+0,73%sonda para a Foz do Amazonas
Vale ON (VALE3)+0,39%compra de 30% da Ligga

A Vale (VALE3) resistiu à queda dos futuros do minério na China, pressionados por perspectivas fracas de demanda de curto prazo, e confirmou a aquisição de 30% da Ligga S.A., via aporte de capital de cerca de US$ 190 milhões, além de contrato de compra de minério de ferro sinter feed produzido pela empresa.

A Suzano (SUZB3) avançou com notícias de reajuste nos preços da celulose em outubro: US$ 20 por tonelada na Ásia e US$ 50 nas Américas e Europa. Já a Axia (AXIA3) subiu após o conselho aprovar resgate de 70.716.228 ações preferenciais classe C (PNC), equivalente a R$ 3,9 bilhões e a 15,46% da classe — operação que funciona como uma recompra pela companhia.

Na ponta negativa, a Vivara (VIVA3) caiu 4,37% em sessão de ajuste após duas altas consecutivas; só na véspera o papel havia subido quase 5,5%.

O que muda para quem acompanha a bolsa

Com o primeiro turno em 4 de outubro no horizonte e a ata do Copom mantendo o tom da decisão sobre a Selic, o mercado sinaliza que deve seguir avaliando cada novo dado político e monetário antes de definir direção. O contraste entre um pregão praticamente estável e um mês em alta de 5,64% sugere que o apetite externo, e não o noticiário de um único dia, é hoje o principal termômetro da bolsa brasileira.