O Ibovespa (IBOV) abriu o pregão desta sexta-feira, 2 de outubro, em alta de 1,19%, aos 189.398,10 pontos, por volta das 10h15 de Brasília. Na mesma faixa de horário, o dólar à vista recuava 0,12%, a R$ 5,2136, enquanto o DXY — índice que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes — caía 0,34%, aos 101.762 pontos. O avanço ocorre a dois dias do primeiro turno das eleições e convive com um dado doméstico que aponta para o lado oposto.
Indústria brasileira recua 0,6% e apaga o avanço de julho
O IBGE informou que a produção industrial caiu 0,6% em agosto na comparação com julho, além de recuar 1,2% frente a agosto do ano passado. O resultado ficou abaixo do que se esperava e eliminou o pequeno fôlego do mês anterior: julho, que havia sido reportado com alta de 0,2%, teve o número revisado para 0,1%.
Agosto foi o terceiro mês de queda do setor no ano, depois de maio e junho. Para quem tem exposição a companhias dependentes da atividade interna, o dado reforça a percepção de uma retomada sem consistência, o que tende a manter o mercado atento à velocidade da economia brasileira nas próximas leituras de atividade.
EUA criam 29 mil vagas e reforçam aposta em juros estáveis
Do lado externo, a economia americana abriu apenas 29 mil vagas em setembro, conforme relatório do U.S. Bureau of Labor Statistics. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, acima dos 4,1% projetados, enquanto o mercado esperava a criação de 85 mil postos.
O documento, conhecido como payroll, funciona como o principal termômetro do mercado de trabalho dos Estados Unidos e costuma pesar nas decisões do Federal Reserve (Fed). Depois da divulgação, a ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar 86,2% de chance de os juros seguirem na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano na reunião de outubro. Antes do dado, essa probabilidade era de 74%.
Um mercado de trabalho menos aquecido tende a diminuir a pressão por juros elevados na maior economia do mundo, movimento que historicamente costuma favorecer ativos de risco e moedas de países emergentes.
Petrobras confirma petróleo em águas profundas na Foz do Amazonas
A Petrobras (PETR4) informou a descoberta de petróleo em águas profundas no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. É o segundo achado na região em pouco tempo, depois do anúncio feito em agosto.
O dado tende a alimentar as discussões sobre o potencial exploratório de uma área que vem chamando a atenção de companhias do setor. Para quem acompanha ações de óleo e gás, o efeito relevante recai sobre expectativas de longo prazo, e não sobre o resultado imediato.
Petróleo volta ao patamar abaixo de US$ 100 com proposta de liberar estoques
O Brent com vencimento em dezembro recuava 2,60%, a US$ 99,65 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o WTI para novembro caía 3,78%, a US$ 89,36 o barril, na Nymex, nos Estados Unidos. Os dois são as principais referências globais de preço da commodity.
A pressão vem de relatos sobre uma possível liberação de estoques extras de diesel e de petróleo bruto para reduzir a escassez global de oferta. A França propôs que os países da União Europeia liberem 50 milhões de barris de diesel e que os membros da Agência Internacional de Energia (AIE) liberem outros 50 milhões de barris de bruto.
Preços menores do petróleo tendem a aliviar custos ao longo das cadeias produtivas, ao mesmo tempo que reduzem a receita de quem produz a commodity — um sinal que chega justamente no dia em que a Petrobras comunica um novo achado exploratório.
Eleições a dois dias do primeiro turno e consulado suspenso
A dois dias do primeiro turno, as atenções se voltam para as últimas pesquisas de intenção de voto, após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo. Na mesma data, a representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil comunicou a suspensão dos serviços consulares no país a partir desta sexta-feira (2), alegando preocupações de segurança que não foram detalhadas.
Os números do pregão de 2 de outubro
| Indicador | Nível | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa (IBOV) | 189.398,10 pontos | +1,19% |
| Dólar à vista | R$ 5,2136 | -0,12% |
| DXY | 101.762 pontos | -0,34% |
| Brent (dez, ICE) | US$ 99,65 | -2,60% |
| WTI (nov, Nymex) | US$ 89,36 | -3,78% |
O que o dia mistura e o que observar
A sessão combina sinais que puxam em direções diferentes. O alívio externo, com dólar mais fraco no mundo e apostas majoritárias de estabilidade dos juros americanos, sustenta parte do apetite por risco e ajuda a explicar a alta do índice. Do lado doméstico, a indústria em queda pela terceira vez no ano e a proximidade da votação adicionam camadas de incerteza.
Para o investidor, o ponto prático é separar o que é ruído de curto prazo do que altera cenário. A produção industrial fraca afeta principalmente companhias cuja receita acompanha a atividade interna. O petróleo abaixo de US$ 100 muda a equação de custos e de receita em setores ligados à commodity. E o payroll mais fraco reforça a leitura de juros estáveis nos Estados Unidos, variável que historicamente pesa sobre o fluxo de capital para mercados emergentes.
Nas próximas horas, o mercado deve seguir sensível às pesquisas eleitorais e aos desdobramentos da suspensão dos serviços consulares. Historicamente, períodos eleitorais costumam trazer volatilidade maior, sem direção definida — o que torna a leitura dos fundamentos, e não do barulho do pregão, o item mais útil para quem acompanha a bolsa brasileira.
