Principais pontos
- O EBITDA (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 5,4%, atingindo R$ 3,2 bilhões, com margem de 7,9%.
- A receita na região atingiu US$ 3,748 bilhões, alta de 14,9% sobre os US$ 3,263 bilhões do 2T25.
- O CFO José Ignacio Scoseria Rey atribuiu a resiliência dos volumes à capacidade de entrega mesmo sob juros elevados e valorização cambial.
O 2º trimestre de 2026 da MBRF3 trouxe um cenário de contrastes para os acionistas. Segundo o balanço reportado pela InfoMoney, a companhia registrou lucro líquido de R$ 69 milhões, o que representa uma contração de 19,6% na comparação anual.
O EBITDA (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 5,4%, atingindo R$ 3,2 bilhões, com margem de 7,9%.
O descompasso entre volume e rentabilidade
A leitura analítica aponta para uma clara desconexão entre a escala operacional e a conversão final em resultado líquido. Enquanto o lucro recua quase um quinto, a empresa celebra volumes inéditos. O volume de vendas consolidado bateu 1,969 milhão de toneladas, um recorde histórico para o período.
Na operação vinculada à BRF citada no relatório, o crescimento foi impulsionado tanto pela quantidade quanto pela precificação, com alta de 2,1% no volume vendido e de 1,8% no preço médio. A receita líquida total do ciclo somou R$ 40,7 bilhões, um incremento de 4,9% ante o ano anterior, refletindo, segundo a administração, o consumo no mercado interno e a resiliência das exportações.
| Indicador | Variação / Valor no 2T26 |
|---|---|
| Lucro Líquido | R$ 69 milhões (-19,6%) |
| EBITDA Geral | R$ 3,2 bilhões (+5,4%) |
| Margem EBITDA | 7,9% |
| Volume Total | 1,969 milhão de toneladas |
Geografia dos resultados: América do Sul no comando
A segmentação regional evidencia onde a pressão de custos foi mitigada pela demanda. Na América do Norte, as vendas cresceram 2%, saltando de 468 mil para 477 mil toneladas, ajudando a compensar a menor disponibilidade de gado. A receita na região atingiu US$ 3,748 bilhões, alta de 14,9% sobre os US$ 3,263 bilhões do 2T25.
Já a América do Sul foi o motor de expansão financeira. A receita líquida regional alcançou R$ 6,389 bilhões, avanço expressivo de 26,4%. O EBITDA ajustado sul-americano subiu 22,1%, fechando em R$ 570 milhões.
Perspectivas e ambiente macro
O CFO José Ignacio Scoseria Rey atribuiu a resiliência dos volumes à capacidade de entrega mesmo sob juros elevados e valorização cambial. O CEO Miguel Gularte reforçou o otimismo, projetando que a tradição de fortalecimento no segundo semestre, impulsionada por datas comemorativas como o Natal, deve sustentar a trajetória. De fato, os volumes internos evoluíram sequencialmente até atingir o melhor patamar de 2026 em junho.
Para o investidor que acompanha o setor de proteínas, o recado do balanço é claro: a demanda por carne bovina segue firme, mas a eficiência na conversão dessa receita em lucro líquido continua sob o escrutínio do mercado, especialmente diante de uma receita líquida parcial reportada de R$ 2,481 bilhões, com crescimento de 18%.
