O Ibovespa Futuro abriu o pregão desta sexta-feira (25) em queda de 0,32%, aos 184.310 pontos (9h05 de Brasília), numa sessão que mistura inflação mais pressionada, ruído eleitoral e alívio vindo do exterior. No mesmo horário, o dólar futuro para outubro, contrato mais negociado na B3, cedia 0,30%, a R$ 5,183.

IPCA-15 sobe 0,70% e a inflação de 12 meses ganha velocidade

O IPCA-15, que funciona como leitura antecipada da inflação oficial, marcou 0,70% em setembro de 2026. Um ano antes, em setembro de 2025, a leitura havia sido de 0,48%. Na comparação entre os dois meses, o avanço dos preços ficou mais forte.

No acumulado do ano, o IPCA-15 soma 3,82%. Em 12 meses, o índice marca 4,47%, contra 4,24% na leitura anterior equivalente. Em outras palavras: a variação acumulada voltou a subir na comparação anual.

O IPCA-15 antecipa o IPCA, índice que serve de referência para a meta de inflação e para a correção de contratos. Leituras em aceleração tendem a manter o debate sobre o custo do dinheiro e sobre a remuneração real dos títulos públicos no centro das atenções — movimento que costuma aparecer primeiro na curva de juros e, depois, na bolsa.

Datafolha mantém empate técnico e Lula tem agenda às 17h

O levantamento do Datafolha conhecido na noite de quinta-feira mostra o petista Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) por dois pontos em um eventual segundo turno da corrida presidencial. A margem mantém os dois em empate técnico.

No fim da tarde, às 17h, o presidente apresenta um conjunto de medidas voltadas a proteger as famílias e a economia popular.

Wall Street sobe, petróleo recua e o Estreito de Ormuz volta ao radar

Os futuros de Nova York apontavam ganhos: Dow Jones Futuro +0,34%, S&P Futuro +0,36% e Nasdaq Futuro +0,67%. O clima positivo em torno da inteligência artificial e a expectativa de melhora na oferta de energia do Oriente Médio pesavam mais, por ora, que o salto dos rendimentos dos títulos públicos.

O petróleo operava em queda, com investidores ponderando a hipótese de uma trégua nos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Segundo fontes próximas às conversas, os negociadores discutem uma saída gradual que incluiria a volta da navegação no Estreito de Ormuz. Um alto funcionário iraniano indicou que a rota mais viável seria Teerã liberar o tráfego no estreito, com o fim do cerco naval americano como contrapartida.

Um memorando chegou a registrar esse desenho no dia 17 de junho, mas o pacto ruiu depressa e o confronto voltou.

Na Ásia-Pacífico, as bolsas encerraram sem direção única. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1%, com o desempenho negativo concentrado em bancos, matérias-primas e tecnologia.

O que observar até o fechamento

IndicadorMovimento
Ibovespa Futuro-0,32% (184.310 pts)
Dólar futuro (out)-0,30% (R$ 5,183)
IPCA-15 em 12 meses4,47% (antes: 4,24%)
Dow Jones Futuro+0,34%
S&P Futuro+0,36%
Nasdaq Futuro+0,67%
Hang Seng-1,00%

A sessão reúne sinais que apontam para lados opostos. Fora do Brasil, o apetite por risco segue amparado pela narrativa de inteligência artificial e pela perspectiva de alívio energético, o que ajuda a explicar o desempenho dos futuros americanos. Aqui, o quadro é distinto: uma prévia de inflação que acelera tanto no mês quanto na janela de 12 meses tende a manter a discussão sobre juros em evidência, enquanto a disputa eleitoral adiciona volatilidade ao câmbio e à curva de juros.

Para quem acompanha a bolsa brasileira, o dia reforça que os preços locais respondem menos ao alívio externo e mais aos dados domésticos — inflação, agenda fiscal e pesquisas de intenção de voto. O anúncio das medidas às 17h e o desenrolar das negociações no Oriente Médio são os pontos capazes de alterar o humor do mercado até o encerramento.