Ataque no Mercado Bitcoin: o que se sabe
O Mercado Bitcoin (MB) confirmou nesta segunda-feira (2) uma invasão a seus sistemas durante a madrugada e, por precaução, tirou do ar depósitos, saques e o acesso ao aplicativo. A corretora garante que os fundos dos clientes permanecem intactos e que nenhum dado pessoal vazou, enquanto uma empresa de segurança blockchain aponta transferências suspeitas acima de US$ 40 milhões — perto de R$ 215 milhões — em carteiras atribuídas à plataforma.
O que a corretora confirmou
O comunicado foi divulgado no perfil oficial da empresa no X. Segundo o MB, o incidente foi identificado e controlado ainda de madrugada. A corretora não abriu qual parte da infraestrutura foi atingida, que ativos ficaram expostos nem deu prazo para normalizar depósitos e retiradas.
A empresa afirma que nenhum cliente teve prejuízo e que informações pessoais não foram expostas. As equipes técnicas seguem mobilizadas para localizar a origem da invasão, acompanhar o caminho dos recursos e alinhar as providências com as autoridades competentes. A corretora classificou o bloqueio como preventivo, para resguardar os usuários até o fim das investigações.
Os números levantados pela Hypernative
A Hypernative, empresa de segurança especializada em blockchain, mapeou o que chama de movimentações suspeitas em carteiras digitais atribuídas ao MB. O primeiro sinal suspeito surgiu ainda na noite de domingo (1), às 23h15 no fuso de Brasília, quando carteiras de depósito ligadas à corretora passaram a transferir bitcoins para um mesmo endereço. O pico de saídas, contudo, veio na madrugada de segunda: num intervalo de 34 minutos, que começou às 3h19 e terminou às 3h53.
| Ativo | Quantidade nas carteiras monitoradas |
|---|---|
| Bitcoin (BTC) | 106 |
| Ether (ETH) | 2.852 |
| Solana (SOL) | 10,7 mil |
| Stellar (XLM) | 6,7 milhões |
| Avalanche (AVAX) | 77 mil |
| Tron (TRX) | 1,7 milhão |
Além desses, os endereços reuniam mais de 200 outros tokens, segundo a empresa. No total, a Hypernative cita ao menos dez blockchains alcançadas; Solana, Bitcoin, Ethereum, Polygon, Tron, Avalanche, Arbitrum, Stellar e BNB Smart Chain estão entre elas.
Os pesquisadores destacaram o modus operandi: em vez de explorar falhas em contratos inteligentes — programas que rodam sobre a blockchain e executam regras de forma automática —, o invasor teria se aproveitado de transações de rotina, com assinatura das próprias carteiras de origem.
Há uma ressalva importante. O total acima de US$ 40 milhões é preliminar e só se confirma se todos os endereços identificados realmente pertencerem ao MB. Não se trata, portanto, de perda contábil reconhecida pela corretora, e faltam dados para saber quanto de fato saiu das carteiras. A Hypernative publicou os endereços e recomendou que corretoras, mesas de balcão (OTC, negociação feita fora de ambiente de bolsa) e serviços de transferência entre redes acompanhem essas carteiras para travar novos movimentos.
Um setor em alerta
O episódio vem poucos dias depois do assalto sofrido pela Binance, a maior plataforma de negociação de criptoativos do planeta, que perdeu cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais — o maior registrado na história do setor. A exchange também interrompeu retiradas, anunciou o uso de recursos próprios e de seus fundos de proteção para repor o que foi roubado e liberou os saques no domingo, após cerca de dois dias de bloqueio.
Nada indica, até aqui, conexão entre os dois episódios com base em informações públicas. O MB afirmou que continuará publicando atualizações em seus canais oficiais.
O que isso significa para o investidor
- Custódia é risco operacional. Quem mantém criptomoedas na corretora depende da segurança, da governança e da política de ressarcimento da plataforma. A autocustódia devolve esse controle ao investidor, mas cobra o preço da gestão de senhas e chaves.
- Movimentação não é prejuízo. A cifra de US$ 40 milhões é estimativa de terceiros e ainda depende de confirmação. A distância entre ativo que saiu de uma carteira e perda efetivamente reconhecida pode ser grande.
- Bloqueio de saques pede acompanhamento. Em incidentes assim, a normalização costuma vir em etapas. Vale seguir apenas os comunicados oficiais e evitar decisões tomadas com base em rumor.
