O Ibovespa (IBOV) abriu o pregão desta terça-feira (6 de outubro de 2026) em alta de 1,11% e tocava 209.208,88 pontos por volta das 10h16 de Brasília, prolongando o rali da véspera, disparado pelo resultado do primeiro turno das eleições. No mesmo horário, o dólar à vista cedia 1,09%, a R$ 4,9471, seguindo o movimento da moeda no exterior: o DXY, índice que mede o dólar frente a seis divisas de peso global, recuava 0,31%, aos 101.854 pontos.

Rali eleitoral sem plano fiscal detalhado

O que sustenta a alta é a aposta sobre a condução da política econômica a partir de 2027 — o movimento que o mercado passou a chamar de trade eleitoral. Na segunda-feira, as equipes de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram com apoiadores em Brasília para desenhar os próximos passos do segundo turno.

Do lado de Lula, a aposta é ampliar o espaço do vice Geraldo Alckmin, cotado para o Ministério da Fazenda e bem avaliado por agentes do mercado financeiro. Na outra ponta, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já anunciaram apoio a Flávio.

O detalhe que interessa a quem tem exposição a ativos domésticos é a distância entre preço e informação. O índice sobe embutindo expectativa política, mas nenhum dos candidatos à Presidência apresentou detalhamento dos planos para as contas públicas até agora. Sem esse detalhamento, a agenda fiscal tende a permanecer no radar e a sensibilidade dos preços a cada sinal de campanha aumenta.

Enquanto o noticiário eleitoral domina o pregão, indicadores e resultados corporativos perdem peso relativo na formação de preços. Para a carteira do investidor pessoa física, isso significa conviver com oscilações ligadas a manchetes políticas até que os planos econômicos ganhem contornos concretos — ralis apoiados em expectativa, historicamente, apresentam oscilação maior conforme a decisão se aproxima.

PEC da jornada 6×1 esfria no Senado

Lula concentra fichas, na reta final da campanha, na aprovação pelo Senado da PEC que põe fim à escala 6×1, uma das bandeiras do governo. O resultado do primeiro turno, no entanto, reduziu a chance de o texto avançar. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tende a manter a sessão apenas por razões protocolares, segundo avaliação predominante entre os agentes.

Mudanças na jornada mexem com a estrutura de custos de quem opera em turnos contínuos, e é isso que faz do tema um item de risco regulatório para parte do mercado. Com o avanço travado, esse risco sai do noticiário de curto prazo — mas a discussão pode voltar depois da eleição.

Balança comercial: setembro sai às 15h

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) publica nesta terça, por volta das 15h de Brasília, o resultado da balança comercial de setembro. A última referência disponível é o superávit de US$ 7,39 bilhões apurado em agosto de 2026.

O dado interessa menos pelo valor em si e mais pela sinalização sobre competitividade das exportações e oferta de divisas — elementos que ajudam a explicar o comportamento do real no fechamento. Por isso, a leitura do número tende a ganhar peso na parte da tarde da sessão.

Petróleo: Brent a US$ 97,74 alivia temor de oferta

O mercado de petróleo devolveu prêmio de risco nesta terça. A oferta de cru do Oriente Médio seguiu firme e o G7 liberou reservas de emergência, dois fatores que reduziram a preocupação com desabastecimento. Os ataques de houthis do Iêmen a alvos sauditas, porém, mantêm os investidores atentos ao risco de fornecimento na região do Golfo.

Na Intercontinental Exchange, em Londres, o Brent com vencimento em dezembro caía 2,57%, a US$ 97,74 o barril; na Nymex, nos Estados Unidos, o WTI para novembro recuava 2,11%, a US$ 87,47 o barril, ambos por volta das 10h20 de Brasília.

AtivoCotaçãoVariaçãoHorário (Brasília)
Ibovespa209.208,88 pts+1,11%10h16
Dólar à vistaR$ 4,9471-1,09%10h16
DXY101.854 pts-0,31%10h16
Brent dez/26 (ICE)US$ 97,74-2,57%10h20
WTI nov/26 (Nymex)US$ 87,47-2,11%10h20

Óleo mais barato tende a reduzir a pressão inflacionária global e altera a percepção de risco sobre setores ligados a commodities, enquanto um câmbio apreciado ajuda a conter preços importados. Combinados, os três vetores do dia — expectativa eleitoral, dólar em queda e petróleo em baixa — desenham uma sessão na qual a bolsa brasileira reage mais à política do que a dados. O saldo da balança comercial, à tarde, é o próximo número capaz de mexer com as mesas.