O Mercado Bitcoin (MB) protocolou nesta terça-feira, 27, o pedido de licença para atuar como corretora de ativos virtuais junto ao Banco Central, três dias antes do prazo final de 30 de outubro. A companhia, que declara quase 5 milhões de clientes, busca aval para seguir intermediando e custodiando criptomoedas sob as regras novas. Entregar o documento, contudo, não significa licença concedida.
O que a empresa pediu
A modalidade solicitada é a de corretora de ativos virtuais — categoria que habilita a intermediação de negócios e a guarda de criptoativos em nome de terceiros. No mercado brasileiro desde 2013, o MB comercializa, além do trading de moedas digitais, investimentos tokenizados, crédito e serviços de pagamento.
O protocolo integra a adequação às normas que o Banco Central publicou em novembro de 2025, quando passou a exigir autorização específica de quem atua com ativos digitais no país. Do lado do regulador, a lista inclui capital mínimo, governança, controles internos, segurança cibernética, prevenção à lavagem de dinheiro e gestão de riscos, além de obrigações voltadas à proteção dos recursos e dos ativos dos clientes.
| Item | Situação |
|---|---|
| Modalidade | Corretora de ativos virtuais (intermediação e custódia) |
| Protocolo | 27 de outubro |
| Prazo da 1ª etapa | 30 de outubro |
| Base de clientes | Quase 5 milhões, segundo a empresa |
| Operação no Brasil desde | 2013 |
| Status | Em análise pelo Banco Central |
A avaliação da papelada e a checagem do cumprimento dos requisitos vêm antes de qualquer autorização definitiva. Não existe aprovação automática pelo fato de a companhia já estar em atividade.
Não existe aprovação automática pelo fato de a companhia já estar em atividade.
O relógio do setor
A primeira etapa do processo termina nesta sexta-feira, 30. As instituições que entregaram a solicitação dentro da janela podem continuar funcionando ao longo da transição, desde que respeitem as condições fixadas pelo regulador.
Consolidação: a saída de uns virou cliente para outros
A corrida regulatória já redesenha o mapa das plataformas de cripto no Brasil. Nos últimos meses, empresas anunciaram encerramento, restringiram serviços ou procuraram parceiros para realocar usuários. O MB fechou acordos para receber clientes da Bitso e da Bity, e a Coinext, que também decidiu fechar as portas, indicou a companhia como alternativa.
Sustentar capital, tecnologia, segurança e controles internos no padrão exigido custa caro e pesa proporcionalmente mais sobre estruturas pequenas — vetor de concentração do mercado.
Na leitura de Vanessa Butalla, vice-presidente de Jurídico, Compliance e Riscos do Mercado Bitcoin, o novo desenho tende a reduzir incertezas, mas o ponto de atenção é a simetria: resta saber como as exigências serão cobradas de empresas de portes distintos.
Já o CEO e presidente do conselho, Roberto Dagnoni, avaliou em comunicado da companhia que a regulação tende a estimular a chegada de investidores institucionais ao mercado brasileiro de criptoativos.
O que a licença muda para quem investe
A pergunta do investidor pessoa física deixa de ser apenas taxa de corretagem e liquidez. Passa a incluir se a plataforma tem autorização do Banco Central ou, na fase de transição, se protocolou o pedido no prazo. Exigências de capital mínimo, segregação de recursos e segurança cibernética afetam diretamente a proteção em um cenário de quebra da empresa.
Nada disso, porém, elimina o risco de mercado: criptoativos seguem voláteis e sem garantia de valor, independentemente do selo regulatório.
2027 no radar: stablecoins e tokenização
A expansão desenhada para 2027 envolve pagamentos, stablecoins — moedas digitais atreladas a um ativo de referência, em geral o dólar — e ampliação da tokenização, a representação digital de investimentos e outros direitos financeiros. A companhia pretende atender tanto pessoa física quanto empresas e instituições financeiras.
Cada frente, porém, depende das regras aplicáveis e de autorizações próprias. O pedido desta terça cobre somente a modalidade de corretora de ativos virtuais.
A lista de protocolos deve crescer até sexta-feira, e o conjunto de pedidos será o melhor termômetro de quantas plataformas pretendem permanecer no Brasil sob licença.
