O IPCA-15, prévia da inflação oficial, acelerou em setembro, e o dólar iniciou a sexta-feira em queda. O indicador avançou 0,70% no mês, conforme o IBGE, e passou a acumular 4,47% em 12 meses — acima dos 4,24% apurados no intervalo de 12 meses imediatamente anterior. Na abertura, na venda, a moeda americana à vista aparecia a R$ 5,181, com baixa de 0,23%, por volta das 9h07 desta sexta-feira (25), enquanto o vencimento de outubro, que concentra o maior volume na B3, marcava R$ 5,186, com desvalorização de 0,23%.

Câmbio em baixa e preços ao consumidor mais pressionados definem o tom da sessão. A queda da moeda americana no mercado local acompanha um recuo firme verificado no exterior, depois de dias de valorização — o alívio não vem da inflação doméstica. Na agenda, a nova pesquisa Datafolha e a prévia da inflação concentram a digestão dos investidores.

O que a prévia de setembro mostra

O IPCA-15 é um retrato tirado no meio do mês, feito para antecipar o índice oficial de preços ao consumidor. Em setembro de 2026, a variação mensal foi de 0,70%; um ano antes, o mesmo mês havia marcado 0,48%. A janela de 12 meses subiu de 4,24% para 4,47%, e, no ano, a prévia chega a 3,82%.

ReferênciaResultado
Setembro de 20260,70%
Setembro de 20250,48%
Acumulado no ano3,82%
Acumulado em 12 meses4,47%
12 meses anteriores4,24%

Por que o dólar cede

Na véspera, a cotação à vista havia terminado o pregão em alta de 0,47%, a R$ 5,1931. Nesta manhã, o dólar comercial aparecia com compra a R$ 5,180 e venda a R$ 5,181. O movimento de baixa é herdado do exterior, onde a moeda americana devolve parte dos ganhos recentes, com atenção voltada para os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e para as cotações do petróleo, dois canais ligados ao temor com a inflação. O Dow Jones Futuro opera em alta, embora esteja perto de fechar a quarta semana consecutiva de perdas.

O que muda para quem investe

Quem acompanha o debate sobre a taxa básica de juros encontra no acumulado de 12 meses o dado mais relevante do dia: a leitura saiu de 4,24% para 4,47%, o que indica pressão de preços ainda presente e tende a manter acesa a discussão sobre o custo do dinheiro — sem que um único dado altere o quadro sozinho. Para quem carrega exposição cambial, a sessão é de oscilação diária dentro de um movimento que nasce no exterior: o câmbio segue entre os canais mais sensíveis da carteira, sobretudo em dias que combinam inflação e pesquisa Datafolha na agenda.

Vale separar ruído de sinal. A variação de 0,23% do dólar é modesta na escala de volatilidade da moeda, enquanto a aceleração da prévia mexe com expectativas que costumam reverberar nos prazos mais longos da renda fixa e no custo do crédito.

A agenda que ainda pode mexer com o câmbio

Os rendimentos dos títulos americanos e o petróleo seguem como termômetros do apetite por risco e costumam transbordar para o câmbio. A repercussão da pesquisa Datafolha pode mudar o humor ao longo do pregão. O contraste que resume a manhã é simples: dólar mais barato no curto prazo convivendo com preços ao consumidor acelerando na margem.