Principais pontos
- A caderneta de poupança registrou saque líquido de R$ 10,573 bilhões em agosto, segundo o Banco Central.
- Considerando o rendimento de R$ 6,507 bilhões, o saldo da modalidade atingiu R$ 1,016 trilhão.
- O Banco Central Europeu elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,50% ao ano.
- O volume do setor de serviços ficou estável em julho na comparação com junho e avançou 0,9% frente ao mesmo mês de 2025.
Poupança esvazia e vira o dado mais revelador do pregão
A caderneta de poupança registrou saque líquido de R$ 10,573 bilhões em agosto, segundo o Banco Central, no mesmo dia em que o Ibovespa renovou a mínima aos 184.783,58 pontos — baixa de 0,46% —, o dólar comercial avançou a R$ 5,128 e a curva de juros futuros subiu em praticamente todos os vencimentos. O número da caderneta foi divulgado às 9h36, ficou ofuscado pela abertura do pregão e, ainda assim, é o que melhor mede a velocidade com que o investidor brasileiro está deixando o investimento mais tradicional do país.
O Banco Central informou nesta quinta-feira que os depósitos somaram R$ 357,652 bilhões e as retiradas alcançaram R$ 368,225 bilhões em agosto. Considerando o rendimento de R$ 6,507 bilhões, o saldo da modalidade atingiu R$ 1,016 trilhão. No acumulado do ano, a caderneta tem saque líquido de R$ 57,082 bilhões, com R$ 2,865 trilhões em depósitos e R$ 2,922 trilhões em retiradas, e rendimento de R$ 50,731 bilhões entre janeiro e agosto.
| Métrica | Agosto de 2026 | Acumulado 2026 (jan-ago) |
|---|---|---|
| Depósitos | R$ 357,652 bilhões | R$ 2,865 trilhões |
| Retiradas | R$ 368,225 bilhões | R$ 2,922 trilhões |
| Resultado líquido | -R$ 10,573 bilhões | -R$ 57,082 bilhões |
| Rendimento | R$ 6,507 bilhões | R$ 50,731 bilhões |
| Saldo | R$ 1,016 trilhão | — |
O que a fuga da caderneta muda para quem investe
O fluxo tem uma consequência prática para quem organiza a reserva financeira em casa. A caderneta, historicamente, tende a perder competitividade quando a taxa básica de juros permanece em dois dígitos, porque sua correção costuma andar atrás da de aplicações atreladas à Selic. O dado de agosto mostra que esse movimento não é pontual: são R$ 57,082 bilhões líquidos retirados só nos oito primeiros meses de 2026, um ritmo que, se mantido, tende a fazer de 2026 mais um ano de encolhimento do saldo relativo da modalidade.
A leitura do Ativo Virtual é que o dado dialoga diretamente com o restante da sessão. O economista-sênior do Inter, André Valério, projeta que o Copom siga cortando a Selic nas reuniões restantes do ano, com a taxa alcançando 13,25% em dezembro. Mesmo em trajetória de queda, a taxa básica segue em patamar que costuma tornar a poupança pouco atraente frente a alternativas de renda fixa — e é justamente esse diferencial que explica a persistência dos saques.
Há um segundo efeito, menos discutido. Quando a caderneta deixa de ser o destino natural do dinheiro de curto prazo, o comportamento do investidor pessoa física muda: cresce a parcela de recursos que circula por produtos com prazo, marcação a mercado e algum grau de risco de preço. Para quem tem posições em renda variável, isso significa uma base de investidores mais sensível a oscilações de curto prazo, como a queda de 0,46% do Ibovespa registrada nesta quinta-feira. Historicamente, fluxos com maior tolerância a volatilidade reagem de forma mais rápida a dias de aversão a risco.
O saldo de R$ 1,016 trilhão da caderneta continua relevante em termos absolutos, mas o rendimento de R$ 6,507 bilhões em agosto foi insuficiente para compensar as retiradas de R$ 368,225 bilhões. É esse descasamento — entre o que rende e o que sai — que sustenta a trajetória de retração.
Ibovespa, dólar e juros: o retrato da manhã de quinta
A sessão começou sob pressão. O Ibovespa abriu em queda preliminar de 0,05%, aos 185.545,12 pontos, e o índice de Small Caps (SMLL, que reúne empresas de menor capitalização) cedeu 0,04%, aos 2.232,97 pontos. Após os leilões de abertura, o Ibovespa saiu com baixa de 0,22%, aos 185.217,19 pontos, e renovou a mínima do dia às 10h13, aos 184.783,58 pontos, com recuo de 0,46%.
No câmbio, o dólar comercial abriu em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,117 na compra e R$ 5,118 na venda, e ampliou o avanço ao longo da manhã: às 9h50 subia 0,32%, a R$ 5,128. A primeira parcial da PTAX — taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central e usada em contratos e liquidações — apontou compra a R$ 5,1322 e venda a R$ 5,1328.
O dólar futuro abriu em alta de 0,31%, aos 5.144,00, e o minidólar com vencimento em outubro (WDOV26) subiu 0,31%, a 5.143,50. No exterior, o DXY — índice que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes — avançava 0,15%, aos 98,97 pontos, enquanto o EWZ, ETF negociado em Nova York que replica o comportamento do Ibovespa, caía 0,53% na pré-abertura.
Do lado dos derivativos da bolsa, o Ibovespa futuro abriu em baixa de 0,69%, aos 187.300 pontos, e o mini-índice com vencimento em outubro (WINV26) recuava 0,73%, aos 187.215 pontos. O Bitcoin futuro (BITFUT) abria com menos 0,06%, aos 400.620,00.
| Indicador | Abertura | Nível |
|---|---|---|
| Ibovespa (abertura preliminar) | -0,05% | 185.545,12 pontos |
| Ibovespa (após leilões) | -0,22% | 185.217,19 pontos |
| Ibovespa (mínima do dia) | -0,46% | 184.783,58 pontos |
| SMLL (small caps) | -0,04% | 2.232,97 pontos |
| Dólar comercial | +0,11% | R$ 5,117 / R$ 5,118 |
| Ibovespa futuro | -0,69% | 187.300 pontos |
| Mini-índice WINV26 | -0,73% | 187.215 pontos |
| Dólar futuro | +0,31% | 5.144,00 |
| Minidólar WDOV26 | +0,31% | 5.143,50 |
| DXY | +0,15% | 98,97 pontos |
| EWZ (pré-abertura) | -0,53% | — |
| Bitcoin futuro (BITFUT) | -0,06% | 400.620,00 |
A curva de juros subiu inteira: o que os DIs sinalizam
Os juros futuros abriram o dia com altas por toda a curva, um movimento que merece atenção porque o DI (Depósito Interfinanceiro futuro) é o contrato que projeta a taxa média dos empréstimos entre bancos e funciona como termômetro do que o mercado espera para a Selic nos próximos anos.
| Contrato | Taxa (%) | Variação (p.p.) |
|---|---|---|
| DI1F27 | 13,580 | 0,000 |
| DI1F28 | 13,650 | 0,025 |
| DI1F29 | 13,910 | 0,045 |
| DI1F31 | 14,150 | 0,055 |
| DI1F32 | 14,230 | 0,060 |
| DI1F33 | 14,265 | 0,050 |
| DI1F34 | 14,270 | 0,030 |
| DI1F35 | 14,270 | 0,040 |
O primeiro vencimento, DI1F27, ficou estável em 13,580%. A partir daí, as taxas sobem de forma quase contínua até 14,270% nos vencimentos de 2034 e 2035, com os maiores ajustes de alta concentrados nos prazos intermediários: +0,060 p.p. no DI1F32 e +0,055 p.p. no DI1F31.
A leitura é que o mercado precifica, ao mesmo tempo, um ciclo de afrouxamento gradual da política monetária e uma dose extra de prêmio nos prazos longos. Esse prêmio tende a refletir a combinação de risco fiscal, incerteza sobre a inflação de serviços e o ambiente externo mais apertado, tema que ganhou força com a decisão do Banco Central Europeu no mesmo horário.
Serviços param em julho e mexem na aposta sobre a Selic
O volume do setor de serviços ficou estável em julho na comparação com junho e avançou 0,9% frente ao mesmo mês de 2025, segundo o IBGE. O resultado frustrou projeções de leve alta e foi o terceiro mês consecutivo de desempenho fraco na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), levantamento que mede a atividade do setor que responde pela maior fatia do PIB brasileiro.
Para o economista Leonardo Costa, do ASA, a estabilidade na margem deixou a PMS de julho mais fraca que o esperado. Em sua avaliação, o quadro segue apontando para uma atividade mais fraca na segunda metade de 2026, com continuidade da desaceleração gradual, e a projeção da casa é de crescimento de +0,2% para o PIB do terceiro trimestre de 2026.
André Valério, economista-sênior do Inter, observa que, frente a julho de 2025, o setor cresceu 0,9% e acumula ganhos de 1,9% no ano e de 2,4% nos últimos 12 meses — números que mostram desaceleração em todas as métricas. No acumulado em 12 meses, o resultado de julho é o menor desde setembro de 2024.
O detalhamento da pesquisa ajuda a entender o desempenho. Das cinco atividades investigadas, quatro avançaram no volume de serviços prestados no mês. A exceção foram os serviços de informação e comunicação, que recuaram 2,5%. No ano, apenas os serviços de TI, subdivisão dos serviços de informação e comunicação, respondem por dois terços de todo o crescimento do setor.
Valério chama atenção para a natureza desse motor. O segmento de tecnologia é o que o economista descreve como asset light — isto é, intensivo em conhecimento e pouco dependente de ativos físicos —, menos sensível às taxas de juros e mais correlacionado ao ciclo econômico internacional. É justamente essa característica que explica por que a atividade de serviços não desabou apesar da política monetária contracionista.
A conclusão do economista do Inter aponta para um cenário que interessa diretamente a quem acompanha a renda fixa: os dados recentes de atividade são unânimes em indicar moderação do ritmo de crescimento, movimento que deve persistir pelos próximos meses e entrar em 2027, abrindo espaço para que o Copom siga ajustando a Selic. Para a reunião de setembro, um corte de 25 pontos-base é consenso, e a casa espera que o ciclo continue nas reuniões restantes do ano, com a Selic alcançando 13,25% em dezembro.
O BCE subiu os juros a 2,50% e azedou o humor global
O Banco Central Europeu elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,50% ao ano, decisão que saiu às 9h24 e ajudou a explicar a piora dos ativos de risco ao longo da manhã. A autoridade monetária europeia descreveu o cenário como altamente incerto, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento econômico.
| Projeção do BCE | 2026 | 2027 | 2028 |
|---|---|---|---|
| Inflação cheia | 3,0% | 2,5% | 2,1% |
| Núcleo da inflação | 2,5% | 2,6% | 2,3% |
| Crescimento do PIB | 0,9% | 1,4% | 1,5% |
As novas projeções mostram a inflação cheia em 3,0% neste ano, caindo para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. O núcleo — medida que suaviza a volatilidade dos itens mais instáveis e é acompanhada de perto pelos bancos centrais — ficaria em 2,5% em 2026, subiria para 2,6% em 2027 e recuaria a 2,3% em 2028. Para o crescimento, a projeção é de 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028.
A consequência para o investidor brasileiro é indireta, mas relevante. Um BCE em modo de aperto tende a fortalecer o euro e o dólar frente a moedas emergentes, o que ajuda a explicar o DXY a 98,97 pontos e o dólar comercial a R$ 5,128 no mesmo pregão. Ambientes de liquidez global mais restrita, historicamente, costumam penalizar bolsas emergentes — e o recuo do EWZ na pré-abertura americana aponta nessa direção.
PPI dos EUA e seguro-desemprego: o que o Fed tem na mesa
Do outro lado do Atlântico, os preços ao produtor dos Estados Unidos vieram em linha no número cheio e mais fracos no núcleo mensal, mas com pressão anual acima do esperado. O PPI (índice de preços ao produtor, que mede a variação de preços na saída das fábricas e antecipa parte da pressão sobre o consumidor final) subiu 0,4% em agosto na comparação com julho, em linha com o esperado. O dado de julho, frente a junho, foi revisado para alta de 0,1%, ante leitura anterior de estabilidade.
Na comparação anual, o PPI cheio avançou 5,4% em agosto, acima da expectativa de 5,3%. Em julho, a alta havia sido de 4,8%, revisada de mais 4,7%.
| Indicador (EUA) | Agosto/2026 | Julho/2026 (revisado) | Comparação com o esperado |
|---|---|---|---|
| PPI cheio (mês) | +0,4% | +0,1% | em linha |
| PPI cheio (ano) | +5,4% | +4,8% | acima de 5,3% |
| Núcleo do PPI (mês) | +0,2% | +0,3% | abaixo de 0,3% |
| Núcleo do PPI (ano) | +4,6% | +4,3% | em linha |
O núcleo do PPI, que exclui os itens mais voláteis, subiu 0,2% em agosto na comparação com julho, abaixo do 0,3% esperado. Em julho, frente a junho, a alta havia sido de 0,3%, revisada de mais 0,2%. No acumulado em 12 meses, o núcleo avançou 4,6%, como esperado, depois de subir 4,3% em julho, número revisado de mais 4,2%.
No mercado de trabalho, os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram em 206 mil na semana, acima da expectativa de 205 mil. A leitura da semana anterior apontou 207 mil, revisada de 206 mil. A média das últimas quatro semanas ficou em 206,00 mil, abaixo da média das quatro semanas encerradas na semana anterior, de 207,50 mil, revisada de 207,25 mil. Os pedidos contínuos somaram 1,774 milhão, abaixo do 1,775 milhão da semana anterior, revisado de 1,779 milhão.
O conjunto levou a ferramenta CME/FedWatch a indicar 62% de probabilidade de alta dos juros americanos na reunião de 16 de setembro. Os percentuais associados às faixas monitoradas apareciam assim: 4,00%-4,25% em 17,9%, 3,75%-4,00% em 62,2% e 3,50%-3,75% em 37,8% para 16 de setembro; para 28 de outubro, a distribuição mostrava 55,2% e 26,9% nas duas leituras mais relevantes.
Para quem investe em ativos brasileiros, o ponto central é o diferencial de juros. Se os Estados Unidos mantiverem a porta aberta para novas altas, o espaço para quedas mais rápidas da Selic tende a ficar mais estreito, o que ajuda a explicar a alta generalizada dos DIs vista nesta quinta-feira, mesmo com a atividade doméstica mais fraca.
Petróleo: Opep corta demanda e Arábia Saudita vai ao menor nível desde 1990
A Opep reduziu sua previsão para o crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026 para 380 mil barris por dia (bpd), marcando a quinta revisão consecutiva para baixo. O grupo de produtores continua vendo um impacto menor no consumo desde o início da guerra no Irã do que o previsto por outras entidades, como a Agência Internacional de Energia (IEA), que espera diminuição da demanda em 2026. A organização, por outro lado, elevou sua previsão de crescimento da demanda para 2027.
A Arábia Saudita informou que sua produção de petróleo atingiu o menor nível desde 1990. O revés para o líder da Opep, após meses de recuperação, ilustra as consequências do prolongado conflito com o Irã para os produtores de energia do Oriente Médio.
O cenário logístico acrescenta uma camada de risco. Os carregamentos de petróleo bruto e condensado da Arábia Saudita no porto de Yanbu, no Mar Vermelho — centro importante para contornar o Estreito de Ormuz — recuperaram-se em setembro, após atingirem a mínima em seis meses em agosto, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler e da Vortexa. Os embarques em Yanbu subiram para 3,7 milhões de bpd em setembro, ante 3,2 milhões de bpd em agosto, o nível mais baixo desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, segundo a Vortexa. A Kpler estimou volumes menores, de 2,9 milhões de bpd em setembro, contra apenas 1,5 milhão de bpd no mês anterior.
O avanço das forças Houthi ao longo da costa do Mar Vermelho ameaça essa recuperação. Os carregamentos em Yanbu já haviam diminuído no fim de julho e em agosto por causa da intensificação dos ataques apoiados pelo Irã perto do estreito de Bab el-Mandeb.
O reflexo na B3 e na bomba de combustível
O noticiário de oferta sustentou os papéis ligados a petróleo na abertura. A Petrobras subiu 1,02% (PETR3) e 1,30% (PETR4), enquanto as petroleiras juniores avançaram com força: PRIO3 +2,11%, RECV3 +1,75% e BRAV3 +2,44%. Na ponta oposta, a Vale (VALE3) iniciou o dia com baixa de 1,81%, a R$ 77,67.
No mercado de combustíveis, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontou que os preços no Brasil seguem com ampla diferença abaixo da paridade internacional — a referência que compara o preço doméstico ao custo de importação. O diesel S10 ficou 98% abaixo da paridade, ou R$ 3,20, contra 88% e R$ 2,87 na leitura anterior. A gasolina A apareceu 35% abaixo, ou R$ 0,96, ante 47% e R$ 1,20 no dia anterior.
| Combustível (média nacional) | Diferença vs. paridade | Em R$ | Leitura de ontem |
|---|---|---|---|
| Diesel S10 | -98% | -R$ 3,20 | -88% / -R$ 2,87 |
| Gasolina A | -35% | -R$ 0,96 | -47% / -R$ 1,20 |
O dado importa porque mostra o tamanho do colchão que separa o preço doméstico da referência externa. A Petrobras reajustou os preços da gasolina na véspera, enquanto o diesel segue sem reajuste há 103 dias. Em um cenário de petróleo pressionado por risco geopolítico, esse descasamento é o principal vetor de incerteza para o custo logístico e para a inflação de transporte.
Siderúrgicas, bancos e frigoríficos: o mapa das ações na abertura
A dispersão setorial foi o traço marcante da primeira hora de pregão. As siderúrgicas abriram em baixa generalizada, com destaque para CSNA3 (-4,22%) e USIM5 (-3,41%), seguidas por GOAU4 (-1,16%) e GGBR4 (-0,71%).
Os grandes bancos também começaram o dia no vermelho: SANB11 recuava 0,87%, BBAS3 cedia 0,77%, ITUB4 perdia 0,58% e BBDC4 caía 0,28%. A B3 (B3SA3) abriu com baixa de 0,64%, a R$ 17,18. Os frigoríficos vieram na mesma direção, com BEEF3 em -0,25% e MBRF3 em -0,47%.
Entre as demais companhias monitoradas, a Embraer (EMBJ3) abriu em alta de 0,23%, a R$ 95,49, mas já virava para baixa minutos depois, com menos 0,37%, a R$ 94,92. A Hapvida (HAPV3) começou o dia com baixa de 0,43%, a R$ 6,97, e a Axia Energia (AXIA3) recuava 0,40%, a R$ 54,86.
| Ativo | Variação na abertura | Preço |
|---|---|---|
| CSNA3 | -4,22% | — |
| USIM5 | -3,41% | — |
| VALE3 | -1,81% | R$ 77,67 |
| GOAU4 | -1,16% | — |
| SANB11 | -0,87% | — |
| BBAS3 | -0,77% | — |
| GGBR4 | -0,71% | — |
| B3SA3 | -0,64% | R$ 17,18 |
| ITUB4 | -0,58% | — |
| MBRF3 | -0,47% | — |
| HAPV3 | -0,43% | R$ 6,97 |
| AXIA3 | -0,40% | R$ 54,86 |
| EMBJ3 | +0,23% | R$ 95,49 |
| BBDC4 | -0,28% | — |
| BEEF3 | -0,25% | — |
| PETR3 | +1,02% | — |
| PETR4 | +1,30% | — |
| RECV3 | +1,75% | — |
| PRIO3 | +2,11% | — |
| BRAV3 | +2,44% | — |
A leitura setorial é direta: o dia premiou a exposição a petróleo e penalizou siderurgia, setor cuja rentabilidade costuma depender de atividade doméstica e de demanda por construção e bens de capital — exatamente os vetores que a PMS de julho mostrou enfraquecidos. Para quem acompanha a bolsa por setores, a sessão de quinta ofereceu um retrato da assimetria entre o ciclo global de commodities energéticas e o ciclo doméstico de investimento.
O casadão do Banco Central e o efeito teórico nulo sobre o dólar
Às 9h40, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso. O swap reverso é uma operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações simultâneas são conhecidas no mercado como "casadão" e servem para dar liquidez ao mercado.
O efeito das operações sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão na outra. No leilão à vista, o diferencial de corte foi de -0,000300 e foram aceitas seis propostas no valor total de US$ 1 bilhão. No leilão de swap reverso, a taxa de corte foi de 4,6510 e foram aceitas quatro propostas, no total de 20.000 contratos, no valor de US$ 1 bilhão. A data de início dos contratos é 11 de setembro de 2026 e o vencimento, 1º de outubro de 2026.
O que o investidor deve extrair da operação é o sinal de funcionamento do mercado, não uma aposta direcional. Atuações simultâneas desse tipo costumam indicar que o BC está confortável com o nível da liquidez corrente e não busca influenciar a cotação, apenas recompor estoques e rolar posições. O dólar, ainda assim, seguiu em alta ao longo da manhã, o que reforça que o movimento veio de fora para dentro.
IRB(Re), Marcopolo e a agenda corporativa do dia
O IRB(Re) informou nesta quinta-feira que recebeu autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para iniciar as operações de duas novas seguradoras estruturadas para atuar nos segmentos de danos, de pessoas e de previdência privada. O regulador autorizou na véspera o início das operações da IRB(Seg) Corporate Seguradora S.A. e da IRB(Seg) Vida e Previdência Seguradora S.A., empresas criadas em junho.
No comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a autorização conclui o processo regulatório necessário para que as novas seguradoras se tornem operacionais e representa mais um passo na estratégia de diversificação e ampliação da plataforma de negócios. O IRB(Re) reforçou que as novas unidades ampliam sua presença na cadeia de valor do setor securitário sem mudanças na condução do negócio original de prover resseguro a cedentes no território brasileiro — o resseguro é o mecanismo pelo qual uma seguradora transfere parte do risco que assumiu a um ressegurador.
Na Marcopolo (POMO4), a sinalização veio de executivos da companhia, que veem potencial de retomada do mercado argentino em 2027. Segundo o executivo e sua equipe, a Argentina é um mercado que, desde 2018, não renova sua frota no ritmo necessário. A leitura é que o mercado argentino funciona, para o setor de ônibus e implementos, como uma demanda represada: quanto mais tempo passa sem renovação, maior o estoque de veículos a substituir — mas a concretização depende de condições macroeconômicas que não estão sob controle da empresa.
O Mercado Livre emitiu US$ 1 bilhão em dívida com prazo de 10 anos, segundo a IFR. A companhia planeja utilizar os recursos para fins corporativos gerais. Emissores brasileiros e latino-americanos costumam aproveitar janelas de apetite internacional para alongar passivos, e a operação ocorre justamente em um dia de dólar mais forte e juros globais pressionados.
Gás, poupança e política: os outros fatos que circularam no dia
O Ministério de Minas e Energia pretende realizar em outubro o primeiro leilão da Pré-Sal Petróleo (PPSA) para oferta de gás natural processado da União. A proposta de regramento foi colocada em consulta pública nesta quinta-feira. O certame vem após o governo federal aprovar neste ano uma resolução que permite à PPSA comercializar também o gás da União, priorizando a oferta do insumo para a indústria de base.
Segundo cálculos do governo, com a medida, o preço do gás para a indústria nacional poderá ser reduzido em pelo menos 50%. As regras propostas preveem entregas de 2026 a 2030 — para este ano, o leilão está definido para outubro, e para os anos seguintes não foi fixado mês específico. Do lado comprador, terão prioridade consumidores livres industriais dos setores químico e petroquímico, fertilizantes, siderúrgico, metalúrgico e mineração, ceramista e vidreiro.
A política entrou no noticiário com a promessa de "dividendo" de US$ 5 mil para cada americano adulto caso os republicanos vençam as eleições de novembro e conquistem maioria na Câmara e no Senado. A conta poderia chegar a US$ 1,2 trilhão, segundo a proposta.
Nos bastidores, o PT iniciou uma ofensiva contra o ministro André Mendonça que envolve o presidente Lula e pede apoio de militantes. Conselheiros do presidente veem Mendonça como responsável pelo momento ruim nas pesquisas de intenção de voto. O tema tem relevância indireta para o mercado porque qualquer ruído institucional tende a aparecer no prêmio embutido na curva de juros longa — exatamente o trecho da curva que mais subiu nesta quinta-feira.
O que observar a partir daqui
Três datas concentram a atenção do investidor nos próximos dias. A primeira é 16 de setembro, quando o Federal Reserve decide os juros americanos com 62% do mercado apostando em alta, segundo o CME/FedWatch. A segunda é a reunião do Copom em setembro, para a qual um corte de 25 pontos-base é consenso entre as casas consultadas, com o Inter projetando o ciclo se estendendo até dezembro e a Selic chegando a 13,25%.
A terceira é outubro, mês previsto para o primeiro leilão de gás da PPSA. A proposta de reduzir em pelo menos 50% o preço do insumo para a indústria de base interessa diretamente a setores que apareceram no vermelho nesta quinta-feira, como siderurgia, metalurgia e mineração.
Do lado dos combustíveis, o relógio segue correndo: o diesel acumula 103 dias sem reajuste, enquanto a defasagem frente à paridade internacional medida pela Abicom chegou a 98% no S10, ou R$ 3,20 por litro. Historicamente, defasagens amplas e prolongadas tendem a se resolver em algum momento — por reajuste ou por compressão das margens —, e é esse o risco assimétrico que ronda o custo de transporte e, por consequência, a inflação de serviços, que já mostra desaceleração na margem.
No câmbio, o mercado acompanha se o dólar consolidará o patamar acima de R$ 5,12. A combinação de BCE em aperto, PPI americano pressionado e pedidos de seguro-desemprego ainda baixos sustenta a força global da moeda americana. Para quem tem exposição internacional na carteira, esse é o vetor que tende a prevalecer no curto prazo. Para quem tem exposição doméstica, a pergunta é se a atividade mais fraca medida pelo IBGE será suficiente para sustentar a queda da Selic, mesmo com o juros futuros longos em alta nesta quinta-feira.
E, no pano de fundo, o dado que abriu esta análise continua sendo o mais eloquente: R$ 57,082 bilhões saíram da poupança em oito meses. É o termômetro silencioso de como o investidor brasileiro está reposicionando o próprio dinheiro.
