O Citi abriu a cobertura das ações da OceanPact (OPCT3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13, o que corresponde a potencial de 48,2% sobre o fechamento de 26 de outubro. A tese do banco se apoia menos no alvo em si e mais no preço que o mercado offshore brasileiro voltou a pagar por dia de embarcação.

O Citi reconhece um cenário ainda difícil para as embarcações de apoio offshore (OSVs) — os navios que abastecem plataformas e dão suporte logístico às operações no mar.

A diária que saiu de US$ 27 mil e chegou a US$ 39 mil

A média implícita da frota da CBO, incorporada pela OceanPact, partiu de cerca de US$ 27 mil por dia em 2020 e alcançou aproximadamente US$ 39 mil por dia no segundo trimestre de 2026. O ajuste, porém, tem data para terminar: até 2028, boa parte da frota somada ainda passará por repactuação contratual. O efeito prático é escalonado — o preço vigente hoje chega à receita aos poucos, não de uma vez.

É nesse intervalo que o Citi localiza parte do espaço da tese: a carteira de contratos já assinada carregaria potencial relevante de reajuste conforme a frota migra para as taxas correntes do mercado. Para quem acompanha o papel, o referencial de análise muda de lugar — passa a importar mais a curva de renovação dos contratos do que o alvo de curto prazo.

73 embarcações e R$ 66 milhões de sinergia em caixa

A escala nasce da operação concluída em setembro, quando a combinação de negócios entre OceanPact e CBO recebeu aprovação definitiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A frota combinada — 73 embarcações, das quais 45 vieram da CBO — é, na leitura do Citi, a maior entre OSVs de bandeira nacional. O banco estima que a união destrave R$ 66 milhões em sinergias de fluxo de caixa livre (FCF, o caixa que sobra depois das despesas operacionais e dos investimentos) em 2027.

IndicadorValor
Preço-alvo do Citi para OPCT3R$ 13
Potencial sobre o fechamento de 26/1048,2%
Frota combinada pós-CBO73 embarcações
Embarcações adicionadas pela CBO45
Diária média implícita da CBO em 2020~US$ 27 mil
Diária média implícita da CBO no 2T26~US$ 39 mil
Sinergias de FCF estimadas para 2027R$ 66 milhões

Frota velha, conteúdo local e a oferta que não reage

Na leitura dos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, o mercado se reparte em dois blocos: armadores com frota envelhecida e sem balanço para reinvestir, de um lado, e grupos com escala e capacidade de contratar, de outro — caso da própria OceanPact. Ao mesmo tempo, os programas da Petrobras (PETR4) voltados a exploração e produção (E&P) e a descomissionamento — a retirada e o desmonte de plataformas e dutos no fim da vida útil — esbarram em uma oferta que não tem como crescer no ritmo necessário.

Dois fatores travam a reação. Do lado econômico, construir embarcação nova ficou desfavorável. Do lado regulatório, as exigências de conteúdo local (percentual mínimo de bens e serviços contratados de fornecedores nacionais) e as regras de bandeira brasileira — que reservam parte das operações a embarcações registradas no país — reduzem a pressão de concorrentes estrangeiros.

Serviços submarinos: a opcionalidade que depende da Petrobras

O terceiro pilar da cobertura é condicional. A divisão de serviços da OceanPact, voltada a atividades submarinas e a descomissionamento, pode absorver demanda do conjunto de sistemas de produção previsto nos projetos da Petrobras. O ganho só aparece se o calendário da estatal sair do papel.

O que passa a importar nos próximos balanços

  • O ritmo das repactuações até 2028 e quanto das diárias mais altas já aparece na receita reportada.
  • A conversão das sinergias de FCF projetadas para 2027 em caixa efetivo, à medida que a integração com a CBO avança.
  • A velocidade dos programas de E&P e de descomissionamento da Petrobras, dos quais depende parte relevante da demanda.
  • O desenvolvimento da divisão de serviços em submarino e descomissionamento, hoje o pedaço mais condicional da tese.

Para quem já acompanha o papel ou estuda exposição ao setor de óleo e gás, a discussão central não é o alvo de R$ 13 em si, mas a sensibilidade da receita ao repricing contratual: quanto mais contratos forem renovados perto dos patamares atuais, maior a alavancagem operacional do resultado — para cima ou para baixo, caso o mercado de diárias esfrie.