O Itaú Unibanco (ITUB4) reforçou sua posição na Eneva (ENEV3) com um aporte da ordem de R$ 1,77 bilhão na Eneva Participações III S.A., a Eneva III. O valor foi injetado via subscrição e integralização de novas ações preferenciais da subsidiária, segundo comunicado ao mercado. O movimento encabeça a agenda corporativa desta sexta-feira (16), que mistura capital novo em energia, acordo trabalhista de varejista sob recuperação judicial, renegociação de dívida de longo prazo e prévia operacional do setor imobiliário.

O que o aporte do Itaú muda na Eneva

A operação não passa por emissão direta na companhia listada: o dinheiro entra na holding intermediária, por meio de papel preferencial. Para quem acompanha a ENEV3, isso significa captar recursos ao lado de um sócio de peso sem, num primeiro momento, diluir a base da controladora. Setores intensivos em capital, como o de geração e comercialização de energia, dependem de fôlego financeiro para sustentar projetos de retorno longo. A entrada desses R$ 1,77 bilhão amplia a capacidade da Eneva III e tende a deslocar parte do risco de alavancagem para o parceiro financeiro — no caso, o próprio Itaú.

Casas Bahia: R$ 7,5 mil por trabalhador e a conta da recuperação

A Justiça do Trabalho no Distrito Federal homologou, na quinta-feira (15), o acordo que garante indenização a 4,3 mil ex-empregados das Casas Bahia (BHIA3), rede varejista em recuperação judicial desde agosto. O entendimento foi costurado com intermediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e aval da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). Pelo texto, cada trabalhador recebe R$ 7,5 mil, além de aviso prévio, multa de 40% sobre o FGTS e valores referentes a comissões, premiações e compensações para quem tinha direito aos benefícios antes da demissão.

O passivo trabalhista, antes em aberto, passa a ter valor e cronograma definidos. Em processos de reestruturação, essa previsibilidade tende a reduzir o grau de incerteza sobre o caixa da companhia — sem, contudo, resolver os demais desafios financeiros da operação.

Klabin alonga Puma II e reduz custo da dívida

A Klabin (KLBN11) conseguiu renegociar os empréstimos que financiaram o Projeto Puma II, o maior de sua história. O alongamento empurrou os vencimentos do tipo A Loan de 2032 para 2034 e os do B Loan de 2029 para 2033, com corte no custo financeiro. Adiar pagamentos e baratear juros liberam espaço no fluxo de caixa — movimento que costuma ganhar relevância em cenários de juros ainda elevados.

Transpetro dá partida à construção de quatro navios

No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande iniciou a construção do primeiro de quatro navios Handymax contratados pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. A cerimônia de batimento de quilha, marco que dá início à estrutura do casco, ocorreu na quinta-feira (15), no âmbito do Programa Mar Aberto, voltado à renovação e à ampliação da frota própria do Sistema Petrobras.

Brava Energia confirma gás em poço no Rio Grande do Norte

A Brava Energia (BRAV3) reportou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a presença de hidrocarbonetos no seu primeiro poço exploratório terrestre no Campo de Sanhaçu, na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. A informação foi levada ao mercado na noite da quinta-feira (15). Conforme a petroleira, a perfuração do poço de extensão 3-SAN-6D-RN chegou a 2.230 metros de profundidade final e achou o reservatório principal do campo saturado por gás. Em exploração e produção, poços exploratórios carregam risco geológico alto; confirmar gás num alvo inicial tende a diminuir a incerteza sobre o valor do ativo.

JPMorgan corta participação na Fleury para 4,87%

O Fleury (FLRY3) informou, na quinta-feira (15), ter tomado conhecimento de que o JPMorgan vendeu 1,4 milhão de ações ordinárias, o que levou a fatia do grupo econômico a 4,87% do total de ordinárias emitidas. A comunicação foi feita em cumprimento ao artigo 12 da Resolução CVM nº 44/2021, que trata da divulgação de participações acionárias relevantes. Reduções de posição por grandes instituições costumam chamar atenção do mercado, ainda que o evento, isolado, não altere os fundamentos da companhia.

Lavvi: vendas caem 14% e lançamentos avançam 48%

A Lavvi (LAVV3) divulgou prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 com números em sentidos opostos: recuo de 14% nas vendas na comparação anual e alta de 48% nos lançamentos. O valor geral de vendas (VGV) lançado alcançou R$ 368,4 milhões, contra R$ 249,5 milhões no terceiro trimestre de 2025, conforme comunicado da véspera. Quando as vendas caem e os lançamentos crescem, o dado sugere uma construtora priorizando recompor estoque para os próximos ciclos — decisão que só se converte em receita se a demanda absorver a oferta.

Mitre aprova R$ 12 milhões em dividendos

O conselho de administração da Mitre Realty (MTRE3) aprovou a distribuição de R$ 12 milhões em dividendos intermediários, o equivalente a R$ 0,11344855041 por ação ordinária. O pagamento será feito em três parcelas de R$ 4 milhões, sem correção monetária ou juros sobre o valor anunciado. Dividendos intermediários sinalizam disponibilidade de caixa no curto prazo, mas o acionista deve observar as datas de corte e pagamento divulgadas pela companhia.

O que esses oito movimentos dizem ao investidor

A agenda desta sexta-feira (16) combina três tipos de sinal. Há capital novo entrando (Eneva), passivo sendo equacionado (Casas Bahia) e dívida sendo alongada (Klabin) — os três tendem a reduzir incertezas de curto prazo. Do outro lado, aparecem sinais de mistura: exploração com risco decrescente (Brava), saída parcial de um grande acionista (Fleury) e desempenho operacional invertido (Lavvi). Para quem acompanha a B3, o conjunto reforça uma leitura de mercado atento a movimentos de estrutura de capital, e não apenas a resultado trimestral.