Uma carteira de R$ 10 mil em ações do Itaú (ITUB4) montada no início de 2016 teria alcançado cerca de R$ 67,6 mil dez anos depois, antes de impostos e taxas — retorno de aproximadamente 576% com os dividendos reinvestidos, conforme simulação histórica de plataforma de análise de ações. No mesmo intervalo, o lucro líquido anual do banco subiu de R$ 23,3 bilhões para R$ 44,9 bilhões, alta nominal perto de 93%.

O contraste entre os dois números é a chave de leitura da década. O resultado contábil cresceu bem menos que o retorno total das ações, e essa diferença tende a ser explicada, em grande medida, pelo efeito composto de reaplicar proventos ano após ano. O dividend yield — parcela do preço da ação devolvida ao acionista em proventos ao longo de doze meses — ficou, em média, em 5,7% ao ano entre 2016 e 2025.

Proventos em todos os dez exercícios, com bonificações pelo caminho

Segundo compilação feita com base em dados da B3 e da CVM, o Itaú remunerou o acionista em todos os dez exercícios completos do período. O cálculo de rentabilidade acompanha as bonificações e os desdobramentos registrados no histórico da ação, eventos que mudam a quantidade de papéis em carteira e distorcem qualquer comparação de cotação feita sem o devido ajuste. O percentual final, por sua vez, varia conforme a data em que a consulta é feita — o que ajuda a explicar diferenças de alguns pontos percentuais entre levantamentos distintos.

O lucro quase dobrou, com um tropeço em 2020

ExercícioLucro líquido anual
2016R$ 23,3 bilhões
2019R$ 27,1 bilhões
2020R$ 18,9 bilhões
2023R$ 33,1 bilhões
2024R$ 41,1 bilhões
2025R$ 44,9 bilhões

A trajetória não foi linear. O lucro de R$ 27,1 bilhões de 2019 encolheu para R$ 18,9 bilhões no ano da pandemia, quando o banco reforçou as provisões para perdas com crédito. A retomada veio em sequência: R$ 33,1 bilhões em 2023, R$ 41,1 bilhões em 2024 e R$ 44,9 bilhões em 2025. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente gerencial somou R$ 12,4 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, a rentabilidade obtida sobre o capital próprio) acima de 24%.

No caminho, o banco comprou a operação de varejo do Citibank no Brasil, em 2016, e fechou acordo para entrar no capital da XP Investimentos, em 2017 — dois movimentos que ampliaram a presença no mercado financeiro justamente durante a recessão.

De 4.554 agências a 2.277 unidades, com 70 milhões de clientes

A estrutura física encolheu quase pela metade. Eram 4.554 agências e postos de atendimento em 2016, quando o IBGE estimava 206,1 milhões de habitantes no país; ao fim de 2025, a rede somava 2.277 unidades, queda próxima de 50%, enquanto a população chegava a 213,4 milhões, avanço de cerca de 3,6%. A base de clientes pessoa física e jurídica informada pela instituição beirava 70 milhões no ano passado.

Apenas em 2025, mais de 4,6 milhões de contas foram abertas por canais digitais, que responderam por 68% das novas adesões, com a concentração de serviços no aplicativo único do banco e a integração dos clientes do iti. Para quem olha o resultado, o desenho é de custo fixo menor para atender um contingente maior de pessoas — uma alavanca de eficiência que, historicamente, costuma aparecer nos índices de produtividade e no ROE antes de chegar ao bolso do acionista.

Preço-alvo de R$ 54 no BTG Pactual e de R$ 50 na XP

Em relatório de 5 de outubro de 2026, o BTG Pactual reforçou o Itaú como sua única indicação de compra entre os bancos tradicionais que cobre, depois de uma conferência com executivos do setor em Nova York; a avaliação divulgada em 20 de outubro trazia preço-alvo de R$ 54 para ITUB4. A XP Investimentos, em atualização de agosto, manteve a indicação de compra e um alvo de R$ 50 para o encerramento de 2027 — os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da casa, apontam a qualidade da carteira de crédito e a geração de capital como sustentação da tese e veem na desaceleração das receitas com tarifas o principal desafio de curto prazo, lembrando que parte da qualidade operacional já está embutida nas cotações.

O que observar daqui para frente

O retorno de 576% é história, não projeção: ele depende de um ciclo de juros específico, de uma base de comparação deprimida em 2016 e da disciplina de distribuição mantida por dez anos seguidos. Para quem carrega o papel, três pontos concentram a atenção — a evolução da inadimplência em um eventual ciclo de crédito mais fraco, o ritmo das receitas com tarifas, apontado como ponto de atenção, e a capacidade de sustentar proventos perto da média histórica de 5,7% ao ano. Mudanças nesses três vetores tendem a alterar o retorno esperado mais do que qualquer revisão isolada de preço-alvo.