O Banco Safra projeta Ebitda de R$ 1,86 bilhão para a Klabin (KLBN11) no terceiro trimestre de 2026 — patamar 11% abaixo do consenso de analistas, estimado em R$ 2,08 bilhões, e 1% menor que o apurado no 2T26. A prévia de resultados foi divulgada na segunda-feira, 19 de outubro. Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que isola a eficiência operacional da estrutura de capital.

A origem da diferença não está na quantidade embarcada, e sim no ganho por tonelada. O Safra projeta 1,04 milhão de toneladas vendidas no período, sem contar madeira — 2% acima do trimestre anterior. O Ebitda por tonelada, porém, recua 7%, para R$ 1.791. Para quem acompanha a companhia, o dado desloca o foco: crescer em embarques deixou de significar crescer em resultado.

Volume 2% maior, Ebitda por tonelada 7% menor

Projeção Safra para o 3T26ValorComparação
Ebitda totalR$ 1,86 bilhão-1% vs 2T26
Ebitda vs consensoR$ 2,08 bilhões (consenso)-11%
Volume vendido (ex-madeira)1,04 milhão de t+2% vs 2T26
Ebitda por toneladaR$ 1.791-7% vs 2T26
Custo caixa por toneladaR$ 3.312—

A abertura do volume mostra onde o trimestre respira e onde ele trava. A celulose responde por 396 mil toneladas; papel e embalagens somam 204 mil e 280 mil toneladas, nessa ordem. A sazonalidade favorece sobretudo o cartão revestido, e o banco também projeta mais caixas de papelão ondulado saindo das fábricas — vetores que sustentam o segmento de embalagens num período de preço internacional de celulose mais fraco.

Otacílio Costa, floresta e El Niño: a conta que chega a R$ 3.312

A pressão de custo tem endereço definido. A parada de manutenção da unidade de Otacílio Costa, em Santa Catarina — interrupção programada da produção para revisão de equipamentos —, soma-se a despesas florestais maiores e a medidas preventivas associadas ao El Niño. O efeito agregado aparece no custo caixa total projetado em R$ 3.312 por tonelada, base sobre a qual o Ebitda unitário de R$ 1.791 deixa pouca folga.

Suzano avança 26%, Dexco recupera e CMPC frustra

A temporada do setor de papel e celulose não é uniforme. Para a Suzano (SUZB3), o Safra estima Ebitda de R$ 6 bilhões, avanço de 26% sobre o 2T26 e 3% acima do consenso de R$ 5,8 bilhões. O impulso vem da consolidação da Arbex e do segmento de papel e bens de consumo, projetado em R$ 1,3 bilhão — mais que o dobro do trimestre anterior. A divisão de celulose, por sua vez, recua 8%, para cerca de R$ 4,8 bilhões, mesmo com embarques 4% maiores (3 milhões de toneladas) e preço médio de US$ 589 por tonelada, 2% menor na comparação trimestral.

Na Dexco (DXCO3), a projeção é de Ebitda ajustado de R$ 576 milhões, 16% acima do 2T26, ainda assim 6% abaixo do consenso de R$ 611 milhões; a divisão de madeira responde por R$ 522 milhões, com preços realizados 2% maiores e embarques 3% superiores. Já a chilena CMPC aparece com US$ 265 milhões, retração de 2% no trimestre e 13% abaixo do esperado pelo mercado, afetada justamente pelo negócio de celulose.

EmpresaEbitda projetadoVariação vs 2T26Frente ao consenso
Klabin (KLBN11)R$ 1,86 bi-1%-11%
Suzano (SUZB3)R$ 6,0 bi+26%+3%
Dexco (DXCO3)R$ 576 mi+16%-6%
CMPCUS$ 265 mi-2%-13%

O que passa a pesar na leitura do balanço

Para quem acompanha o setor pela B3, o foco tende a migrar do volume para o par formado por custo caixa e preço realizado. Um trimestre com mais toneladas vendidas e Ebitda unitário menor indica que a alavanca de resultado deixou de ser operacional-logística e passou a ser de preço e de eficiência de custo. A consolidação da Arbex e o peso de papel e bens de consumo na Suzano funcionam como amortecedores ausentes no caso da Klabin, cuja melhora de embarques não compensou a perda de rentabilidade.

O próprio Safra atribui a dispersão entre as companhias à combinação de preços internacionais, custos operacionais e características específicas de cada negócio. Como se trata de uma prévia, as estimativas ainda serão confrontadas com os números efetivos do terceiro trimestre — e é nesse confronto que o mercado vai medir se a queda de 7% no Ebitda por tonelada foi pontual ou estrutural.