Juros futuros revertem cinco quedas e renda fixa bancária segue com taxas de dois dígitos
Na ponta do investidor, os CDBs prefixados chegam a 14,200% ao ano com vencimento acima de 12 meses, os títulos atrelados à inflação pagam até IPCA+ 8,400% e os pós-fixados alcançam 101,55% do CDI no prazo de 12 meses. Os números constam do levantamento diário de emissões bancárias na plataforma da XP publicado pelo InfoMoney nesta quinta-feira (10). O dado ganha peso adicional pelo contexto: o dia marca a virada da curva de juros futuros, depois de cinco sessões seguidas de recuo nas taxas — um movimento que tende a redefinir a janela em quem busca travar remuneração elevada consegue fazê-lo.
A sequência de cinco quedas consecutivas na curva a termo foi interrompida nesta semana, com as taxas encerrando a quarta-feira em forte alta. Segundo a apuração da fonte, o movimento de ajuste foi puxado por realizações de lucros, pela disparada dos Treasuries (títulos de dívida do governo americano) e pela alta do petróleo Brent acima de US$ 100 o barril, além de novas repercussões em torno da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
As taxas do dia: onde estão as remunerações mais altas
Para além dos tetos da plataforma, o destaque do dia reúne quatro emissões pontuais listadas pela fonte:
| Título | Taxa | Vencimento |
|---|---|---|
| CDB Banco XP | 13,850% | setembro/2028 |
| CDB Pine | IPCA + 7,900% | setembro/2030 |
| LCA BTG Pactual | 85% do CDI | setembro/2028 |
| LCA Banco BOCOM | 80,5% do CDI | junho/2028 |
No agregado, as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio, isentas de Imposto de Renda para pessoa física) oferecem até 11,030% prefixado em um ano, até IPCA+ 5,530% em 12 meses e até 86% do CDI em prazos acima de um ano. Já as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário, com a mesma vantagem tributária) pagam até 10,900% prefixado em 12 meses e até 84,5% do CDI com vencimento em um ano. A plataforma lista, ao todo, mais de 1 mil opções de ativos de renda fixa bancária — com a ressalva, feita pela própria fonte, de que as ofertas são limitadas à capacidade disponível de cada produto no dia.
A leitura do mercado: por que a alta de hoje importa
O contraste entre as sessões anteriores e o fechamento de quarta-feira é o centro da leitura analítica. As cinco quedas seguidas haviam sido sustentadas, segundo a fonte, pela percepção de que um cenário fiscal favorável poderia se consolidar com o fortalecimento de candidaturas de oposição ao atual governo nas pesquisas. Na sessão de quarta, o mercado optou por recomprar taxas para embolsar os ganhos recentes — comportamento de realização de lucros que historicamente costuma alternar com as tendências de fundo da curva.
O DI (Depósito Interfinanceiro, contrato futuro que precifica a taxa média entre bancos e serve de referência para a renda fixa) fechou assim:
O DI para janeiro de 2028 subiu 11 pontos-base (cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual), a 13,63%, ante ajuste prévio de 13,522%; no trecho longo, a taxa para janeiro de 2035 avançou 20 pontos-base, a 14,22%, ante 14,02%.
A consequência prática para quem acompanha o mercado é direta: enquanto a curva esteve em queda, as emissões com taxas de dois dígitos conviviam com a expectativa de que os tetos diários recuassem ao longo das próximas semanas. Com a reversão, essa premissa perde força no curto prazo — a leitura é que a oferta de prefixados e títulos de inflação a patamares como 14,200% e IPCA+ 8,400% pode se sustentar por mais tempo, embora a volatilidade de fatores externos (Treasuries, petróleo) e o desdobramento da crise no STF tendam a ditar o ritmo dos próximos ajustes. Vale lembrar que as altas de curto e longo prazos foram assimétricas — 11 contra 20 pontos-base —, indicando que a pressão vendedora se concentrou no trecho longo da curva.
