A Multiplan (MULT3) fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 383 milhões, avanço de 73,3% sobre o mesmo intervalo do ano anterior, segundo informou a operadora de shopping centers nesta quinta-feira (29). A receita líquida alcançou R$ 846 milhões, expansão de 37%, e o Ebitda somou R$ 598 milhões, 37,3% acima dos R$ 435 milhões registrados um ano antes.

O ponto que merece atenção não está no tamanho do lucro, e sim na distância entre as linhas. Receita e Ebitda caminharam praticamente no mesmo passo, perto de 37%, enquanto as vendas das lojas instaladas nos empreendimentos subiram 5,9%. Essa assimetria sugere um faturamento maior sem salto equivalente no volume que circula pelos corredores — combinação que, historicamente, costuma vir de contratos, ocupação e outras receitas que o resumo trimestral não decompõe.

As quatro métricas do trimestre, lado a lado

Métrica3º tri de 2026Variação anual
Lucro líquidoR$ 383 milhões+73,3%
EbitdaR$ 598 milhões+37,3%
Receita líquidaR$ 846 milhões+37%
Vendas dos lojistasR$ 6,4 bilhões no ano+5,9% no trimestre

O Ebitda é a métrica que desconsidera o resultado financeiro, os tributos sobre o lucro, a depreciação e a amortização para tentar isolar o caixa gerado pela operação em si — por isso é a linha mais usada pelo mercado para comparar empresas donas de ativos físicos, como os shoppings, cujo resultado é muito afetado por itens contábeis que não passam pelo caixa do dia a dia.

Vendas nas lojas sobem 5,9%, com Morumbi e Village à frente

O volume comercializado pelos lojistas da Multiplan avançou 5,9% no trimestre, e no ano o segmento somou R$ 6,4 bilhões. Duas unidades se destacaram no critério anual: o Morumbi Shopping, com +23,4%, e o Village Mall, com +17,3%.

Faturamento maior dos inquilinos importa porque parte do aluguel cobrado pelos shoppings costuma ser atrelada ao desempenho das lojas — arranjo tradicional no setor e que faz o resultado do empreendimento acompanhar, com alguma defasagem, o humor do varejo. É por isso que a leitura de um trimestre de shopping nunca se encerra na receita da companhia: ela depende do que acontece na ponta, dentro das lojas.

ParkShopping: 8.615 m² e 98% locados antes da entrega

O ParkShopping, em Brasília (DF), recebe no quarto trimestre a sua décima ampliação. A companhia prevê acrescentar 8.615 m² de área bruta locável — ABL, o metro quadrado que o empreendimento efetivamente aluga — e mais de 60 operações novas, com 98% do espaço já comprometido com inquilinos.

Entregar um projeto praticamente todo locado tende a reduzir o custo de maturação da expansão, porque a cobrança de aluguel nasce junto com a abertura das lojas, e não meses depois. Para quem acompanha a companhia, o dado a verificar é o ritmo de conversão desses contratos em receita efetiva nos balanços seguintes ao da inauguração.

Lucro cresce quase o dobro do Ebitda e muda o foco da análise

O lucro líquido subiu 73,3%, avanço próximo do dobro do Ebitda (37,3%). Quando essa diferença aparece, é comum que o resultado final tenha sido ajudado por linhas que ficam abaixo da operação, como receitas ou despesas financeiras e efeitos tributários — componentes que o resumo trimestral não separa. Na prática, isso reduz a utilidade de comparar o lucro da Multiplan com o de outros shoppings sem ajustes, e desloca a atenção para o Ebitda e para a evolução das vendas dos lojistas.

Um trimestre forte no papel só se sustenta se a operação continuar convertendo fluxo de pessoas em faturamento nas lojas. Os próximos três meses trazem dois pontos de verificação: a entrega física da ampliação do ParkShopping e a manutenção do ritmo de 5,9% de crescimento das vendas — número que, se desacelerar, tende a pressionar a receita com defasagem, mesmo com a base de área alugável maior.