A debênture isenta abre a seleção com o maior prêmio

A carteira de renda fixa que a XP organizou para outubro coloca no topo da lista uma debênture da São Martinho, identificada pelo código SMTO24, com remuneração de IPCA + 7,95% ao ano e vencimento em janeiro de 2037. O papel consta do relatório como isento de Imposto de Renda para a pessoa física, condição que historicamente costuma ser o principal diferencial desse tipo de emissão frente a alternativas tributadas.

Uma debênture funciona como um empréstimo concedido pelo investidor à empresa que a emitiu. Nos papéis atrelados à inflação, o retorno soma a variação do IPCA — índice oficial de preços — a uma taxa contratada no momento da aplicação.

O documento mensal é assinado por Lucas Genoso, Mayara Rodrigues e Maria Luisa Paolantoni e mistura indexadores e emissores distintos, arranjo que a casa apresenta como forma de diluir concentrações e deixar a alocação menos dependente de um cenário único de juros.

As taxas indicativas da carteira de outubro

AtivoIndexadorTaxa indicativaVencimento
Debênture São Martinho (SMTO24)IPCA+7,95% ao anojan/2037
NTN-BIPCA+7,06% ao anoago/2032
NTN-B PrincipalIPCA+6,86% ao anomai/2035
CDB Paraná BancoPrefixado14,5% ao anoout/2029
NTN-FPrefixado13,12% ao anojan/2029
LFTPós-fixado (Selic)—mar/2029

As NTN-B são títulos públicos atrelados à inflação, enquanto a LFT acompanha a taxa Selic e o CDB prefixado tem sua remuneração travada já na aplicação. Os percentuais da tabela servem como referência e podem ser alterados ao longo do mês, conforme ressalva do próprio relatório.

Na parcela prefixada, a XP mantém prazo médio próximo de três anos; nos papéis ligados ao IPCA, a referência é de aproximadamente seis anos. A lista de pós-fixados reúne a LFT com vencimento em março de 2029 e dois fundos, XP Liquidez e SulAmérica Crédito Ativo. A equipe avalia que essa fatia continua permitindo aproveitar o patamar elevado dos juros, e no crédito privado a preferência recai sobre emissores de maior qualidade, com receitas e geração de caixa mais previsíveis.

Prêmio maior, risco de crédito no radar

A taxa de 7,95% acima do IPCA não vem sem contrapartida. A proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não alcança debêntures, CRIs, CRAs nem títulos públicos, de modo que o investidor assume diretamente o risco de crédito da emissora escolhida.

No caso da São Martinho, a instituição vê liquidez robusta e uma dívida alongada, mas registra um ponto de atenção: a geração de caixa da companhia sente o peso dos preços mais baixos do açúcar e do etanol. É o tipo de observação que separa uma taxa alta de um risco mal precificado — quanto maior o prêmio oferecido, maior tende a ser a exigência de análise sobre quem paga.

Há ainda o risco de mercado. O preço de um título oscila antes do vencimento, o que afeta o valor recebido por quem precisa vender a posição antecipadamente, especialmente em papéis de prazo longo como a SMTO24, com vencimento em 2037.

O que observar antes de decidir

Dois esclarecimentos acompanham o relatório. O primeiro: a retirada de um ativo da seleção mensal não representa, isoladamente, uma recomendação de venda por parte da XP. O segundo: as taxas divulgadas são indicativas e variam conforme as condições de negociação ao longo de outubro.

Para quem acompanha renda fixa, o mapa de outubro mostra um prêmio real relevante nas emissões privadas isentas e nos títulos públicos longos, enquanto a parcela prefixada trabalha com horizontes mais curtos. A leitura prática é de que o nível de juros segue abrindo espaço para travar taxas, mas a decisão passa por avaliar prazo, emissor e a possibilidade de precisar do dinheiro antes do vencimento.