Lucro de R$ 7,1 bilhões com impulso da tesouraria

O lucro líquido recorrente consolidado do Bradesco (BBDC3; BBDC4) somou R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, período encerrado em setembro e reportado pelo banco em 22 de outubro. O montante supera em 14,6% o apurado um ano antes e em 0,8% o segundo trimestre. A origem do ganho, e não o seu tamanho, concentra a informação relevante: a margem com mercado saltou de R$ 99 milhões para R$ 875 milhões em doze meses, enquanto a margem com clientes líquida recuou 2% na mesma base.

O trimestre juntou dois motores de naturezas distintas. O crédito segue expandindo — a margem com clientes alcançou R$ 10,5 bilhões, 10,1% acima do 3T25 —, mas o intervalo entre a receita e a linha líquida encurtou: as provisões para perdas absorveram parte do ganho e deixaram essa margem líquida em R$ 9,8 bilhões. A tesouraria entrou com o complemento que fechou a conta.

ROAE de 16,1% e o freio na margem com clientes líquida

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE, medida do lucro obtido para cada real de capital próprio) ficou em 16,1% em setembro. Um ano antes, marcava 14,6%; no encerramento do segundo trimestre de 2026, estava em 16,2%. Existe melhora na comparação anual e, simultaneamente, acomodação frente ao trimestre imediatamente anterior.

A margem financeira bruta ficou em R$ 21,37 bilhões, 14,2% acima de um ano antes. Descontadas as despesas com provisões para perdas, a margem líquida chegou a R$ 10,7 bilhões, com crescimento de 5,7% em doze meses. O contraste entre os dois percentuais concentra o recado do balanço: o custo do risco avançou mais que a receita de intermediação.

Tesouraria entrega R$ 875 milhões contra R$ 99 milhões

Nas operações de tesouraria, a margem com mercado foi de R$ 875 milhões, comparáveis aos R$ 99 milhões de doze meses atrás. O banco credita o desempenho à gestão de risco e à capacidade de gerar valor recorrente pela tesouraria, sobretudo na mesa de produtos.

O release que acompanha as demonstrações descreve um ambiente macro desafiador. Para lidar com ele, o Bradesco relata ajustes adicionais nos modelos de crédito e de precificação, além de redução da exposição a grupos de clientes mais voláteis.

Métrica3T26Comparação
Lucro líquido recorrenteR$ 7,1 bi+14,6% a/a; +0,8% t/t
ROAE16,1%14,6% no 3T25; 16,2% no 2T26
Margem financeira brutaR$ 21,37 bi+14,2% a/a
Margem líquidaR$ 10,7 bi+5,7% a/a
Margem com clientesR$ 10,5 bi+10,1% a/a
Margem com clientes líquidaR$ 9,8 bi-2% a/a
Margem com mercadoR$ 875 miR$ 99 mi no 3T25

O que o novo mix cobra de quem acompanha o papel

Resultado puxado por tesouraria tem natureza diferente do lucro vindo da carteira de crédito: tende a ser mais sensível às condições de mercado e menos previsível na comparação entre trimestres. Quando a margem com clientes líquida recua justamente no trimestre em que a margem com mercado dispara, a recorrência do lucro passa a ser o item a monitorar — não apenas o número consolidado.

Nada no balanço aponta ruptura: o ROAE segue acima do patamar de um ano atrás e a carteira continua crescendo. O que muda é a composição. Reduzir exposição a clientes voláteis e apertar modelos de crédito costuma trocar velocidade por previsibilidade no curto prazo — movimento que tende a aparecer nos próximos balanços como margem com clientes mais estável e provisões menos erráticas.