Principais pontos
- Em 2025, o porto movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro, um salto ante os 21,9 milhões de toneladas do ano anterior.
- O EBITDA (sigla em inglês para Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) gerado por ativos de mineração costuma ser precificado com desconto em relação às empresas de aço nas Américas.
O consórcio liderado pela Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, em conjunto com Vale e Gerdau, figura entre os interessados no Porto Sudeste, alvo de propostas que giram em torno de US$ 3,5 bilhões. A disputa pelo terminal fluminense, no entanto, esconde uma assimetria operacional e de valuation que tende a impactar de forma distinta os players envolvidos na negociação. Paralelamente, o fundo I Squared Capital apresentou uma segunda oferta, enquanto um terceiro bloco, reunindo Stonepeak Partners e a australiana M Resources, decidiu não prosseguir com o pleito.
O abismo entre capacidade e fluxo
O terminal, controlado pela Trafigura Group e pela Mubadala Capital (braço de Abu Dhabi) desde a aquisição do ativo da MMX Mineração em 2014, opera com significativo passivo ocioso. Em 2025, o porto movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro, um salto ante os 21,9 milhões de toneladas do ano anterior. Ainda assim, o volume fica aquém do limite físico da infraestrutura, fixado em 50 milhões de toneladas. Essa ociosidade de quase 50% representa um convite para a expansão de mineradoras de menor porte no mercado internacional.
O terminal funciona como um hub vital para a cadeia produtiva, conectando por ferrovia o estado de Minas Gerais — um dos principais polos de extração do país — aos mercados do Sudeste Asiático. Para produtores independentes, o acesso a essa rota marítima tende a reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade global.
A armadilha dos múltiplos para a siderurgia
A entrada da Gerdau no polo logístico, caso confirmada, sinaliza uma diversificação para o minério de ferro destinada a terceiros, em linha com o discurso da administração nas últimas reuniões da Apimec (Associação dos Investidores no Mercado de Capitais). Contudo, a leitura do Morgan Stanley aponta um efeito neutro para a valuation da siderúrgica. O motivo reside na compressão de múltiplos: o EBITDA (sigla em inglês para Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) gerado por ativos de mineração costuma ser precificado com desconto em relação às empresas de aço nas Américas. A adição de um ativo de minério pode, na prática, diluir o prêmio de valuation da companhia.
| Grupo / Fundo | Oferta Estimada | Perfil do Ativo |
|---|---|---|
| GIP, Vale e Gerdau | ~US$ 3,5 bilhões | Logística e Mineração |
| I Squared Capital | ~US$ 3 bilhões | Infraestrutura Global |
