Principais pontos

  • Na mais recente apresentação de resultados, a Tesla informou que o modelo ainda estava em "desenvolvimento de design" — sinal de que a produção não é iminente.
  • O Roadster de segunda geração já foi adiado várias vezes.
  • Em fevereiro de 2018, o próprio Roadster vermelho-cereja de Musk foi lançado ao espaço como carga útil do primeiro voo do foguete Falcon Heavy
  • Naquele mesmo ano, Musk afirmou que o pacote opcional SpaceX para o novo Tesla Roadster incluiria cerca de 10 pequenos propulsores de foguete dispostos ao redor do carro

A Tesla deu uma prévia de um evento marcado para 1º de outubro, data em que pretende apresentar o Roadster de nova geração — esportivo de nicho que o CEO Elon Musk revelou pela primeira vez em novembro de 2017. A montadora mais valiosa do mundo, sediada em Austin, não divulgou prazos nem volumes, mas o anúncio recoloca no radar do mercado um tema recorrente entre investidores: a hipótese de fusão entre a Tesla e a SpaceX.

Por que o evento importa mais pela narrativa do que pelo carro

A escolha da expressão "Go for launch" ("Pronto para lançamento", em tradução livre) na prévia é o primeiro indício de que a apresentação será menos sobre o veículo e mais sobre o simbolismo ao redor dele. A frase remete aos lançamentos de foguetes da SpaceX, empresa também comandada por Musk, e chega num momento em que a simples menção às duas companhias juntas costuma amplificar as apostas em uma combinação societária.

A leitura do Ativo Virtual é que o Roadster é um produto de baixo volume, incapaz de alterar a linha enxuta da Tesla — que hoje fabrica o Model 3, o Model Y, o Cybertruck e o caminhão Semi, além de desenvolver o Cybercab, veículo para duas pessoas central na aposta da empresa em condução autônoma. O que muda para quem acompanha a companhia é o efeito de narrativa: eventos ao vivo já foram usados pela Tesla para gerar entusiasmo entre clientes e investidores, e esse tipo de anúncio historicamente costuma vir acompanhado de volatilidade.

Uma trajetória de adiamentos

O Roadster de segunda geração já foi adiado várias vezes. Na mais recente apresentação de resultados, a Tesla informou que o modelo ainda estava em "desenvolvimento de design" — sinal de que a produção não é iminente. O próprio Musk, no entanto, alimentou a expectativa: na teleconferência do primeiro trimestre, em abril, afirmou que o carro pode ser "uma das demonstrações mais espetaculares de todos os tempos".

DataMarco
Novembro de 2017Musk revela o Roadster de nova geração
Fevereiro de 2018Esportivo de Musk viaja ao espaço como carga do Falcon Heavy
Abril (1º trimestre)Musk diz que o Roadster pode ser uma das "demonstrações mais espetaculares"
1º de outubroEvento de apresentação do Roadster de nova geração

O que observar daqui para frente

O vínculo entre Tesla e SpaceX não é novo. Em fevereiro de 2018, o próprio Roadster vermelho-cereja de Musk foi lançado ao espaço como carga útil do primeiro voo do foguete Falcon Heavy, encerrando uma transmissão ao vivo de 43 minutos que reuniu milhões de espectadores ao som de "Life on Mars?", de David Bowie. O episódio virou símbolo da estratégia de marketing de Musk, que mistura produtos das duas empresas.

Naquele mesmo ano, Musk afirmou que o pacote opcional SpaceX para o novo Tesla Roadster incluiria cerca de 10 pequenos propulsores de foguete dispostos ao redor do carro, com ganhos prometidos em aceleração, velocidade máxima, frenagem e curvas — e a possibilidade, segundo ele, de o carro até voar. Nada disso é dado como certo para outubro, mas o histórico mostra que a Tesla usa esse tipo de demonstração para reposicionar a própria narrativa.

Para o investidor brasileiro que acompanha o setor, o ponto de atenção segue o mesmo de outros momentos da companhia: a distância entre o espetáculo de palco e os números de produção. A trajetória recente da ação ilustra essa sensibilidade — a fonte lembra que os papéis da Tesla caíram 9% em três meses, pressionados pelo que circulou como "efeito SpaceX" e pelos resultados. O evento de 1º de outubro tende a ser mais um teste de expectativa do que uma mudança concreta na operação.