Reabertura em 9 de novembro fica restrita à consulta
O Mercado Bitcoin (MB) marcou para segunda-feira (9) o início da volta de sua plataforma, em retomada faseada e limitada à leitura de dados. O episódio de invasão deixou cerca de US$ 38 milhões em ativos digitais envolvidos, conforme a própria corretora, e o total que a empresa já conseguiu congelar do invasor supera US$ 15 milhões.
Na primeira fase, o cliente acessa a conta pelo site e enxerga saldo, extrato, patrimônio e posições de investimento. Depósitos, saques, transferências e ordens de compra e venda seguem bloqueados, sem data anunciada para retorno. A liberação é gradual porque cada frente do sistema e cada tipo de transação precisa passar por testes de segurança específicos antes de ser religada.
| Frente | Situação a partir de 9/11 |
|---|---|
| Acesso pelo site | Liberado, apenas para consulta |
| Saldos e extratos | Visíveis, valores mantidos |
| Depósitos e saques | Suspensos, sem prazo |
| Transferências e negociação | Suspensos, sem prazo |
| Ativos congelados do atacante | Acima de US$ 15 milhões |
| Perdas estimadas no incidente | Cerca de US$ 38 milhões |
O que o ataque atingiu
A invasão começou no domingo (1) e teve ação na madrugada de segunda-feira (2), quando depósitos, saques e negociações foram suspensos de forma preventiva. As carteiras quentes — aquelas conectadas à internet e usadas no giro diário da operação — foram o alvo. A maior parte dos ativos, porém, estava em carteiras frias, mantidas fora de linha e preservadas do ataque, segundo a companhia.
A empresa de segurança blockchain Hypernative estimou perdas acima de US$ 40 milhões. O MB, na sequência, confirmou que aproximadamente US$ 38 milhões haviam sido afetados.
Bloqueios avançam, mas não equivalem a recuperação
O montante de recursos travados passou de US$ 15 milhões, contra cerca de US$ 11,2 milhões informados na segunda-feira (2). O esforço reúne Tether, Circle, Paxos, BRL1 e Chainalysis, além de especialistas da comunidade de criptomoedas, com o objetivo de localizar os recursos desviados e impedir movimentação ou conversão em outros ativos.
Congelar, contudo, não é o mesmo que devolver: os criptoativos bloqueados ainda dependem de procedimentos adicionais para voltar ao controle da corretora.
Caixa, aporte e recompra
O MB afirmou que ninguém sairá no prejuízo e que a reposição das carteiras atingidas sairá de recursos próprios, com o saldo liberado para operação ou saque conforme cada serviço voltar. A mesa de operações se prepara para recomprar os ativos envolvidos nos mercados brasileiro e internacional, sem cronograma divulgado para concluir a tarefa.
A companhia diz ter caixa suficiente para absorver o impacto. Citou ainda um aporte recente de US$ 20 milhões da Tether, emissora da maior stablecoin do mercado — dinheiro destinado à expansão e sem relação com eventual necessidade de liquidez gerada pelo ataque. Somando rodadas anteriores, a corretora diz ter captado cerca de US$ 300 milhões com SoftBank, 10T Holdings, Tribe Capital, Parallax Ventures, GP Investimentos e Meli Fund, braço de investimentos do Mercado Livre.
Alerta de golpes
Enquanto os serviços não normalizam, a corretora avisa que criminosos podem se aproveitar da indisponibilidade. Redefinição de senha, autenticação e verificação biométrica devem ser feitas só nos canais oficiais. O MB afirma não pedir senhas, códigos de autenticação, fotografias ou depósitos por WhatsApp, e-mail, redes sociais ou telefone, e diz que avisos sobre a retomada sairão no site da empresa e nos perfis verificados.
O que isso significa para o investidor
A ordem da retomada importa: primeiro volta a visibilidade sobre o saldo, depois a capacidade de movimentar o dinheiro. A distância entre o valor já bloqueado e o total estimado de perdas indica que boa parte do prejuízo será absorvida pelo caixa da empresa, e não por recursos recuperados do invasor. O ritmo da recompra nos mercados e a data de reabertura dos saques são os dois pontos a acompanhar nos próximos comunicados da corretora.
