Principais pontos
- os vencimentos mais longos mantêm a inclinação acentuada, sinalizando que o prêmio de risco fiscal continua exigido pelos investidores
- O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central, indicador que antecipa o Produto Interno Bruto) surpreendeu ao registrar contração de 0,6% em junho
- O rendimento dos Treasuries (títulos públicos do Tesouro Americano) de 30 anos avançou cinco pontos-base, atingindo 5,31%
As taxas do Tesouro Direto operam em queda disseminada nesta segunda-feira (17), impulsionadas por um recuo generalizado da curva de juros que reflete tanto a fraqueza da atividade econômica local quanto o alívio cambial. O movimento, contudo, não é homogêneo: a ponta curta da curva reage aos dados domésticos, enquanto os vencimentos mais longos mantêm a inclinação acentuada, sinalizando que o prêmio de risco fiscal continua exigido pelos investidores.
O termômetro doméstico e a ponta curta
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central, indicador que antecipa o Produto Interno Bruto) surpreendeu ao registrar contração de 0,6% em junho, superando a previsão de queda de 0,53% levantada pela Reuters, muito embora o indicador tenha apresentado expansão de 0,2% no segundo trimestre. Esse dado de atividade mais fraco, somado à valorização do real, abre espaço para que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) avance em um ciclo de flexibilização monetária mais profundo do que o atualmente precificado.
Confira a evolução das taxas às 15h35, incluindo os títulos com Juros Semestrais (que distribuem cupons periódicos de renda ao investidor):
| Título | Sexta-feira | Segunda-feira |
|---|---|---|
| Prefixado 2029 | 14,42% | 14,34% |
| Prefixado 2032 | 14,81% | 14,73% |
| Prefixado Juros Semestrais 2037 | 14,84% | 14,78% |
| IPCA+ 2032 | 8,17% | 8,15% |
| IPCA+ 2040 | 7,68% | 7,63% |
| IPCA+ Juros Semestrais 2045 | 7,64% | 7,59% |
| IPCA+ 2050 | 7,40% | 7,35% |
Expectativas de inflação e risco fiscal
O Boletim Focus (relatório semanal de mercado do Banco Central com projeções de analistas) trouxe estabilidade para o curto prazo, mas acendeu o alerta na ponta longa. A projeção da Selic para o fim de 2026 foi mantida em 13,75%, ante os atuais 14%, e a estimativa de IPCA para o mesmo período permaneceu em 5,02%.
A divergência surge em 2027: a expectativa de inflação subiu de 4,22% para 4,24% — a quarta alta consecutiva para aquele ano —, enquanto a previsão de crescimento do PIB foi reduzida de 1,52% para 1,50%.
O peso dos Treasuries na curva longa
No mercado internacional, a pressão sobre a ponta longa é evidente. O rendimento dos Treasuries (títulos públicos do Tesouro Americano) de 30 anos avançou cinco pontos-base, atingindo 5,31%, o maior nível desde 2007. Esse movimento reflete a preocupação global com o aumento dos gastos do governo americano, a enxurrada de emissões de dívida de longo prazo e uma inflação nos EUA que persiste acima da meta do Fed (Federal Reserve, banco central americano) há cinco anos.
O diferencial entre os rendimentos dos Treasuries de dois e 30 anos subiu para 114 pontos-base, a maior diferença desde abril, espelhando a inclinação observada no mercado brasileiro. Para o investidor, isso significa que, embora o ciclo de cortes da Selic tenda a beneficiar os papéis de prazo mais curto atrelados à atividade local, a remuneração exigida para carregar risco fiscal e inflacionário no horizonte de uma década ou mais permanece elevada e sensível aos ventos externos.