Principais pontos
- Relatórios da distrital de St. Louis indicam que a inflação subjacente americana -- aquela que exclui itens voláteis como alimentos e energia -- gira entre 2,5% e 3% ao ano, muito acima da meta oficial de 2%.
- Um dado que explica a postura cautelosa do dirigente é o crescimento nominal da economia dos EUA, que avança a um ritmo de quase 6%.
- A elevação do R* devido aos ganhos de produtividade sugere que a economia americana está operando em uma velocidade compatível com taxas de juros estruturalmente mais altas.
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de St. Louis, Alberto Musalem, sinalizou nesta quinta-feira, 20, que pode defender a elevação da taxa básica de juros dos Estados Unidos já no mês de setembro. Em entrevista à CNBC, o dirigente deixou claro que a leitura imediata do mercado sobre a fraqueza do mercado de trabalho não reflete o cenário central da instituição, que lida com pressões inflacionárias estruturais.
O abismo entre o mercado de trabalho e os preços
Embora o relatório de empregos (payroll) tenha exibido fraqueza inesperada em julho, Musalem evita focar em indicadores isolados. Para ele, o cenário central ainda aponta para pressões persistentes. Relatórios da distrital de St. Louis indicam que a inflação subjacente americana -- aquela que exclui itens voláteis como alimentos e energia -- gira entre 2,5% e 3% ao ano, muito acima da meta oficial de 2%. O dirigente destaca que choques de oferta, agravados pelo fenômeno El Niño, e a demanda aquecida mantêm o risco inflacionário vivo, exigindo alívio nos preços para proteger a renda real da população.
Crescimento nominal e a nova taxa neutra
Um dado que explica a postura cautelosa do dirigente é o crescimento nominal da economia dos EUA, que avança a um ritmo de quase 6%. Somado à forte competição por capital entre corporações e a uma dívida pública elevada, esse ambiente sustenta a escalada recente nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).
Musalem argumenta que a recuperação da produtividade tende a elevar o R* -- a taxa neutra de juros, ou seja, o patamar que não estimula nem restringe a atividade econômica. Na visão do dirigente, a política monetária atual oscila entre "neutra" e "acomodatícia", em um ambiente de condições financeiras mais relaxadas.
A elevação do R* devido aos ganhos de produtividade sugere que a economia americana está operando em uma velocidade compatível com taxas de juros estruturalmente mais altas.
Planejamento de cenários e o mercado de títulos
Musalem, que não possui direito a voto no FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, o órgão decisório do Fed) neste ano, revelou que teria optado por aumentar os juros já em julho. Ele pondera que não se trata de uma "orientação futura" (forward guidance, termo usado para promessas explícitas do banco central), mas sim de trabalho com cenários. O raciocínio é claro: é preferível um ciclo de alta gradual agora a movimentos agressivos no futuro.
Sobre a volatilidade nos Treasuries, o dirigente afirma monitorar o mercado "o tempo todo", mas descarta que a credibilidade da instituição esteja em xeque.
O panorama macroeconômico global
O cenário internacional apresenta movimentos distintos que também afetam a liquidez global:
| Entidade | Cenário ou Ação Recente |
|---|---|
| Tesouro dos EUA | Recompras de Treasuries (10 a 30 anos) dobraram |
| Banco Central da China (PBoC) | Taxas LPRs inalteradas desde maio de 2025 |
| Fed (Distrital de St. Louis) | Inflação subjacente estimada entre 2,5% e 3% |