O RVDI11 passou a ser negociado na B3 como o primeiro ETF brasileiro a explorar diferenças de desempenho entre índices por meio de posições compradas e vendidas simultâneas — a chamada estratégia market neutral —, e o dado que a Investo coloca à frente é o controle de perdas: -1,4% de queda máxima do Índice B3 Market Neutral desde abril de 2017, contra -46,8% do Ibovespa no mesmo intervalo.
O histórico completo, porém, mostra o preço dessa estabilidade. Com dados até 30 de setembro de 2026, o índice acumulou 107,3%, abaixo dos 128,3% do CDI e distante dos 189,4% do Ibovespa. A volatilidade anualizada de 2,2%, diante de 22,7% do principal indicador da bolsa, ajuda a explicar a proposta: o objetivo declarado pela gestora é buscar retorno próximo ao CDI no longo prazo, sem perseguir o desempenho diário da renda fixa.
A consequência para quem acompanha o produto pela tela da B3 é direta: o ETF não foi montado para superar a bolsa em ciclo de alta, e sim para reduzir a dependência do resultado em relação à direção do mercado acionário. Em troca, entrega uma fração do risco — a volatilidade do índice ficou cerca de 90% menor que a do Ibovespa, segundo a Investo. Comparações por retorno bruto tendem a desfavorecer a estrutura: em mais de nove anos, o CDI rendeu mais e o Ibovespa quase dobrou o ganho acumulado do índice.
70% em ações, 30% pós-fixado e um hedge vendido sobre a carteira
A composição do índice tem três camadas. Cerca de 70% da carteira fica aplicada em ações que procuram acompanhar o IBrX 50, índice da B3 que reúne os 50 papéis mais negociados do mercado brasileiro. Os 30% restantes vão para ativos pós-fixados vinculados ao CDI ou à Selic, fatia que aproxima o resultado da estratégia do retorno da renda fixa.
Sobre essa base incide uma posição vendida em contratos futuros de Ibovespa, equivalente a 70% da parcela alocada ao IBrX 50. Na prática, o fundo ganha com o desempenho da carteira de ações e perde, na proporção ajustada, quando o índice futuro sobe — o que amortece o risco direcional da bolsa. A metodologia é definida pela B3, com rolagem e rebalanceamento automáticos e nenhuma decisão discricionária do gestor.
O ETF negocia sob o código RVDI11, com liquidez diária no mercado secundário e liquidação em D+2 — o intervalo de dois dias úteis entre a negociação e a efetivação financeira da operação.
O recorte anual: 62% a 115% do CDI em cada exercício
| Métrica (abril/2017 a set/2026) | Índice B3 Market Neutral | CDI | Ibovespa |
|---|---|---|---|
| Retorno acumulado | 107,3% | 128,3% | 189,4% |
| Volatilidade anualizada | 2,2% | — | 22,7% |
| Drawdown máximo | -1,4% | — | -46,8% |
Entre 2017 e 2026, a correlação histórica do índice ficou em 0,10 com o CDI e -0,15 com o Ibovespa, conforme dados da gestora. A captura anual variou de 62% a 115% do CDI acumulado em cada ano — ou seja, em exercícios favoráveis o índice superou o benchmark da renda fixa, e nos ruins entregou pouco mais de seis décimos dele. A série atravessou o Joesley Day e a greve dos caminhoneiros, entre 2017 e 2018, a pandemia em 2020, o ciclo de alta da Selic entre 2021 e 2022 e o período de juros elevados em 2025.
A tributação dos fundos exclusivos redesenhou a demanda
A janela comercial do RVDI11 tem endereço definido: as estruturas de fundos exclusivos, cuja gestão de caixa foi redesenhada pelas mudanças na tributação.
O enquadramento fiscal de renda variável é o argumento central da casa — preservar o tratamento dessa classe sem a oscilação típica de uma carteira de ações. A estratégia foi desenhada para o investidor institucional, e o desenho do índice reflete essa origem: regras públicas de negociação, sem discricionariedade, e retorno atrelado a uma fração do CDI em vez de perseguição de alfa.
Mais de R$ 10 bilhões e 30 ETFs sob o guarda-chuva VanEck
A gestora informa administrar mais de R$ 10 bilhões e manter mais de 30 ETFs listados na B3, cobrindo renda fixa e variável, com exposição a mercados brasileiros e internacionais. Desde 2024, a Investo integra o grupo VanEck, gestora global fundada em 1955. Com o RVDI11, a intenção declarada é ampliar o cardápio para o institucional que procura renda variável com volatilidade historicamente baixa.
O desempenho passado não se repete por decreto, e a própria gestora ressalva que o histórico não garante resultados futuros: a cesta segue exposta aos riscos dos ativos que carrega. Como em qualquer ETF, custos, liquidez e adequação ao objetivo de cada carteira pesam na análise — e o retorno abaixo do CDI no acumulado é parte do retrato, não um detalhe a ser ignorado.
