A ISA Energia Brasil (B3: ISAE3, ISAE4) informou nesta quinta-feira (31) a conclusão do descruzamento de participações societárias nas transmissoras Interligação Elétrica do Madeira S.A. (IE Madeira) e Interligação Elétrica Garanhuns S.A. (IE Garanhuns). A operação, formalizada em Fato Relevante, prevê o pagamento de R$ 1,167 bilhão de torna à AXIA Energia e entra em vigor a partir de agosto de 2026.

A transação, que já havia sido anunciada em março deste ano, reorganiza a estrutura societária dos ativos de transmissão. Com o cumprimento das condições suspensivas e a liquidação financeira, a ISA Energia passará a consolidar integralmente (100%) os resultados e o balanço da IE Madeira. Simultaneamente, deixará de utilizar a equivalência patrimonial para registrar a participação na IE Garanhuns, simplificando a gestão contábil e a governança sobre seu portfólio.

Dimensão dos ativos e indicadores regulatórios

O movimento estratégico afeta dois ativos relevantes de transmissão no setor elétrico brasileiro. Para contextualizar o peso financeiro da operação, a própria companhia divulgou os indicadores mais recentes:

  • IE Madeira: possui Receita Anual Permitida (RAP) líquida de PIS e COFINS de R$ 796,7 milhões (ciclo 2026/2027). Em 2025, gerou EBITDA Regulatório de R$ 660,1 milhões e acumulava dívida líquida de R$ 588,2 milhões.
  • IE Garanhuns: registra RAP líquida de R$ 165,3 milhões (ciclo 2026/2027). No mesmo período, apresentou EBITDA Regulatório de R$ 134,2 milhões e dívida líquida de R$ 42,6 milhões.

Nota técnica: O EBITDA Regulatório reflete a geração de caixa operacional sob as diretrizes da agência reguladora, enquanto a RAP representa a receita contratual garantida para remunerar o capital investido e cobrir a operação.

O que muda para investidores

A partir de agosto, a ISA Energia incorporará integralmente a receita, as despesas e a alavancagem da IE Madeira em suas demonstrações contábeis consolidadas. O ativo deixará de operar sob a lógica de joint venture e passará a impactar diretamente os resultados da controladora.

A unificação societária também elimina a complexidade de governança compartilhada com a AXIA, acelerando decisões operacionais e financeiras. Embora o desembolso de R$ 1,167 bilhão represente uma saída de caixa no curto prazo, a diretoria enfatiza que a operação faz parte de um plano de "gestão estratégica e eficiente" para otimizar o portfólio de concessões e gerar valor sustentável no longo prazo.

Conformidade e próximos passos

O acordo foi realizado em estrita conformidade com a Resolução CVM nº 44 e a Lei das S.A. (Lei nº 6.404/76). Os reflexos contábeis e financeiros serão integralmente percebidos nos relatórios da companhia a partir de agosto de 2026, consolidando a presença da ISA no segmento de transmissão de energia no Brasil.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.